Dia de Aniversário Número 4

Pois é. Quem diria? “O tempo passa, o tempo voa.” O que não passa é a saudade, a lembrança, a vontade de estar perto de quem se ama. Pensei muito sobre o que eu poderia escrever para comemorar o quarto aniversário de Austrália, mas a conclusão foi óbvia: como sempre, decidi que deveria escrever com o coração, ser sincera. Falar a verdade. Pelo menos, a minha verdade. Depois de todo esse tempo vivendo longe, posso garantir apenas um ponto: o que o tempo NÃO CURA MESMO é a falta que algumas pessoas fazem no nosso dia-a dia. Se eu tenho aprendido algo, que seja relevante compartilhar, esse algo seria o seguinte: apenas amor de verdade vence a barreira do tempo, da distância e da ausência.

Depois de quatro (longos) anos, a realidade é uma só: a nova língua, antes amedrontadora, a gente domina. A cultura, antes tão diferente, a gente se acostuma; na real, a gente até se amolda. Lidar com as diferenças no ambiente de trabalho, a gente reaprende. Enfrentar os desafios diários de uma nova sociedade, a gente tira de letra. Construir novos círculos de amizade, conhecer gente nova a todo instante, a gente se adapta. Temperatura, clima, comida, diversidade cultural, diferença de fuso horário, de moeda, a gente se ajusta. Mas ficar longe de quem a gente AMA, nunca se torna simples ou superável, não importa quanto tempo passe…

Pode parecer “tema de novela”, de filme, tema de poesia, verso ou prosa, até letra de música. Pode soar piegas, cafona, jargão, o que for… O grande e único desafio de morar fora é conviver com a falta que as pessoas importantes fazem em nossa vida diária. Isso não passa. Não há cura para a ausência de gente querida. A gente apenas aprende a administrar. E aí é que está o “pulo do gato”: administrar os sentimentos. Nunca antes controle emocional e domínio próprio me pareceram tão fundamentais! Há momentos em que a gente tem que parar, pensar e dizer a si mesmo: respira fundo, racionaliza e continua andando. E não pira, por favor!

Vale ressaltar que a gente aprende, inclusive (ou seria PRINCIPALMENTE?), a questionar cada vez mais a veracidade dos nossos sentimentos e dos sentimentos dos outros sobre nós. A gente aprende a valorizar quem realmente faz diferença na nossa vida, porque percebe que viver sem algumas pessoas é muito difícil; já outras, nem tanto… Distância supervaloriza relacionamentos de verdade e expõe relações superficiais. E tem coisa mais legal do que conhecer melhor a si mesmo, conhecer com mais clareza o que a gente sente, conhecer melhor as pessoas com quem a gente se relaciona, ou as bases de relacionamentos que construímos ao longo de uma vida???

Só tenho o que comemorar nesse aniversário de 4 anos. Tenho apenas motivos para brindar e celebrar. Um brinde à vida, aos verdadeiros amigos e verdadeiros amores, às pessoas que permanecem, mesmo estando distantes. Um brinde àqueles que se esforçam em permanecer presentes, mesmo que a distância física nos impeça o abraço. Àqueles que nos fazem rir, chorar, calar, amar, gargalhar, pensar, mesmo que um oceano nos separe. Um brinde aos novos amigos, que partilham com a gente a mesma dor da ausência. Um brinde ao país maravilhoso que nos recebeu de braços abertos. Um brinde àqueles que têm o privilégio de viver entre dois países, duas culturas, dois povos, duas línguas e ainda conseguem encontrar espaço em seus corações para AMAR e RESPEITAR a ambos. CHEERS!!!

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O Poder de Cura da Auto-Permissão

Quem acompanha o meu Blog sabe que tento sempre animar a todos; levantar o astral, encorajar, motivar e dizer tudo que esse lugar tem de bom, de positivo, tudo que torna a Austrália um canto tão especial desse mundo! Afinal, se a minha opinião escrita não edifica, não encoraja e não motiva, nem acho que ela mereça ser ouvida (nesse caso, lida)! Porém, como todo mundo, tenho os meus dias de abrir os olhos e desejar voltar pra debaixo das cobertas e só sair de lá tipo, uns 2 meses depois… Nesses dias, a maior inimiga é a minha própria auto-motivação. Não me permito ficar chorando pelos cantos, resmungando, sofrendo, com pena de mim mesma. Nunca. Tenho técnicas altamente desenvolvidas para uso pessoal e divido isso com as outras pessoas. Quando acordo assim, começo logo a criar uma série de coisas pra fazer, tipo uma agenda de “renovo de ânimo” para o dia: vou passear pela linda cidade de Melbourne, sentar no meu café predileto, comer uma sobremesa divina de chocolate, sem nem pensar nas calorias; vou bater pernas no Shopping, ver vitrines, ou visitar meus pontos turísticos favoritos. Sempre funciona. E ensino isso para todas as pessoas que se sentem meio pra baixo por aqui…

Bem, longe de mim querer me contradizer, ou desabonar minha própria teoria de que, mudando de ares, de pensamento, de foco, de paisagem, as coisas vão melhorando dentro da gente. Acredito nisso. Faço isso. Vivo isso. Porém, hoje eu decidi me permitir… Acordei com uma saudade quase palpável, de tão forte. A presença dela era tão real, que quase pude vê-la e convidá-la para um café e uma boa prosa… Foi o que eu fiz! Não tentei fugir dela, nem enganá-la. Não criei subterfúgio algum para desviar a dor da mente, nem do coração. Ao contrário, me permiti sentir, com a força do meu coração! Chorei. Lembrei. Ouvi músicas. Revi fotos. Busquei fragmentos na memória, cheiros, cores, sabores, conversas, abraços, carinhos… Chorei de novo. Deixei recados nas timelines de alguns dos meus amores no Facebook. Declarei meu amor por eles. Chorei mais um pouco. Gastei algumas horas papeando no Skype com gente que amo  e sinto falta todo dia. E termino esse dia chorando mais um pouquinho e esperando minha mãe acordar lá no Brasil, pra poder ligar pra ela e falar do meu amor. E chorar mais um bocadinho, “no colo” de quem me socorreu a vida toda, quando eu sempre precisei…

Enfim, eu só queria que todas as pessoas pra quem já dei o conselho de superar a tristeza, dominar os pensamentos e as emoções ou mudar o rumo de um dia triste, soubessem que a gente se permitir sofrer em algumas ocasiões também é curador. Curtir um pouquinho de saudade, de amor não correspondido ou qualquer tipo de perda, também é um meio de extravasar a angústia de dentro do peito. Mas vamos combinar?  Amanhã a gente já retoma o controle da situação, certo???

A razão da minha saudade…

Depósito No Banco Emocional

Certa vez li em um livro (agora não me lembro qual foi), que relacionamentos são construídos e alimentados como num “Banco” emocional. Para utilizar os serviços de um Banco, você precisa primeiro abrir uma conta, depositar dinheiro lá, para só então poder sacar, investir, emprestar ou fazer todas as outras transações bancárias. A nossa vida emocional funciona de maneira muito semelhante: é preciso primeiro investir, depositar, cuidar, construir, para que se possa fazer um bom uso da “conta corrente”. Você deve estar se perguntando do que estou tentando falar, afinal… É que essa semana estive pensando em alguns relacionamentos construídos ao longo da minha vida e estava fazendo o link com o assunto abordado no tal livro. Meu maior depósito emocional atualmente são as palavras de minha mãe.

Não é mistério para ninguém que o apoio emocional da família, ou daqueles que a gente ama, é FUNDAMENTAL em qualquer tipo de mudança na vida. Somos seres que precisam de apoio, incentivo, acordo. Especialmente, quando o assunto é MUDAR DE PAÍS… O apoio da família, amigos, pessoas importantes pra gente, acaba fazendo toda a diferença. É claro que se trata de uma questão muito paradoxa, porque aqueles que amam a gente, querem nos ter por perto. Fato. Mas quem ama mesmo, acima de tudo, deseja ver a gente bem, feliz, vivendo o melhor de Deus para as nossas vidas. Sem querer parecer piegas, ou abusar de jargões românticos, o amor verdadeiro não é egoísta, nem egocêntrico.

Dia desses, falando com a minha mãe querida ao telefone, fui percebendo o quanto o apoio dela tem sido fundamental em minha adaptação por aqui. Bem, minha mãe é uma mulher simples, que muito cedo parou de estudar, para trabalhar e ajudar no sustento de sua família, em virtude da morte do meu avô. Seu maior sonho era ser Professora, mas ela não conseguiu realizá-lo. A vida, os problemas, as dificuldades, acabaram por impedir minha mãe de se formar e adquirir uma formação secular, mas nunca foram empecilhos para que ela se tornasse uma mulher de muita sabedoria. Em sua simplicidade, posso afirmar que ela é a mulher mais forte, guerreira e determinada que eu conheço e, ao mesmo tempo, de uma doçura ímpar. Não existem traços de amargura, rebeldia ou insatisfação em seu caráter. Com os limões que a vida traz, ela sempre encontra um jeitinho de fazer limonada, extraindo o melhor de absolutamente TUDO! Tem o coração mais grato que eu já conheci…

Em nossa última conversa, depois de uma hora e meia batendo papo, sobre os mais diversos assuntos, ela começou a dizer o quanto eu devo ser grata pela experiência de viver na Austrália. Lembrou-me de quando meu marido, ainda adolescente, saiu de casa para estudar em outra cidade, do quanto ele estudou, batalhou, fez estágio, Inglês, até chegar à essa oportunidade que a vida reservou para nós. E começou a dizer o quanto ela se sente feliz pela gente, pelos netos que têm tido a chance de receber uma formação aqui, por saber que temos qualidade de vida, segurança, enfim, pela nossa realidade de vida aqui em Melbourne… Inevitavelmente, comecei a me analisar, ouvindo ela falar com tanto entusiasmo, me questionando se eu mesma tenho tido essa clareza e frescor de pensamento, com relação a essa nossa experiência de vida. E ela me dizia para tirar disso tudo o máximo de coisas boas que eu conseguir… E terminou dizendo que ela sente muita falta da gente, mas quando ela pensa em como isso tudo é bom para nós todos, o coração dela fica cheio de alegria! Uma incentivadora nata, essa minha mãe…

Essa motivação, que brota das palavras dela, me contagia sempre e, quando desligo, estou com o coração cheio de coragem, para enfrentar os desafios de viver longe, de ser estrangeiro numa outra terra, de vencer os obstáculos que a gente enfrenta a cada momento, longe “de casa”… Sinto como se tivesse feito a escolha “certa”. Sei que nem todas as famílias, nem todas as mães, conseguem pensar ou falar do mesmo modo, por isso decidi compartilhar a “fofurice” da minha própria mãe com todos vocês que leêm o meu Blog.

Ao terminar essa nossa última conversa, eu estava chorando, porque me bateu uma saudade arrebatadora dentro do peito, uma vontade incontrolável de abraçar a minha mãe bem forte. Vontade de sugar cada palavrinha dela e guardar bem amarradinho no fundo do meu coração, para nunca esquecer do que ela me diz… Então, ela começou a dizer: “Não chora minha filha, vai ficar tudo bem!” E perguntou porque eu estava chorando tanto. Disse que era saudade, pura e simples. E ela então me respondeu: “Saudade é uma coisa boa, sabia? Porque quando a gente sente a saudade é porque a pessoa foi pra longe da gente e mesmo assim o sentimento nunca muda. A gente descobre que, mesmo longe, continua amando do mesmo jeito. Isso não é uma coisa boa? Eu te amo do mesmo jeito, todo dia.”

E eu, aqui do meu lado do mundo, fechei os olhos e agradeci de coração a Deus, pela minha vida, pela oportunidade de estarmos aqui, por aprender mais sobre a saudade, e acima de tudo, pela vida da minha mãe. Sem sombra de dúvida, não existe NENHUMA outra pessoa no mundo inteiro, de quem eu gostaria de ter vindo. Tenho orgulho de ser filha dela. Tenho orgulho de ser quem eu sou, porque sou assim por ser filha dela. Se no final da minha vida, eu conseguir me tornar, um pouquinho que seja, parecida com ela, terá valido a pena!  E agradeço pelo incentivo que ela me dá, pelas suas atitudes e palavras doces, nunca permitindo que eu me sinta culpada ou egoísta por estar vivendo tão longe. E, como ela mesma já me disse tantas vezes, “se eu te amo, eu quero sempre o melhor para você, mesmo que o seu melhor seja aí na Austrália.”

Minha mãezinha linda e eu!
Minha mãezinha linda e eu!

Vida De Imigrante Nem Sempre É Fácil…

Desejo de coração que nesse Natal, muitos brasileiros consigam viver a alegria de ESTAR PERTO! Esse vídeo é bem próximo da realidade de muitos brasileiros que vivem longe de casa… Nem preciso dizer o quanto me emocionei, preciso? Tive que compartilhar com vocês… A imagem vale mais do que TODAS as palavras do mundo!!!

Fazendo As Contas Antes De Mudar…

Talvez esse não seja um dos meus melhores posts, por isso sinta-se à vontade para nem terminar a leitura. Não estou num dia bom. E os pensamentos fluem e rolam absurdamente em dias assim. Penso que sou capaz de escrever um livro inteiro em dias típicos como esse. Mas por enquanto, vou me contentar com um post. Se ele ficar muito extenso, me desculpe. Mais uma vez, sinta-se livre para não ler.

Escrevo hoje especialmente para aquelas pessoas que estão planejando morar fora, na Austrália ou em qualquer outro buraco desse mundo! Sair do país, de perto da família, dos amigos, de tudo que você tem e vive. De tudo que talvez hoje te encha o saco, que faz você sentir que precisa FUGIR, que faz você sonhar com uma vida totalmente nova e diferente. Mas quero ser clara nesse momento: você já fez as contas? Tem um versículo bíblico que eu amo, dizendo exatamente isso: ” Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” Isso está em Lucas 14:28.

Procuro sempre me lembrar disso em minha vida, pensando: estou pronta para isso? Vou dar conta? Vou terminar o que me propus? Se tem uma coisa que detesto nessa vida, é começar algo e não terminar. E olha que sou bem experiente na questão. Vamos direto ao ponto. Você tem colocado na balança TUDO o que significa morar longe? “Fazer as contas” não é apenas financeiro; é emocional, é cultural, é pesar o que realmente tem valor prá você!

Sabe por que me sinto no direito de questionar sobre isso? Meu pai está com a saúde bem debilitada. Vai ser submetido à exames mais específicos por esses dias, já que não se sabe o motivo de alguns sintomas. Ele tem diabetes, é de idade avançada e tudo isso complica, é verdade. E nesse momento, que estou tão longe, tenho coragem de confessar à vocês: falhei ao fazer as minhas contas. As emocionais. Não dou conta disso. Tenho pânico só de pensar em perder meus pais nessa lonjura. Ou um deles. Ou ambos.

Se você é alguém apegado à família, eu sugiro: faça e refaça as contas quantas vezes forem possíveis ou necessárias. Se você não é (como eu já pensei um dia que eu não fosse), também pense nisso. E muito. Porque a distância amolece corações. Derruba muros dentro da gente. Faz até o mais durão de coração sentir falta dos seus. Ela é cruel. No meu caso, eu já estava fora da minha cidade natal há 11 anos, mas chegava lá de carro em, no máximo, 3 horas. Hoje, não chego em menos de dois dias, mesmo que encontre uma passagem milagrosa de um dia para o outro. Sem contar o preço da tal…

Nesses anos que estamos vivendo aqui, a coisa mais importante que aprendi foi o quanto eu desperdicei tempo de estar com a minha família. Tive meus motivos, que hoje me corroem por dentro, mas tento trabalhar isso em meu interior. Não sei qual é o seu motivo; trabalho em excesso, mágoas do passado, falta de tempo, falta de vontade, sei lá… Só sei que não deveria ser assim… E, acredite, estando longe, tudo se potencializa. Estando MUITO longe, tudo se potencializa duplamente. Faz a gente enxergar o que perdeu. E o que continua perdendo. Ou o que vai perder no futuro.

De novo, eu aconselho: faça as contas. Refaça. Sonde muito bem se tudo de fato vale à pena. Posso te garantir que, uma hora, a vontade de comer as comidas brasileiras passa, até porque comemos muito bem por aqui. Uma hora, a saudade dos lugares que você mais gosta, passa, porque você terá novos ( e maravilhosos!) lugares preferidos. Uma hora, a saudade da língua passa, porque falar Inglês bem começa à empolgar; entender e se fazer entender ENCANTA. Uma hora, a saudade da Pátria melhora, quando você vê e sente a qualidade de vida de outros lugares. Mas a falta da família, das pessoas mais próximas à você, isso NÃO PASSA NUNCA! Frases como “ninguém é insubstituível”, perdem totalmente o valor. Hoje, em minha vida, algumas pessoas são totalmente insubstituíves. TOTALMENTE.

E quer saber? Mesmo que você não esteja longe, não vá se mudar, mas de alguma forma está distante da sua família, mude isso JÁ! Você não está lendo esse texto por um acaso… Aproveite. A gente nunca sabe o que a vida nos reserva. Perdoe, ame, abrace, ajude, releve, fique perto… O que pode importar mais do que as pessoas que a gente ama?

Faça as contas, por favor. As minhas estavam furadas. Não me preparei para isso. Não estou preparada para estar longe num momento como esse. Se não podemos estar perto na hora da enfermidade, prá que raios servem as famílias? Para os Natais? Para os aniversários? Sabe? Ele até pode não ser o melhor pai do mundo, sei disso, mas ele é o MEU PAI! Basta.

Não Aprendi Dizer ADEUS!

Uma das coisas mais chatas e dolorosas por aqui, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, é a constante participação em festas de despedida! Como estamos longe de casa, a maioria dos amigos que temos são pessoas que também estão longe de casa. Isso nos torna mais íntimos, mais próximos, compartilhando dores semelhantes, dúvidas semelhantes, dificuldades semelhantes, enfim, VIDAS SEMELHANTES! E como não poderia deixar de ser, nem todos estão aqui prá ficar de vez! Na realidade, a grande maioria veio para estudar, ou trabalhar em algum projeto, ou veio e decidiu voltar, por razões pessoais.

Isso torna tudo mais difícil, levando-se em consideração que morar fora nos torna mais sensíveis, mais quebrantados, trazendo às nossas amizades por aqui um significado muito mais forte! Logo que chegamos, bem no primeiro dia de Austrália, conhecemos pessoas de monte. Nem todos se tornaram nossos amigos de verdade, mas os que se tornaram, marcaram nossas vidas. E como tinha de ser, nem todos estavam aqui prá ficar…

Então, desde que chegamos, comecei a computar a dor de dizer adeus à pessoas que começavam a fazer parte dos nossos dias, das nossas vidas. Veja bem, você pode pensar: “Mas vocês estão fora há apenas 2 anos e alguns meses e já conseguiram fazer amigos que, ao partirem, provocam tanta dor?” Sim, a resposta é SIM! Quando compartilhamos sonhos, dores, frustrações, medos, dúvidas, quando precisamos de ajuda até mesmo prá comprar comida, porque você não conhece praticamente NADA, as relações tomam rumos muito mais profundos, os laços se aprofundam muito mais rapidamente do que em relações normais.

Nossa primeira despedida aconteceu logo na segunda semana de Austrália! Calma, não fizemos amigos com essa rapidez! Na verdade, quando viemos prá cá, já tínhamos bons amigos morando em Melbourne. Um grande amigo do meu marido, com quem ele morou e estudou no período da Faculdade, já estava morando aqui com a esposa e filho (Maurício, Eveline e Oliver). Por isso viemos com segurança, acreditando que as coisas seriam mais fáceis com eles aqui. Mas, advinhem? Ele foi transferido para outro Estado, no mesmo mês em que chegamos! Agora moram em Brisbane!

Logo na segunda semana, lá estávamos nós no Aeroporto de novo!

Depois de um tempo, lá vamos nós nos despedir de Raquel e Ricardo, que voltavam ao Brasil! Amigos queridos que passaram nosso primeiro Natal aqui com a gente!

Despedida no restaurante mexicano "Amigos"! Nome propício, não?

E por incrível ( e triste!) que possa parecer, uma semana depois lá se vão prá Suíça, de mudança, Cadú e Juliana, “grávidos” do pequeno Mark!

Casal querido que nos ajudou muito a RECOMEÇAR por aqui!

A próxima despedida aconteceu quando finalizei meu curso de Inglês. Você passa 5 horas por dia, 5 dias na semana, vendo as mesmas pessoas que compartilham de sua “homesick”, de suas lágrimas de saudades, da falta de sua vida anterior… Mais laços por afinidades, claro!

Senti muita falta dessa galera que me fazia rir MUITO!

Na próxima despedida, pensei que não daria conta! Marcus e Andréa, nossos amigos mais chegados, foram transferidos pros EUA! Estávamos então sem Cadú, Juliana, Marcus e Andréa, aqueles que nos deram a maior força desde que chegamos! Gente, doeu, viu?!

Eu só pensava uma coisa nesse dia: quero ir embora também!

Pensam que acabou? Antes tivesse acabado! Logo depois Patrícia, Cláudio e Laurinha terminavam seus planos por aqui! Lá vamos nós ao Aeroporto ( de novo!) chorar e dizer adeus para outros amigos do coração! Mas na despedida deles, conhecemos os casais Maurício e Natasha/ Rosana e Nixon , que agregaram à nossa turma e se tornaram MUITO queridos para todos nós! Obrigada, Pati! Você foi, mas dividiu pessoas maravilhosas conosco!

Da esquerda para a direita: Natasha, eu, Pati e Angela!

 Logo em seguida, uma das “Powerpuff Girls” deixou nossa turma de “Meninas Super Poderosas” do café da manhã! Nossas manhãs de sexta NUNCA MAIS  foram as mesmas sem ela… Sentimos falta dela toda vez que nos reunimos!

Sinto muita falta dessa família tão querida!

Recentemente, nos despedimos de outra família querida: Juliana, Daniel e Júlia linda! Também terminaram seu tempo aqui e voltaram para a Bahia!

Temos certeza de que um dia vamos nos reencontrar no Brasil, queridos!

E hoje, exatamente, estamos nos despedindo do Eugênio, Adriana, João Pedro e Luís Felipe! Somos conterrâneos dessa família querida (guaratinguetaenses, com orgulho!) e nos encontramos aqui em Melbourne depois de anos e anos sem nos vermos! Os filhos deles foram os primeiros amigos do meu filho por aqui e me lembro da alegria que senti ao ver meu filho sorrir e se divertir pela primeira vez, quando fomos visitá-los logo que chegamos!  Obrigada, queridos, pela amizade, pelo carinho, pela ajuda e companhia. Jamais nos esqueceremos de tudo que vivemos juntos por aqui!

Famílias Amigas!

Sei que esse post ficou enorme, como o vazio que fica no coração da gente quando temos que nos despedir de pessoas que amamos! Mas termino deixando um caloroso “ATÉ BREVE” à todos vocês que conquistaram um lugar especial em nosso coração!

 

Férias (?!) No Brasil!!!

Como contei prá todo mundo, há dois posts atrás, depois de 2 anos no meu “exílio” aussie, fui para o País das Maravilhas (leia-se BRASIL!), imaginando férias e momentos de descanso! Hahahahahahahaha! Desculpe pela gargalhada internáutica, mas ela saiu de verdade enquanto eu escrevia aqui em casa! A única coisa que não tive no Brasil durante meu mês “de férias” foi justamente… FÉRIAS!

Não sei se nosso conceito de férias é parecido, mas quero te ajudar a caminhar no meu raciocínio… Segundo o dicionário, a palavra férias significa: “s.f.pl. Época de repouso. O corpo humano não pode atuar com toda sua potencialidade sem períodos freqüentes de repouso. Há muito os médicos reconheceram que várias doenças do corpo e do sistema nervoso podem ser curadas apenas com a ausência da atividade normal e cotidiana. A mudança da rotina cotidiana que ajuda a restaurar o corpo, a mente e a disposição das pessoas chama-se férias.”

Bem, não repousei, não tive restauração no corpo, nem disposição, mas fiquei MUITO cansada! O que vivi nos dias em que estive no Brasil foi uma verdadeira correria, passando por 5 cidades diferentes, visitando parentes, família, amigos, num ritmo alucinado, sem dormir bem por causa do fuso horário e a mudança constante de camas e afins! Você pode me achar uma chata, rabugenta, fresca, o que seja, mas o pique foi dureza! Minha família mora em uma cidade, a família do meu marido em outra, e a gente morava há mais de 10 anos em uma terceira cidade, onde estão nossos amigos e Igreja! Impossível reunir todo mundo num só lugar e ao mesmo tempo! Então, fui passando de lugar à lugar, de cidade em cidade, até visitar todo mundo! Bem cansativo!

E o que mais  senti falta, de verdade, foi de passear pelos meus locais preferidos, gastar tempo descansando, bater papo furado sem me preocupar com a hora, ou a próxima visita, andar na praia, relaxar, fazer nada!!! Algo tipo… Férias??? Hahahahahaha! É fato que fui à Campos do Jordão por UM dia e no meu Shopping preferido em Campinas, também por UM dia, e consegui caminhar na praia em Caraguá apenas UMA tarde, mas fora esses momentos, os demais dias passei cumprindo agenda! Ah! E tive uma tarde corrida ( mas deliciosa!) em São Paulo, antes de embarcar! Foi muito bom ver todo mundo, matar as saudades das pessoas que a gente ama, mas na próxima quero mais tempo (e dinheiro!) prá descansar um pouco, prá dar uma fugida de uns 3 dias, intercalando as visitas, almoços e jantares com as pessoas, com tempos de descanso, de FÉRIAS efetivas…

As pessoas ficam muito felizes com a chegada da gente, mas confesso que em alguns momentos me senti um pouco “sufocada”, um tantinho cobrada, por coisas do tipo: “mas vai ficar só isso aqui?”, “vai jantar na minha casa apenas uma vez?“, ” vai me dar apenas esse tempo de sua viagem?” “foi legal ver você, mas foi tão rápido!” As pessoas não param prá pensar que você é UMA, enquanto elas são várias! Poucas foram as pessoas que realmente consideraram a minha vinda um presente, um privilégio, um momento único… Poucas pessoas aproveitaram o tempo ao meu lado, ESTANDO comigo, apenas pelo fato de aproveitarem minha presença… Gastei mais tempo me desculpando, me explicando, dando satisfações do meu itinerário, do que  AMANDO as pessoas! Isso não foi bom… Na próxima, quero fazer diferente.  Ainda não sei como, mas vou descobrir um jeito!

Caminhada na Avenida da praia em Caraguá!
Visitinha corrida à Campos do Jordão!
Meu Shopping preferido - Campinas, SP!
Minha tarde deliciosa em São Paulo! QUERO MAIS!