Pequena Lista De Grandes Ajudas

Definitivamente, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam, por email ou pessoalmente, quando falamos sobre o processo de adaptação fora do país da gente, é como fazer para tornar o começo mais fácil, menos doloroso ou, pelo menos, mais suportável. Enquanto respondo, várias pequenas coisinhas importantes vêm à minha mente. Sempre sugiro algumas delas, para vários tipos de pessoas diferentes. Hoje, quando fui pra cama, tinha acabado de responder à um email com o mesmo tipo de dúvida e ansiedade. Então pensei: uma hora vou ter que organizar uma lista sobre o assunto… (Apenas a título de curiosidade, eu ADORO uma lista!) Resultado? Fiquei rolando na cama, com a cabeça fervendo de palavras! Cá estou eu, às 2:50 da manhã, organizando uma lista de atitudes que podem garantir um pequeno refrigério na vida daqueles que, num belo dia (ou fatídico, depende do ponto de vista!), decidiram migrar pra outro canto do mundo.

Se um dia você bateu com a cabeça e decidiu mudar de vida, largar tudo e recomeçar em um novo lugar, talvez tenha também várias dicas. Essas que compilei hoje, em minha fracassada tentativa de sono, refletem bem a minha experiência pessoal, coisas que fui aprendendo com a minha própria vivência por aqui. Olhando hoje para trás, me assombro um pouco com essa coisa doida de juntar as poucas tralhas da gente e sair pelo mundo, tentando uma vida nova. Só pode ser coisa de gente estranha, não tem outra explicação! Perdoem-me todos os companheiros imigrantes, espalhados por esse mundão afora; mas NORMAL a gente não é… Não pode ser! De qualquer forma, anormal ou não, depois de consumado o fato, a gente tem mesmo é que tentar fazer do período de adaptação o melhor que a gente puder. O que tenho visto que ajuda? O seguinte:

APRENDER A LÍNGUA LOCAL: na boa, não tem nada que deixe a gente mais a vontade, do que falar o idioma do lugar que você escolheu pra viver. É difícil a gente ter a sensação de “pertencer”, se não consegue se comunicar, não é? Todo o esforço nesse sentido, só vai trazer benefícios. Se você tiver planos de construir ou continuar uma carreira, então, aí se torna IM-PRES-CIN-DÍ-VEL!

FAZER NOVAS AMIZADES: nem vem com esse papo de timidez, de que “eu não sou uma pessoa muito sociável”, porque aí vai ficar complicado. Sem amigos, fica impossível! Eles se tornam a família da gente longe de casa, embora isso não pareça algo muito simples. Primeiro: é impossível querer comparar seus amigos que ficaram lá no Brasil, que conviviam com você desde o Jardim da Infância, ou foram criados na mesma rua jogando bola, ou trabalharam com você durante toda a sua vida… A gente leva tempo para construir relacionamentos verdadeiros e na base da confiança; não foi assim ao longo de toda a sua vida? Será assim também no novo país; tenha paciência. Segundo: não é porque o cara é brasileiro que vai se tornar seu “BFF” (Best Friend Forever) da noite para o dia! Brasileiro no exterior tem essa mania: encontra um conterrâneo e já acha que encontrou uma “alma gêmea”!  Com o tempo, você vai percebendo que é fundamental ser amigo de gente que tem a ver com você e te acrescenta, te faz bem. E vice-versa. De qualquer forma, passar o período de adaptação sozinho só vai tornar as coisas mais duras pra você.

EXPLORAR O LOCAL: se você for como eu, vai amar descobrir cada cantinho legal do seu novo lugar. Gaste tempo andando, conhecendo, passeando, explorando, experimentando… Em breve, terá novos lugares prediletos, comidas preferidas e chegará até mesmo a se questionar como pôde viver tanto tempo sem ter experimentado certas coisas incríveis, que agora fazem parte de sua rotina. Comigo funciona até hoje: bateu deprê, muita saudade, acordei com vontade de chorar? É dia de TURISMO!!! Com direito a câmera fotográfica!!! Olha, super ajuda!

CULTIVAR  SEU HOBBY: especialmente para quem veio de uma rotina frenética no Brasil, como eu, sem tempo pra quase nada, chegar aqui foi um (bom) susto! Até me acostumar com uma vida BEM mais calma, tranquila e sem tantos compromissos, levou tempo. E como é bom você enfim ter momentos só seus, para fazer o que realmente te dá prazer! É isso. A palavra é PRAZER. Busque fazer coisas que trazem alegria interior, que colocam um sorriso por dia no seu rosto… Muda tudo!

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS: não é segredo pra ninguém que a prática constante de exercícios libera uma substância natural chamada endorfina, que regula a emoção e traz sensação de bem estar. Nem todo mundo é fã disso, eu sei, mas é importante que você descubra algo que gosta de fazer e vá fundo! Os efeitos são incríveis!

CONHECER-SE MAIS: querendo ou não, buscando ou não, a experiência de mudar-se pra longe vai revelar coisas sobre você, seus sentimentos, seus valores, seus hábitos, suas posturas na vida, sua essência… Tudo fica muito à flor da pele; as coisas tomam proporções desenfreadas, muitas vezes… Esteja pronto para surpreender-se consigo mesmo! E para o próximo item da lista:

RESPEITAR-SE: com a melhora do auto-conhecimento, a gente passa a valorizar muito mais a si mesmo. É importante CONHECER e RESPEITAR seus limites. Vai ter dia que você vai querer sumir do mundo; outros, em que vai se arrepender profundamente de ter migrado! Haverá dia que você vai se perguntar mil vezes: que raios eu estou fazendo aqui??? E vai ter dia de bode, que vai querer curtir a saudade, ficar no seu canto até a coisa passar… Vá lá, permita-se! Mas não se demore muito lá, porque deprê também vicia.

MANTER CONTATO COM GENTE IMPORTANTE PRA VOCÊ: ô ponto delicado, esse! Quando a gente muda pro exterior, parece até que vira celebridade. Um batalhão de gente te adiciona no Facebook, Orkut, Google+, Twitter, e tudo quanto é raio de rede social. Sua vida parece que passa a ser mais interessante pros outros. E até gente que parece amar mais você do que antes. É, acontece… E quer saber? O tempo e a distância são excelentes formas de aperfeiçoamento de relações: o que é verdadeiro, até se estreita; o que não é, vai se tornando névoa, até você um dia perceber que está passando muito bem sem aquela pessoa, obrigada!!! Mas tem um tipo de gente, que você pode rodar o mundo, ver coisas fascinantes, viver experiências incríveis, que ainda vai te fazer tanta falta, que em alguns dias, você mal vai conseguir respirar pela ausência delas! Com essas pessoas, faça o que for pra manter contato: você não vive MESMO sem elas!

E por fim, o mais importante:

CULTIVAR UM RELACIONAMENTO COM DEUS: ainda que você não seja uma pessoa “espiritualizada”, ou não se considere um cara “de fé”, em vários momentos você vai perceber que PRECISA crer em algo muito maior. Quando alguém que você ama adoece, por exemplo. Quando alguém morre e você estava longe sem poder dizer o que deveria ser dito. Ou quando você adoece e se sente sozinho, sem as pessoas que mais ama por perto… Enfim, existem momentos que somente a fé mantém a gente em pé. Especialmente longe de casa, das pessoas de sempre e da nossa zona de conforto. Manter a fé operante num momento de tantas mudanças só contribui positivamente, é sério. Sem a minha fé, eu já teria chutado tudo isso aqui pra cima, logo no começo. Obrigada Deus, por ter me ajudado até aqui!

Nossa gente, o post ficou enorme! Desculpe-me. E lá se foi uma noite de sono. Porém, se eu conseguir ajudar alguém com a minha experiência, já terá valido muito a pena… Ufa! Agora posso dormir. As palavras por fim ocuparam seu lugar e minha mente ficou em silêncio…

fugindo de casa

Depósito No Banco Emocional

Certa vez li em um livro (agora não me lembro qual foi), que relacionamentos são construídos e alimentados como num “Banco” emocional. Para utilizar os serviços de um Banco, você precisa primeiro abrir uma conta, depositar dinheiro lá, para só então poder sacar, investir, emprestar ou fazer todas as outras transações bancárias. A nossa vida emocional funciona de maneira muito semelhante: é preciso primeiro investir, depositar, cuidar, construir, para que se possa fazer um bom uso da “conta corrente”. Você deve estar se perguntando do que estou tentando falar, afinal… É que essa semana estive pensando em alguns relacionamentos construídos ao longo da minha vida e estava fazendo o link com o assunto abordado no tal livro. Meu maior depósito emocional atualmente são as palavras de minha mãe.

Não é mistério para ninguém que o apoio emocional da família, ou daqueles que a gente ama, é FUNDAMENTAL em qualquer tipo de mudança na vida. Somos seres que precisam de apoio, incentivo, acordo. Especialmente, quando o assunto é MUDAR DE PAÍS… O apoio da família, amigos, pessoas importantes pra gente, acaba fazendo toda a diferença. É claro que se trata de uma questão muito paradoxa, porque aqueles que amam a gente, querem nos ter por perto. Fato. Mas quem ama mesmo, acima de tudo, deseja ver a gente bem, feliz, vivendo o melhor de Deus para as nossas vidas. Sem querer parecer piegas, ou abusar de jargões românticos, o amor verdadeiro não é egoísta, nem egocêntrico.

Dia desses, falando com a minha mãe querida ao telefone, fui percebendo o quanto o apoio dela tem sido fundamental em minha adaptação por aqui. Bem, minha mãe é uma mulher simples, que muito cedo parou de estudar, para trabalhar e ajudar no sustento de sua família, em virtude da morte do meu avô. Seu maior sonho era ser Professora, mas ela não conseguiu realizá-lo. A vida, os problemas, as dificuldades, acabaram por impedir minha mãe de se formar e adquirir uma formação secular, mas nunca foram empecilhos para que ela se tornasse uma mulher de muita sabedoria. Em sua simplicidade, posso afirmar que ela é a mulher mais forte, guerreira e determinada que eu conheço e, ao mesmo tempo, de uma doçura ímpar. Não existem traços de amargura, rebeldia ou insatisfação em seu caráter. Com os limões que a vida traz, ela sempre encontra um jeitinho de fazer limonada, extraindo o melhor de absolutamente TUDO! Tem o coração mais grato que eu já conheci…

Em nossa última conversa, depois de uma hora e meia batendo papo, sobre os mais diversos assuntos, ela começou a dizer o quanto eu devo ser grata pela experiência de viver na Austrália. Lembrou-me de quando meu marido, ainda adolescente, saiu de casa para estudar em outra cidade, do quanto ele estudou, batalhou, fez estágio, Inglês, até chegar à essa oportunidade que a vida reservou para nós. E começou a dizer o quanto ela se sente feliz pela gente, pelos netos que têm tido a chance de receber uma formação aqui, por saber que temos qualidade de vida, segurança, enfim, pela nossa realidade de vida aqui em Melbourne… Inevitavelmente, comecei a me analisar, ouvindo ela falar com tanto entusiasmo, me questionando se eu mesma tenho tido essa clareza e frescor de pensamento, com relação a essa nossa experiência de vida. E ela me dizia para tirar disso tudo o máximo de coisas boas que eu conseguir… E terminou dizendo que ela sente muita falta da gente, mas quando ela pensa em como isso tudo é bom para nós todos, o coração dela fica cheio de alegria! Uma incentivadora nata, essa minha mãe…

Essa motivação, que brota das palavras dela, me contagia sempre e, quando desligo, estou com o coração cheio de coragem, para enfrentar os desafios de viver longe, de ser estrangeiro numa outra terra, de vencer os obstáculos que a gente enfrenta a cada momento, longe “de casa”… Sinto como se tivesse feito a escolha “certa”. Sei que nem todas as famílias, nem todas as mães, conseguem pensar ou falar do mesmo modo, por isso decidi compartilhar a “fofurice” da minha própria mãe com todos vocês que leêm o meu Blog.

Ao terminar essa nossa última conversa, eu estava chorando, porque me bateu uma saudade arrebatadora dentro do peito, uma vontade incontrolável de abraçar a minha mãe bem forte. Vontade de sugar cada palavrinha dela e guardar bem amarradinho no fundo do meu coração, para nunca esquecer do que ela me diz… Então, ela começou a dizer: “Não chora minha filha, vai ficar tudo bem!” E perguntou porque eu estava chorando tanto. Disse que era saudade, pura e simples. E ela então me respondeu: “Saudade é uma coisa boa, sabia? Porque quando a gente sente a saudade é porque a pessoa foi pra longe da gente e mesmo assim o sentimento nunca muda. A gente descobre que, mesmo longe, continua amando do mesmo jeito. Isso não é uma coisa boa? Eu te amo do mesmo jeito, todo dia.”

E eu, aqui do meu lado do mundo, fechei os olhos e agradeci de coração a Deus, pela minha vida, pela oportunidade de estarmos aqui, por aprender mais sobre a saudade, e acima de tudo, pela vida da minha mãe. Sem sombra de dúvida, não existe NENHUMA outra pessoa no mundo inteiro, de quem eu gostaria de ter vindo. Tenho orgulho de ser filha dela. Tenho orgulho de ser quem eu sou, porque sou assim por ser filha dela. Se no final da minha vida, eu conseguir me tornar, um pouquinho que seja, parecida com ela, terá valido a pena!  E agradeço pelo incentivo que ela me dá, pelas suas atitudes e palavras doces, nunca permitindo que eu me sinta culpada ou egoísta por estar vivendo tão longe. E, como ela mesma já me disse tantas vezes, “se eu te amo, eu quero sempre o melhor para você, mesmo que o seu melhor seja aí na Austrália.”

Minha mãezinha linda e eu!
Minha mãezinha linda e eu!

“O Caminho Só Existe Quando Você Passa”

Estávamos num restaurante, no almoço de Ano Novo entre amigos, quando uma amiga muito querida veio com a boa do dia: “Olha só, a gente tem que falar qual foi a melhor coisa que aconteceu no Ano que passou e os nossos planos para o Ano que chegou!” Ainda bem que não fui a primeira a responder, porque tive tempo de pensar um pouco… E eu não tive dúvida! Nenhuma. A melhor coisa que me aconteceu em 2011 foi ter aberto o meu coração (e os meus olhos) para viver na Austrália. No Ano que passou, decidi de uma vez por todas que o passado tinha ficado para trás. Descobri que Deus mesmo tinha me trazido para cá e que isso tudo fazia parte de um plano maior. Em 2011, finalmente soltei as amarras que me impediam de ver, de sentir, de viver, de amar, de me doar de coração para este lugar e todas as novas experiências que a vida aqui me trouxe.

Sou uma pessoa de 100 por cento. Tenho que estar envolvida CEM POR CENTO em tudo que faço. Odeio meio termo. De todo o meu coração. Detesto segundo plano, plano B, segundo lugar… Eu sou assim. Se eu me envolvo, quero estar totalmente envolvida. É uma coisa meio passional mesmo. Quando eu acredito em algo, abraço uma causa, eu vou até o fim! Mas quando desacredito, fico em cima do muro, tenho a sensação de estar engessada! Nada flui… E mesmo amando esse lugar, a qualidade de vida, a beleza, a facilidade do dia-a-dia australiano, esse povo e tudo que tem a ver com essa terra maravilhosa, eu não estava 100%! Meu coração era sempre dividido. Confuso. Bagunçado. Incerto. E então, na Convenção de Mulheres da Planetshakers (Beautiful Woman 2011), logo na primeira noite, o recado veio do alto e veio em claro e bom som: “DON’T LOOK BACK! LET IT GO!”

Ufa! Foi como se eu tivesse tirado um peso-de-não-sei-quantas-toneladas das minhas costas! E finalmente, eu decidi não olhar mais para trás, deixar tudo onde deveria ter ficado desde o início! Naquela noite, eu abri meu coração para Deus e pedi que Ele realmente me abrisse os olhos e me deixasse ver… E eu vi! Vi de verdade, de coração aberto, aquilo que me parecia tão impossível! Coloquei o meu passado, a nossa vida no Brasil, as coisas que eram e não são mais, nos seus devidos lugares… E me atrevi a olhar pra frente! Me atrevi a fazer uma análise de tudo que vivemos aqui, de todas as coisas maravilhosas, das bênçãos incontáveis que temos recebido, morando nesse lugar; e finalmente eu compreendi: é algo DENTRO da gente! A Austrália não mudou, a minha vida não mudou, a minha família não mudou, a minha realidade muito menos; EU MUDEI, naquele instante!

Desde então, estou curtindo esse lugar COMO NUNCA! Até as coisas que me irritavam tanto, como o mau (não tão bom!) atendimento nos restaurantes, ou em lojas e afins, perderam o poder de me tirar do sério… Hoje, as coisas são como são, porque são… Entendi lá dentro o significado de vida dos australianos, “NO WORRIES”! Tá tudo bem! De fato, está tudo muito bem! Não há nada com que se preocupar… E a minha ficha caiu de um jeito, que percebi como fui injusta com Deus, com a minha família e até com alguns amigos, que tentavam me animar, exaltando as qualidades da vida em Down Under. Só posso perdir perdão, a todos eles! E dizer que realmente, o problema estava aqui dentro, bem no fundo de mim…

Se você mora fora, está para sair do Brasil, ou passando por qualquer tipo de mudança radical em sua vida, posso afirmar sem medo: procure DENTRO de você, porque está lá! É uma mudança de paradigma, um simples jeito diferente de olhar ou de pensar, uma pequena permissão dentro do coração, para que as coisas tomem outra forma e seus olhos se abram… Eu me deixei abrir. Deixei meus olhos serem abertos. E não me arrependo. Antes tarde, do que mais tarde. Ou nunca! A saudade não mudou, as pessoas que eu sempre amei continuam sendo amadas, continuam importantes para mim, exatamente da mesma maneira. AS PESSOAS que eu deixei no Brasil ainda me roubam algumas noites de sono, ainda me fazem derrubar algumas lágrimas, ainda me permitem sonhar acordada, mas elas não me merecem tão amarga. Se são dignas do meu amor, são dignas de uma Carol mais leve, mais sorridente, mais otimista com relação ao futuro, mais “feliz”, quem sabe???

E, para aqueles que acompanham o Blog, fazendo planos para a tão sonhada imigração, mais do que nunca eu digo: “Keep going”! Nunca desistam de seus sonhos! Valorizem cada momento, desde o planejamento, a vinda, o tempo por aqui, ou em qualquer lugar desse mundo! A vida é uma só. E é curta! Encontre o seu caminho. Ele de fato, só existe, quando a gente passa…

Feliz Ano Novo pra todo mundo, daqui de Melbourne, essa minha cidade LINDA!

O Fim De Uma Longa Espera

Enfim, chegou. Idealizei esse dia por longos 3 anos. Esperei por ele muitas e muitas vezes. Chorei ansiando que ele chegasse logo, por incontáveis vezes. Rodeei essa data de muitas expectativas. Cheguei a contar o tempo inúmeras vezes, fazendo as contas de quanto ainda teria que percorrer… Quando viemos para a Austrália, era esse o montante de tempo: 3 anos. Três LONGOS anos. Exatos 1.095 dias. Vinte e seis mil, duzentas e oitenta horas. Parecia impossível, quase insuportável. O contrato de trabalho do meu marido era a nossa referência de tempo. Pensava comigo, às vezes até em voz alta, que exatamente no dia do término do contrato, eu estaria de malas prontas na porta e passaporte na mão.

Um casal de amigos muito querido, daqueles mais chegados que irmãos, me presenteou com uma graça de relógio, na ocasião da nossa partida. Além de ser bonito, o tal presente veio carregado de simbologia: era para que eu contasse o tempo até o nosso momento de voltarmos para o Brasil! E eu contei… Nossa, como eu contei! Sou daquele tipo de pessoa para quem os cartões de fidelidade foram inventados. Gosto sempre dos mesmos lugares. Dos mesmos restaurantes, das mesmas comidas. Gosto de viajar sempre para meus os lugares prediletos. Tenho marcas preferidas para tudo que se pode imaginar nessa vida. Gosto dos mesmos amigos. Uns poucos, mas fiéis. Experimentar não é, definitivamente, uma das minhas palavras descritivas. Até hoje, quando eu penso em tudo que envolve uma mudança de país, me pego pensando, admirada: Deus do céu, como eu fui capaz de fazer isso?

É, eu fui… Talvez até porque eu tivesse essa data em mente, a tal que finalizaria meu “martírio” longe de tudo que realmente tinha importância para mim. Dentro do meu coração, estava sempre me prometendo: eu vou, mas eu volto! Logo que cheguei aqui, inconscientemente, eu vivia me esforçando para estragar tudo. Era um esforço DELIBERADO para não gostar de nada. Lembro-de de inúmeras situações em que fui extremamente insuportável, quando as pessoas me falavam bem de algo por aqui e eu respondia com toda a “singeleza”de um rinoceronte, que eu não precisava de nada novo, que eu estava satisfeita com tudo que sempre tive e conheci. Não precisava de uma língua nova, a minha estava excelente para o meu domínio. Não estava interessada numa cultura nova, já que eu tinha a minha própria. Não estava aberta para uma nova Igreja, porque a “minha” no Brasil seria a minha para sempre. Imagine uma pessoa estraga-prazeres. Multiplique por mil. Eu ganharia dela, de longe!

E lá no íntimo, eu pensava que seria melhor mesmo não me envolver com nada, porque eu iria embora assim que nosso contrato terminasse. E passaria a chave na porta, feliz da minha vida; daria um grande viva e sairia saltitante feito uma gazela enlouquecida, rumo ao Aeroporto. Nossa! Só de pensar eu vibrava! Puxa, quanto tempo ainda falta mesmo para esse dia chegar??? Absolutamente, nem um segundo! E não há malas, bilhetes de viagem, caixas de mudança, ou sequer um passaporte válido, já que o meu está vencido! E o que eu acho ainda melhor: não há mais uma data a esperar! Não há mais planos de ir embora. Não se conta mais o tempo nessa casa!

Conquistei após esses anos, aquela sensação agradável de gostar de onde se está, de gostar de viver como se está vivendo… Aprendi a amar Melbourne como minha, a me liberar (e liberar meu coração) para amar tanto a Austrália como o Brasil; a entender que a minha vida lá era boa, sim, mas aqui no momento é melhor! Levei muito tempo lutando dentro de mim para admitir isso, mas hoje se eu tivesse mesmo que voltar, estaria muito triste. Eu QUERO ficar. Eu QUERO viver aqui. Tenho planos para o futuro, AQUI. Sei que muitos que me conhecem, lerão isso com espanto, exceto minha melhor amiga, que sempre me diz estar se preparando para uma decisão minha de permanecer aqui para sempre. “PARA SEMPRE” é muito tempo, mas pela primeira vez, ao comemorar um aniversário de mudança pra cá, e pensar sobre isso, tenho alegria em meu coração ao afirmar SEM MEDO: eu QUERO ficar aqui!

Sei que Deus é quem dirige meus passos, minha vida e a vida da minha família, mas se Ele me permitir, por enquanto, é aqui o lugar onde eu quero estar. Desejo manter meu coração  sempre aberto e receptivo às mudanças que a vida me trouxer, mas por hora, se me for dado o direito de escolha, Melbourne é o lugar onde quero continuar escrevendo a minha história… Mais do que NUNCA, posso dizer ao terminar esse post: FELIZ ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS PARA A NOSSA FAMÍLIA! E aos nossos amigos amados, que me presentearam com o relógio, posso garantir que vou usá-lo, ainda contando o tempo… Sempre contando o tempo até as nossas próximas férias no Brasil!

Nada Na Vida É Para Sempre…

Pode até parecer fatalista. E é. Mas a verdade é que as coisas sempre são passageiras; as situações mudam constantemente, num simples piscar de olhos. E eu precisei mudar de rotina, de país e de vida, para entender plenamente essa verdade. Confesso, sem falsa modéstia e nem sombra de hipocrisia, que estou muito orgulhosa de mim mesma. Por anos à fio, tive a sensação de que eu era extremamente madura, absolutamente sábia e experiente, por muitas coisas que tive que superar nessa vida, mas hoje vejo aquela petulância inerente às pessoas jovens, que acreditam SABER TUDO! Não consigo evitar uma boa risada ao pensar nisso…

A vida me surpreendeu. Esses quase 3 anos de vivência no exterior me amadureceram mais do que todos os outros vividos na minha então zona de conforto. Posso afirmar que tenho sido transformada. E gosto de quem estou me tornando. Gosto do que a vida tem feito em mim. Fato. Mas essa semana tenho experimentado algo muito novo, que tem trazido um grande alento ao meu coração… Mais uma vez, grandes amigos estão indo embora. Pessoas com as quais a gente se envolveu, compartilhou, amou, chorou, riu, dividiu, somou, e agora somos obrigados à subtrair! Já falei aqui mais de uma vez, que uma das piores coisas para mim é essa eterna sensação de que, em breve, vamos nos despedir de mais alguém. Nem todo mundo veio para ficar. A maioria tem um tempo determinado, com planos de volta ao Brasil ou seu país de origem.

Quando recebi a notícia da data de embarque deles (fui a primeiríssima a saber), meu coração acelerou. Imediatamente entrei no meu processo de estimação de reclamação mental, de “coitadismo” interior, pensando que eu não precisava passar por isso, DE NOVO! Há 3 anos vivo essa coisa de me despedir, constantemente… E olha, se eu tivesse uma caixa de bombons por perto, teria me afundado nela, iniciando (com consciência!) um processo depressivo. Mas fiz o que eu tinha ao meu alcance, até porque estou de dieta: falei com Deus! E no meu processo de “terapia com o Todo-Poderoso”, comecei a enxergar algo diferente brotando em mim. Notei, lá fundo, um certo desejo de não me entregar, de não me deixar abater, mas de procurar responder à esse momento com amadurecimento, deixando a “menininha mimada” dentro de mim totalmente desconcertada!

Comecei a pensar no quanto eles estão felizes por voltar. E me alegrei junto. Comecei a pensar o quanto foi bom todo esse tempo que caminhamos juntos. E agradeci pela oportunidade de conhecê-los. Comecei a pensar em quantas vezes ainda terei que me despedir de pessoas que amo. E decidi aproveitar com alegria cada segundo que me for dado em companhia deles. Então eu entendi. Realmente estou mudando. Estou evoluindo. Como pessoa. O amadurecimento tão sonhado está batendo à minha porta. E a resposta a ele é de minha inteira responsabilidade. A escolha de ficar sofrendo e chorando, me lamentando e lambendo as minhas feridas, ou me sentindo uma coitada, é MINHA! Que libertador isso! E me levantei, decidida a ser autora da minha própria história. Decidida à usar tudo o que a vida tem me dado para construir a pessoa que quero efetivamente me tornar.

Aos nossos amigos que estão indo, só tenho à agradecer. Por absolutamente TUDO. Mas principalmente, porque sei que esse tempo juntos foi apenas o começo de uma história de amizade que vai durar, independente de distância. E porque, mesmo sem saber, eles ainda estão me ajudando a me conhecer mais, me respeitar mais e me ver, definitivamente, como a mulher forte que eu realmente estou me tornando… Obrigada, meus queridos! Eu amo vocês três. Mais do que nunca!

Nossa "família" aussie!

Hillsong Conference – Melbourne

Se eu pudesse fazer algumas adaptações nas sugestões do livro 1015 Coisas Para Ver e Fazer na Austrália, certamente eu iria incluir uma visitinha à Hillsong, em Sydney. Gente, eu falo sério! É muito impressionante ver uma multidão cantando, dançando e adorando à Deus com tanta paixão! Tive o privilégio de vê-los ministrando em Sydney por duas vezes: uma na Igreja mesmo e outra na gravação do álbum A Beautiful Exchange. Coisa para guardar no coração por toda a vida da gente…

Esse ano, em comemoração aos 25 anos da Hillsong Conference, eles estão viajando pelas principais cidades australianas (Melbourne, Perth, Adelaide e Brisbane), levando a Hillsong Conference na bagagem! E como não poderia deixar de ser, aproveitei a oportunidade para estar lá, elevando meu número de experiências “hillsonianas” para três, em menos de três anos morando por aqui! E que PRI-VI-LÉ-GIO têm sido esses momentos em minha vida! As palavras foram abençoadoras, o louvor de uma unção e qualidade musical inacreditáveis, mas o auge do evento foi mesmo a ministração da noite pelo UNITED!

Confesso que NUNCA vi em toda a minha vida um show ao vivo com tamanha qualidade! Eles têm se superado à cada ano nas letras, melodia, arranjos, solos, unção e capacidade de contagiar cada pessoa naquele estádio… É impossível não ser tocado, contagiado, envolvido, consolado e animado por Deus através daquelas músicas! Mais uma vez eu digo: se um dia você tiver a oportunidade de ver isso ao vivo, por favor, não a perca! Aqui ou em qualquer outro lugar do mundo, se a vida lhe surpreender com esse presente, aproveite, porque será um marco!

Se você está lendo meu Blog e não faz a mínima idéia do que estou falando, poderá conhecer um pouco mais através dos links abaixo:

Hillsong Church em Sydney, Australia.

Hillsong UNITED

Hillsong Conference – Melbourne

Canal do United no YouTube

 

Brasileiras na Hillsong Conference!

Ciclone Agora? O Que Está Acontecendo Com A Austrália?

Perguntas martelam em minha mente o tempo inteiro: por quê? Por que de novo? Por que tudo aqui na Austrália? Desde que cheguei nesse lugar, não paro de me surpreender com os acontecimentos naturais. Minha família e amigos não param de perguntar sobre os acontecimentos por aqui… Toda hora é um acidente diferente…

Desta vez, nem deu prá respirar. O país acaba de sofrer com as imagens e as histórias reais de devastação pelas inundações. De novo. Agora veio a devastação por um ciclone. De novo. São problemas cíclicos. Já aconteceram outras vezes. Há quem diga que o furo gigante da camada de ozônio fica bem em cima da Austrália.

Sei que a natureza está começando a “cobrar” os maus tratos, o desleixo e o total desprezo do ser humano. A hora já chegou em que o meio ambiente está dando suas respostas à poluição, ao uso desenfreado dos recursos naturais, ao consumismo absurdo e descontrolado, no mundo inteiro. Mas os australianos tentam ser  tão “ecologicamente corretos”, a natureza por aqui é tão valorizada, tão respeitada, que sinceramente me dá uma certa tristeza assistir à toda essa devastação…

O Ciclone Yasi, de categoria 5, foi comparado ao Katrina, em 2005, que devastou boa parte do Mississippi e Louisiana (New Orleans). Ele atingiu a costa aproximadamente à meia-noite, no litoral do Estado de Queensland, e então seguiu para dentro do continente, trazendo fortes chuvas às áreas de mineração que ainda se recuperam das recentes e devastadoras inundações.

Felizmente, ainda não há registros de vítimas, e a força do vento, que foi estimada por volta dos 300 km por hora, acabou se enfraquecendo, causando estragos menores do que o esperado. A Austrália conta com um sistema meteorológico impressionante, capaz de prever muitos acontecimentos desse tipo. As áreas de risco foram evacuadas à tempo, o que fez toda a diferença com relação à preservação da vida humana. Mais um ponto para se admirar e amar ainda mais esse lugar!

As fotos falam por si mesmas. Tenho pedido sempre através das minhas Redes Sociais que nos juntemos em oração pela Austrália. Agradeço à minha família e aos amigos que já se uniram à mim nessa empreitada na presença de Deus. Afinal, a gente acaba por amar o local que abre suas portas, sua cultura, sua vida e seu coração, para nos receber como se estivéssemos em casa…

Imagem por satélite do Ciclone Yasi
Devastação em Cardwell
Mission Beach
Ventos na Costa de Queensland
Mais uma vez, é tempo de reconstrução