Pequena Lista De Grandes Ajudas

Definitivamente, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam, por email ou pessoalmente, quando falamos sobre o processo de adaptação fora do país da gente, é como fazer para tornar o começo mais fácil, menos doloroso ou, pelo menos, mais suportável. Enquanto respondo, várias pequenas coisinhas importantes vêm à minha mente. Sempre sugiro algumas delas, para vários tipos de pessoas diferentes. Hoje, quando fui pra cama, tinha acabado de responder à um email com o mesmo tipo de dúvida e ansiedade. Então pensei: uma hora vou ter que organizar uma lista sobre o assunto… (Apenas a título de curiosidade, eu ADORO uma lista!) Resultado? Fiquei rolando na cama, com a cabeça fervendo de palavras! Cá estou eu, às 2:50 da manhã, organizando uma lista de atitudes que podem garantir um pequeno refrigério na vida daqueles que, num belo dia (ou fatídico, depende do ponto de vista!), decidiram migrar pra outro canto do mundo.

Se um dia você bateu com a cabeça e decidiu mudar de vida, largar tudo e recomeçar em um novo lugar, talvez tenha também várias dicas. Essas que compilei hoje, em minha fracassada tentativa de sono, refletem bem a minha experiência pessoal, coisas que fui aprendendo com a minha própria vivência por aqui. Olhando hoje para trás, me assombro um pouco com essa coisa doida de juntar as poucas tralhas da gente e sair pelo mundo, tentando uma vida nova. Só pode ser coisa de gente estranha, não tem outra explicação! Perdoem-me todos os companheiros imigrantes, espalhados por esse mundão afora; mas NORMAL a gente não é… Não pode ser! De qualquer forma, anormal ou não, depois de consumado o fato, a gente tem mesmo é que tentar fazer do período de adaptação o melhor que a gente puder. O que tenho visto que ajuda? O seguinte:

APRENDER A LÍNGUA LOCAL: na boa, não tem nada que deixe a gente mais a vontade, do que falar o idioma do lugar que você escolheu pra viver. É difícil a gente ter a sensação de “pertencer”, se não consegue se comunicar, não é? Todo o esforço nesse sentido, só vai trazer benefícios. Se você tiver planos de construir ou continuar uma carreira, então, aí se torna IM-PRES-CIN-DÍ-VEL!

FAZER NOVAS AMIZADES: nem vem com esse papo de timidez, de que “eu não sou uma pessoa muito sociável”, porque aí vai ficar complicado. Sem amigos, fica impossível! Eles se tornam a família da gente longe de casa, embora isso não pareça algo muito simples. Primeiro: é impossível querer comparar seus amigos que ficaram lá no Brasil, que conviviam com você desde o Jardim da Infância, ou foram criados na mesma rua jogando bola, ou trabalharam com você durante toda a sua vida… A gente leva tempo para construir relacionamentos verdadeiros e na base da confiança; não foi assim ao longo de toda a sua vida? Será assim também no novo país; tenha paciência. Segundo: não é porque o cara é brasileiro que vai se tornar seu “BFF” (Best Friend Forever) da noite para o dia! Brasileiro no exterior tem essa mania: encontra um conterrâneo e já acha que encontrou uma “alma gêmea”!  Com o tempo, você vai percebendo que é fundamental ser amigo de gente que tem a ver com você e te acrescenta, te faz bem. E vice-versa. De qualquer forma, passar o período de adaptação sozinho só vai tornar as coisas mais duras pra você.

EXPLORAR O LOCAL: se você for como eu, vai amar descobrir cada cantinho legal do seu novo lugar. Gaste tempo andando, conhecendo, passeando, explorando, experimentando… Em breve, terá novos lugares prediletos, comidas preferidas e chegará até mesmo a se questionar como pôde viver tanto tempo sem ter experimentado certas coisas incríveis, que agora fazem parte de sua rotina. Comigo funciona até hoje: bateu deprê, muita saudade, acordei com vontade de chorar? É dia de TURISMO!!! Com direito a câmera fotográfica!!! Olha, super ajuda!

CULTIVAR  SEU HOBBY: especialmente para quem veio de uma rotina frenética no Brasil, como eu, sem tempo pra quase nada, chegar aqui foi um (bom) susto! Até me acostumar com uma vida BEM mais calma, tranquila e sem tantos compromissos, levou tempo. E como é bom você enfim ter momentos só seus, para fazer o que realmente te dá prazer! É isso. A palavra é PRAZER. Busque fazer coisas que trazem alegria interior, que colocam um sorriso por dia no seu rosto… Muda tudo!

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS: não é segredo pra ninguém que a prática constante de exercícios libera uma substância natural chamada endorfina, que regula a emoção e traz sensação de bem estar. Nem todo mundo é fã disso, eu sei, mas é importante que você descubra algo que gosta de fazer e vá fundo! Os efeitos são incríveis!

CONHECER-SE MAIS: querendo ou não, buscando ou não, a experiência de mudar-se pra longe vai revelar coisas sobre você, seus sentimentos, seus valores, seus hábitos, suas posturas na vida, sua essência… Tudo fica muito à flor da pele; as coisas tomam proporções desenfreadas, muitas vezes… Esteja pronto para surpreender-se consigo mesmo! E para o próximo item da lista:

RESPEITAR-SE: com a melhora do auto-conhecimento, a gente passa a valorizar muito mais a si mesmo. É importante CONHECER e RESPEITAR seus limites. Vai ter dia que você vai querer sumir do mundo; outros, em que vai se arrepender profundamente de ter migrado! Haverá dia que você vai se perguntar mil vezes: que raios eu estou fazendo aqui??? E vai ter dia de bode, que vai querer curtir a saudade, ficar no seu canto até a coisa passar… Vá lá, permita-se! Mas não se demore muito lá, porque deprê também vicia.

MANTER CONTATO COM GENTE IMPORTANTE PRA VOCÊ: ô ponto delicado, esse! Quando a gente muda pro exterior, parece até que vira celebridade. Um batalhão de gente te adiciona no Facebook, Orkut, Google+, Twitter, e tudo quanto é raio de rede social. Sua vida parece que passa a ser mais interessante pros outros. E até gente que parece amar mais você do que antes. É, acontece… E quer saber? O tempo e a distância são excelentes formas de aperfeiçoamento de relações: o que é verdadeiro, até se estreita; o que não é, vai se tornando névoa, até você um dia perceber que está passando muito bem sem aquela pessoa, obrigada!!! Mas tem um tipo de gente, que você pode rodar o mundo, ver coisas fascinantes, viver experiências incríveis, que ainda vai te fazer tanta falta, que em alguns dias, você mal vai conseguir respirar pela ausência delas! Com essas pessoas, faça o que for pra manter contato: você não vive MESMO sem elas!

E por fim, o mais importante:

CULTIVAR UM RELACIONAMENTO COM DEUS: ainda que você não seja uma pessoa “espiritualizada”, ou não se considere um cara “de fé”, em vários momentos você vai perceber que PRECISA crer em algo muito maior. Quando alguém que você ama adoece, por exemplo. Quando alguém morre e você estava longe sem poder dizer o que deveria ser dito. Ou quando você adoece e se sente sozinho, sem as pessoas que mais ama por perto… Enfim, existem momentos que somente a fé mantém a gente em pé. Especialmente longe de casa, das pessoas de sempre e da nossa zona de conforto. Manter a fé operante num momento de tantas mudanças só contribui positivamente, é sério. Sem a minha fé, eu já teria chutado tudo isso aqui pra cima, logo no começo. Obrigada Deus, por ter me ajudado até aqui!

Nossa gente, o post ficou enorme! Desculpe-me. E lá se foi uma noite de sono. Porém, se eu conseguir ajudar alguém com a minha experiência, já terá valido muito a pena… Ufa! Agora posso dormir. As palavras por fim ocuparam seu lugar e minha mente ficou em silêncio…

fugindo de casa

26 comentários em “Pequena Lista De Grandes Ajudas”

  1. Mais um grande post. Morar fora é muito diferente do que a maioria pensa. São essas dificuldades que fazem a gente crescer como pessoa, se conhecer melhor, e identificar nossos limites. Identificar oportunidades de melhoria nessas situações é fundamental para sermos melhores. Excelentes dicas, sem dúvidas vai ajudar muita gente!

    1. Brigadão, Amaury!

      Eu tento apenas dividir a minha própria vivência por aqui, que eu acho o mais importante. A grande maioria pensa mesmo que morar fora é uma grande festa! Porém, o dia-a-dia da coisa é BEM diferente e desgastante. É preciso muita força, coragem, foco e determinação, pra passar pelas fases “negras” até ver o sol brilhando, finalmente…
      Legal ter você por aqui.

      Grande abraço.

  2. Carol,
    Amei e me emocionei com seu post!! Vc disse tudo que concordo e q vim buscar longe de casa. Muito bem escrito e bem dito. Vc me deu dicas de sites de apt quando ainda estava no Brasil cheguei com meu marido e meus 2 filhos semana passada aqui em melbourne e estamos nos adaptando, para ser sincera ainda estamos meio peixinho fora d’água. Estou muito positiva que esse tempo aqui, longe de tudo e de todos fará um bem enorme na vida da minha família e sei que Deus esta no controle, isso me conforta.
    Bom na verdade entrei no blog hj par pegAr mais dicas e acabei lendo seu post fantástico . Voltando ao que eu queria lhe perguntar:
    Resolvi colocar meu filho de 4 anos apenas num curso de ingles ao invés de colocar na escola até porque vamos ficar apenas 3 meses aqui. Então, vc conhece algum?
    Vc depila com cera negra ? Tem algum lugar para indicar? E manicure?
    Conhece alguma academia que tenha esporte para crianças?
    Estou morando bem perto do zôo de melbourne … Ja virei member porque meu filho de 4 anos e o de 1 ano amaram e achei um bom programa para leva-los.
    Se vc puder fazer um post sobre seus restaurantes prediletos em melbourne seria ótimo, porque nos q viemos do Brasil temos um pouco de dificuldade em se adaptar com as comidas daqui?!
    Posso dizer que ao ler seus posts fiquei mais sua amiga e gostei muito disso!
    Se possível entre em contato.
    Obrigada
    Mayla

    1. Olá Mayla, tudo bem?

      Que bom que gostou e se identificou com o que escrevi; para isso que divido as minhas experiências por aqui.
      O começo é sempre difícil mesmo, principalmente as primeiras semanas. A gente fica totalmente perdido!
      Sobre curso de Inglês infantil, infelizmente não conheço. Todas as crianças que a gente tem contato foram direto pra escolas normais.
      Na realidade, nunca nem ouvi falar de Inglês para essa faixa etária, viu?!?
      Todas as coisas de salão, acabei aprendendo a fazer em casa mesmo. Só vou ao salão pra cortar cabelo. Faço minhas próprias unhas, minha escova, minha depilação… Mas não uso cera negra! Manicure aqui é diferente do Brasil. Esses salões que você encontra em todo Shopping, não fazem unhas como nós fazemos. Se quer manicure estilo do Brasil, tem que procurar uma brasileira.
      Vamos fazer assim? Entro em contato com você e fica mais fácil de te dar dicas específicas e detalhadas, ok?

      Beijo.

  3. Minha irmã, como sempre vc arrasou!!!
    Pq vc não escreve um livro? Ficou expert em em dicas pra se viver longe e casa…te amo muito, vc é meu orgulho!!!!!!!!
    Beijos…meu amor!!!!!

    1. Obrigada, minha irmã querida!!!

      Tenho planos sim, para um livro, no futuro. Vamos vendo o que acontece, né?
      Expert em viver longe de casa não é nada agradável; só eu sei como é viver um dia após o outro longe de quem a gente ama!!!

      Também te amo! Muito! Beijo.

  4. Oi Carol

    Que post lindo! Você conseguiu listar vários pontos importantes do processo de adaptação com tanta delicadeza e sabedoria. Com certeza vai ajudar muita gente, inclusive eu. Você é ótima!

    Beijos querida!

    1. Oie querida, tudo bem?

      Ficou bom, né? Gosto quando consigo dividir o que sinto e ajudar as pessoas… Me faz um bem danado!!!

      Obrigada pelo carinho de sempre, flor! Fica bem…

      Beijos.

      1. ola carolina, eu vivo em portugal e neste momento estou desempregada já á algum tempo, gostaria de saber se conheces alguma agencia que seja boa ai na australia, para arranjar trabalho, pois tenho 2 filhos de 5 e 7 anos e isto aqui no meu país tá cada vez, pior se possivel de me uma resposta, muito obrigado.

  5. Carolina, foi muito bom ler o que tens escrito. Estou aqui num hotel em Adelaide, vinda de Sydney, indo para Melbourne, em vias de morar na Austrália – Sydney para poder estar com meu amor. Hoje bateu um aperto no coração…ler-te foi muito bom, me ajudou um monte!!! Vou deixar família, carreira, tudo no Brasil, para estar com o homem que amo desde criança e, por andanças de vida, estive afastada durante 42 anos.

    1. Bom saber que ajudei, Rosane!

      E desejo que você seja muito FELIZ nessa nova fase da sua vida, ao lado da pessoa que você ama…

      Seja bem vinda!!!

      Abraço.

  6. Estou em Portugal e tenho uma filha que foi para Sidney. Achei as dicas o máximo! Continue e escreva o livro! Também já disse o mesmo á minha filha cristina. Claro que sou fã do blog dela como mãe babada… bjinhos e felicidades

  7. Carolina, tudo bem? Conheci seu blog esses dias e gostei bastante das suas dicas e informações, estou mudando para Melbourne em Julho, estudarei na Swinburne University, existe algum outro meio de contato com você? Quero algumas informações pois estou meio perdido com algumas cosias….
    Parabéns pelo blog, Abraços

  8. Oi, Carolina, tudo bem?
    Gostei muito do seu blog e do jeito que você compartilha suas experiências na Austrália para ajudar outros que estão envolvidos na aventura da imigração.
    Minha família está mudando para Adelaide este ano e eu estou querendo embarcar para Melbourne assim que eu terminar a residência de Cardiologia aqui em São Paulo.
    Infelizemente, o processo de revalidação é uma burocracia infinita! Você conhece algum médico (residente ou não) brasileiro aí em Melbourne que poderia me dar algumas dicas?
    Obrigado pela ajuda, sei que você tem infinitas mensagens para responder!

    1. Oi Ricardo, tudo bem?

      Obrigada pela visita ao Blog, pelo elogio e pelo comentário também.
      Sim, tenho um amigo médico aqui, mas que está ainda estudando Inglês e nem começou o processo ainda. Talvez ele nem seja o ideal pra te dar dicas, porque ainda vai estudar a língua por um período, até chegar o momento de procurar um caminho.
      Pelo que sei, de fato é um árduo processo, mas não estou muito inteirada dos detalhes. O que posso fazer é te passar uma página com nomes de contatos e de médicos brasileiros aqui e você tenta falar com algum deles. Mas eu não conheço nenhum, infelizmente…

      http://www.sotaquebrasileiro.com/@australia-melbourne.html

      Espero que tudo dê certo e você consiga enfim uma ajuda efetiva!

      Abraço.

  9. Oi Carolina!

    Nas ultimas semanas tenho vasculhado tudo sobre morar na Austrália, mais precisamente em Melbourne, e acabo de ler seu post, simplesmente amei!! Quero estudar ingles por um ano e quero viajar no inico de Novembro, e se tudo sair como planejo, pretendo ficar por um tempo maior. Tenho 43 anos e não tenho filhos, por isso decide investir em mim agora. Se vc puder me dar dicas de como conseguir trabalho pra ajudar nos estudos, ficarei eternamente grata, pois pelo que vi nas agencias de intercambio, eles te matriculam e ajudam com acomodações por 1 mes, depois disso é por nossa conta, então qlq dica que me ajude será bem vinda.

    Um grande bj e parabéns pelo blog.

    Ana Cris

    1. Olá Ana!

      Que delícia investir na gente mesmo, né não?!? Aproveite ao máximo esse tempo…
      Bom, pra conseguir trabalho aqui não tem mistério: se cadastrar em tudo quanto é site de empregos, sair com currículo debaixo do braço, cara de pau e um Inglês suficiente. E claro, estar pronta pra muitos NÃOS, até achar aquele que é o seu!
      Dá uma lida nesse outro post aqui:

      https://carolinamartins.wordpress.com/2012/05/28/job-club-uma-excelente-oportunidade-para-a-busca-de-emprego-em-melbourne/

      Precisando de mais dicas, estamos aí…

      Beijo grande pra você e boa sorte com os preparativos!!!

  10. Carolina, perfeito! A última dica da lista é com certeza a mais importante. Estou aqui em Melbourne agora e até agora pouco estava pra baixo mas lendo o seu post, me sinto melhor… Obrigado!!

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