Brasileiros Ao Redor De Uma Mesa

Numa mesa rodeada de amigos brasileiros e um chá da tarde maravilhoso, conversávamos ontem sobre nossa experiência de viver fora do Brasil, nossas lutas e adaptações, o processo doloroso e longo de, enfim, se redescobrir, se reinventar e se ver definitivamente inserido no lugar que escolhemos pra viver. Quando esse assunto vem à tona, inevitavelmente o meu Blog é citado como fator muito importante no meu processo de adaptação e meu período de depressão e saudade excessiva de casa, no começo da nossa jornada por aqui. Alguns desses amigos ao redor da mesa, não por coincidência, são pessoas que conheci através do Blog, dando dicas, sugestões, respondendo perguntas e construindo, lentamente, relacionamentos que hoje se tornaram parte da minha história de vida aqui na Austrália.

Comentamos inclusive, que há muito tempo eu estava sem escrever e sem responder comentários por aqui. Perdoem-me todos aqueles que estão na espera, até mesmo os que já desistiram; tenho estado bastante ocupada estudando e trabalhando! A vida de fato seguiu; as coisas realmente aconteceram, e hoje me encontro quase sem tempo pro meu amado turismo australiano e pra atualizar meu Blog queridinho. “Antes tarde do que MAIS tarde”, diria a sabedoria popular internáutica facebookiana! Hahaha!

O que conversamos ao redor daquela mesa, por horas, seria de uma riqueza imensurável a cada brasileiro que sonha um dia deixar nosso país e se aventurar em terras australianas… É tanta riqueza, são tantas experiências de vida, conquistas, a busca constante do “lugar ao sol”, muitas lágrimas derramadas ao longo do processo, muita saudade “de casa”! Comentei com o pessoal que certamente iria escrever hoje, inspirada pelo papo simples de imigrantes brasileiros numa tarde de sábado qualquer. Relembrei meu próprio processo, de dor, de saudade, de não falar Inglês, até de depressão nos primeiros anos. E é gratificante demais quando a gente olha para trás, relembra, revive e até re-visita alguns lugares escondidos dentro da nossa alma, e se surpreende com nosso próprio processo de superação pessoal.

Numa mesa cheia de imigrantes brasileiros, longe de casa, se fala de futebol, de Copa do Mundo, de política, de corrupção; se fala de comida (enquanto se come muito, sempre!), de carreira, de oportunidades, de saudade e de família. Mas acima de tudo, se fala apaixonadamente de esperança, de futuro, de afinidades e sentimentos ambíguos; se compartilha sonhos,  experiências, se fala de trabalho e de expectativas. Muitas vezes falamos de frustrações e decepções; muitas vezes choramos juntos e nos emocionamos com o processo do outro…

Pessoas tão diferentes, de várias partes do nosso país, que se encontram do outro lado do mundo e estreitam laços de amizade e muitas vezes até de família mesmo. Algumas delas, tão fascinantes e de personalidades tão encantadoras, me fazem silenciar e agradecer a oportunidade de estar ali. Momentos como esses só são possíveis, porque um dia, cada uma dessas pessoas ao redor daquela mesa, decidiu sair de sua zona de conforto e ir em busca de algo… O processo de imigração exerce sobre mim um fascínio tão grande, que faz tudo valer a pena; e a coisa mais gratificante desse processo todo, com certeza, são os imigrantes com quem a gente esbarra no caminho, tornando essa aventura cada vez mais fascinante. Gente diferente, com diferentes crenças, hábitos, idéias, profissões, mas com histórias de vida encantadoras… Por si só, isso já é um grande privilégio e de um crescimento pessoal indescritível.

“Uma mente uma vez expandida jamais retorna ao seu estado original”- Albert Einstein

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mudando o Brasil, mesmo de longe…

Oi gente! Depois de um loooongo período sem escrever, não poderia deixar passar em branco um momento como esse… Hoje, “White Monday” no Brasil, terça pra gente aqui na Austrália, também estaremos reunidos para apoiar o nosso país. A comunidade brasileira em Melbourne estará “tudo-junto-e-misturado”, demonstrando todo o nosso apoio e indignação com os acontecimentos atuais em nosso país. Não é porque a gente está longe que vai ficar omisso ou perder a chance de mostrar ao mundo que o país acordou e quer mudança JÁ!

Aproveito pra deixar claro aqui no MEU espaço, onde posso expressar abertamente a MINHA opinião, que sou contra qualquer tipo de violência. Radicalmente CONTRA. De qualquer parte. De ambas as partes, inclusive. Sou a favor da paz, sempre. Qualquer tipo de violência, mesmo por causas justas, perde meu apoio e simpatia, imediatamente. Sou da paz! Mas nem por isso vou me omitir em um momento como esse. Estarei lá levando meu amor, minha bandeira e meu desejo incontrolável de um Brasil melhor, mais justo, mais humano, mais decente… De paz!!!

Quero tudo isso. Quero um futuro pro Brasil… Quando a gente mora fora, consegue identificar exatamente o que deseja, por ver um modelo de país que funciona, que respeita, que dignifica, que honra. Viver na Austrália me mostrou o que eu sempre desejei pro meu país, pra minha família, para os meus amigos e pra minha vida. É POSSÍVEL!!! Existe, tem jeito. E ainda que as coisas por aqui não sejam um modelo de PERFEIÇÃO, pra quem veio de um modelo de país como o nosso, viver aqui chega muito perto disso.

De qualquer forma, hoje é dia de acreditar. De sonhar. De somar!

Estaremos todos lá, com o coração cheio de novas esperanças, de novos sonhos pro nosso país, de um orgulho que a gente tem perdido faz um tempo: O ORGULHO DE SER BRASILEIRO! Orgulho de não se calar, de não se omitir, de poder expressar aquilo que vai dentro do peito da gente: o sonho de ver um Brasil diferente, justo, com ORDEM e PROGRESSO.

#changebrazil #mudaBrasil #VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta

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Voltando Para Casa…

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas a todos os leitores do Blog, pela minha ausência tão longa. Estou em débito com um montão de gente, comentários, pedidos de ajuda… Vou responder um a um, garanto; apenas tenham paciência comigo! No final do ano que passou, eu andei meio ocupada com a vida em geral e ainda inclui nela uma viagem ao Brasil, de férias, para rever família, amigos e passar as festas de fim de ano, em dezembro/janeiro. Como a maioria dos brasileiros, cuja rotina de vida real começa apenas pós-Carnaval, aqui estou eu entrando de novo na minha rotina, muito ansiosa para escrever… Quem acompanha os meus escritos por aqui, sabe que gosto mesmo de compartilhar minhas sensações, sentimentos e conflitos mais intensos, que digam respeito à essa minha dramática e profunda relação Brasil-Austrália. Pois bem, essa foi a primeira vez que fui ao Brasil GOSTANDO de verdade de viver na Austrália.

Para quem não me conhece ou ainda não leu sobre a minha difícil adaptação aqui na Terra dos Cangurus, vale ressaltar que sofri bastante pra me acostumar, aceitar e até mesmo deixar crescer dentro de mim um sentimento de amor por esse lugar. E fico entusiasmada por poder compartilhar o que sinto, porque acredito que vai ajudar muita gente que passa pelos mesmos conflitos…Hoje, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa última viagem à Terrinha foi imprescindível para fechar definitivamente algumas lacunas em meu mundo interior. Fechei um ciclo muito doloroso, entre o desejo de voltar ao Brasil e o de permanecer vivendo aqui. Desde que me abri, de fato, para aceitar minha nova vida por aqui, tudo dentro de mim mudou. Estar no Brasil foi maravilhoso, especialmente em época de férias, Natal, Ano Novo, meu aniversário… É muito bom rever as pessoas, lugares, cheiros, gostos, emoções, sensações; mas também é doloroso ver que muitas coisas mudam, outras não mudam nada, pessoas mudam, atitudes também! Enfim, vivi de tudo um pouco nesse tempo que passei por lá.

Diferentemente da minha ida anterior, em 2010, não me senti tão a vontade quando estava por lá. Senti falta da Austrália, de verdade. Senti saudade da minha vida, dos meus amigos daqui. Pela primeira vez, me senti fora do meu “habitat natural”, estando nele… Pela primeira vez, me senti uma estranha várias vezes, em diversas situações. Pela primeira vez, me senti não fazendo parte de algo, de algum lugar ou situação. Inúmeras vezes me senti sozinha, esquisita, sobrando, até sonhando (literalmente) com Melbourne. Senti que estava meio fora “de lugar”… E que sensações estranhas foram aquelas! Me peguei diversas vezes surpreendida comigo mesma, com meus pensamentos e desejos. É incrível o quanto a gente muda. Graças a Deus por isso! Fico extasiada em observar a capacidade do ser humano em se auto-adaptar, se reinventar, reciclar, transformar-se! E eu me senti plena, VIVA, em constante mudança. Não que eu goste de grandes mudanças; longe de mim. Mas também não gosto de rotina, mais do mesmo, o de sempre…

A surpresa foi boa. O saldo foi positivo. Me senti confortável em minha própria pele. E sabe o quê? O melhor? EU GOSTEI! Em determinado momento, eu queria voltar. Pra Austrália. Bem, vou escrever de novo, porque isso ainda está soando estranho aos meus ouvidos emocionais: eu estava no Brasil e estava querendo VOLTAR! E então minha ficha caiu: finalmente, eu já sabia onde estava meu coração; já sabia onde é o lugar que meu interior reconhece agora como “LAR”. Senti paz. Como não sentia há alguns anos… E por fim, após quase 30 horas de vôo, quando botei meus pés em solo aussie novamente, aquela sensação incrível encheu meu peito de algo que nem sei descrever, e eu pude enfim dizer pra mim mesma: EU ESTOU EM CASA!!!

Voltando Ao (meu) Mundo Virtual

Olá leitores! Depois de “um longo e tenebroso inverno”, aqui estou eu de volta ao meu Blog! Sinto mesmo por ter sumido do mapa, mas estava terminando meu curso… Oficialmente DE FÉRIAS, tomei vergonha na cara e apareci para responder aos comentários, emails e afins! E vou me empenhar para estar presente em todo o meu período de descanso, porque tenho muita coisa para contar, dividir e comentar! Nunca tinha me acontecido antes uma ausência tão longa de vocês e dos meus posts; afinal, amo escrever! Mas, andei me dedicando bastante aos estudos nessa reta final!

Dezembro é um mês dos mais complicados para mim, vivendo tão longe da família, dos amigos, do meu país, das minhas raízes e tradições, por isso fico meio xarope… Mas vou tentar fazer desse mês mais alegre, escrevendo mais, dando mais dicas e compartilhando mais desse lugar lindo que escolhi (REALLY???) para viver! Além de Natal, Ano Novo e meu aniversário, é aniversário das minhas duas irmãs (inclusive, uma delas no MESMO DIA que eu)! Como se não bastasse, esse ano a minha melhor amiga está se casando lá no Brasil e eu não poderei compartilhar desse momento pessoalmente… Coisas de quem vive tão longe… E, além de longe, está caro pra caramba!

Então, tenho um longo e difícil DEZEMBRO para encarar logo ali, à minha frente! Nada melhor do que ter um lugarzinho para desabafar, não é?  Mas fiquem a vontade; caso eu esteja chata demais, ou azeda demais, não hesitem! Podem deixar de ler os posts mais amarguinhos, combinado?

Bom estar de volta, bom escrever e principalmente, bom poder desejar a todos um DEZEMBRO alegre, de esperanças renovadas, novos planos, sonhos e projetos! E, para aqueles que, como eu, têm um Dezembro a ser superado, em função da saudade que essa época do ano traz, muita força, luz, ânimo e fé em Deus! A gente consegue…

De qualquer forma, seja bem vindo, Sr. Dezembro!!!

O Fim De Uma Longa Espera

Enfim, chegou. Idealizei esse dia por longos 3 anos. Esperei por ele muitas e muitas vezes. Chorei ansiando que ele chegasse logo, por incontáveis vezes. Rodeei essa data de muitas expectativas. Cheguei a contar o tempo inúmeras vezes, fazendo as contas de quanto ainda teria que percorrer… Quando viemos para a Austrália, era esse o montante de tempo: 3 anos. Três LONGOS anos. Exatos 1.095 dias. Vinte e seis mil, duzentas e oitenta horas. Parecia impossível, quase insuportável. O contrato de trabalho do meu marido era a nossa referência de tempo. Pensava comigo, às vezes até em voz alta, que exatamente no dia do término do contrato, eu estaria de malas prontas na porta e passaporte na mão.

Um casal de amigos muito querido, daqueles mais chegados que irmãos, me presenteou com uma graça de relógio, na ocasião da nossa partida. Além de ser bonito, o tal presente veio carregado de simbologia: era para que eu contasse o tempo até o nosso momento de voltarmos para o Brasil! E eu contei… Nossa, como eu contei! Sou daquele tipo de pessoa para quem os cartões de fidelidade foram inventados. Gosto sempre dos mesmos lugares. Dos mesmos restaurantes, das mesmas comidas. Gosto de viajar sempre para meus os lugares prediletos. Tenho marcas preferidas para tudo que se pode imaginar nessa vida. Gosto dos mesmos amigos. Uns poucos, mas fiéis. Experimentar não é, definitivamente, uma das minhas palavras descritivas. Até hoje, quando eu penso em tudo que envolve uma mudança de país, me pego pensando, admirada: Deus do céu, como eu fui capaz de fazer isso?

É, eu fui… Talvez até porque eu tivesse essa data em mente, a tal que finalizaria meu “martírio” longe de tudo que realmente tinha importância para mim. Dentro do meu coração, estava sempre me prometendo: eu vou, mas eu volto! Logo que cheguei aqui, inconscientemente, eu vivia me esforçando para estragar tudo. Era um esforço DELIBERADO para não gostar de nada. Lembro-de de inúmeras situações em que fui extremamente insuportável, quando as pessoas me falavam bem de algo por aqui e eu respondia com toda a “singeleza”de um rinoceronte, que eu não precisava de nada novo, que eu estava satisfeita com tudo que sempre tive e conheci. Não precisava de uma língua nova, a minha estava excelente para o meu domínio. Não estava interessada numa cultura nova, já que eu tinha a minha própria. Não estava aberta para uma nova Igreja, porque a “minha” no Brasil seria a minha para sempre. Imagine uma pessoa estraga-prazeres. Multiplique por mil. Eu ganharia dela, de longe!

E lá no íntimo, eu pensava que seria melhor mesmo não me envolver com nada, porque eu iria embora assim que nosso contrato terminasse. E passaria a chave na porta, feliz da minha vida; daria um grande viva e sairia saltitante feito uma gazela enlouquecida, rumo ao Aeroporto. Nossa! Só de pensar eu vibrava! Puxa, quanto tempo ainda falta mesmo para esse dia chegar??? Absolutamente, nem um segundo! E não há malas, bilhetes de viagem, caixas de mudança, ou sequer um passaporte válido, já que o meu está vencido! E o que eu acho ainda melhor: não há mais uma data a esperar! Não há mais planos de ir embora. Não se conta mais o tempo nessa casa!

Conquistei após esses anos, aquela sensação agradável de gostar de onde se está, de gostar de viver como se está vivendo… Aprendi a amar Melbourne como minha, a me liberar (e liberar meu coração) para amar tanto a Austrália como o Brasil; a entender que a minha vida lá era boa, sim, mas aqui no momento é melhor! Levei muito tempo lutando dentro de mim para admitir isso, mas hoje se eu tivesse mesmo que voltar, estaria muito triste. Eu QUERO ficar. Eu QUERO viver aqui. Tenho planos para o futuro, AQUI. Sei que muitos que me conhecem, lerão isso com espanto, exceto minha melhor amiga, que sempre me diz estar se preparando para uma decisão minha de permanecer aqui para sempre. “PARA SEMPRE” é muito tempo, mas pela primeira vez, ao comemorar um aniversário de mudança pra cá, e pensar sobre isso, tenho alegria em meu coração ao afirmar SEM MEDO: eu QUERO ficar aqui!

Sei que Deus é quem dirige meus passos, minha vida e a vida da minha família, mas se Ele me permitir, por enquanto, é aqui o lugar onde eu quero estar. Desejo manter meu coração  sempre aberto e receptivo às mudanças que a vida me trouxer, mas por hora, se me for dado o direito de escolha, Melbourne é o lugar onde quero continuar escrevendo a minha história… Mais do que NUNCA, posso dizer ao terminar esse post: FELIZ ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS PARA A NOSSA FAMÍLIA! E aos nossos amigos amados, que me presentearam com o relógio, posso garantir que vou usá-lo, ainda contando o tempo… Sempre contando o tempo até as nossas próximas férias no Brasil!

Doença Crônica Julina!

Ano passado, nessa mesma época, eu estava no Brasil. Sozinha. Remediando a saudade da família e dos amigos, da minha cidade do coração (não sou jundiaiense de berço, mas amo como se fosse!), de algumas comidas prediletas e de alguns momentos únicos para mim. Meu marido e meus filhos ficaram aqui na Austrália. Literalmente, uma viagem paliativa. Como um Band-Aid emocional, em uma ferida gigante. A saudade dos meus filhos não me permitia curtir a cura da saudade de quem ficou no Brasil… Brincadeira bem SEM graça!

Mas os momentos que passei lá, com algumas pessoas absolutamente INSUBSTITUÍVEIS em minha vida, tornaram minha estadia aqui muito mais produtiva. Quando voltei, a Austrália parecia mais bonita, mais agradável, mais atrativa e totalmente capaz de se tornar “meu lar”! A sensação que eu tive quando cheguei, foi a de que tomamos a decisão certa, de que morar aqui é TUDO DE BOM, que a qualidade de vida vale a distância… Munida de minha energia recarregada e relembrando algumas situações desagradáveis vividas lá, comecei um novo ciclo cheia de esperança, acreditando que, enfim, ia demorar para sentir falta de tudo que ficou para trás! Que engano! Apenas um ano depois, cá estou eu com uma saudade quase insuportável dentro do peito, disposta à viver tudo outra vez, apenas para estar perto de algumas pessoas que deixei lá…

Claro que alguns fatos desencadearam a minha “homesick” atual. Falei ao telefone com minha mãe por um tempão no último domingo, com meu irmão que estava passando uma semana na casa dela, e relembramos coisas boas e bons momentos compartilhados. Hoje minha irmã deixou uma mensagem no meu Facebook, também relembrando minha ida no ano anterior. E por fim, o golpe final: revi as fotos que tiramos lá e relembrei cada momento vivido! Pronto. Agora é fato. Tenho uma nova doença crônica: a síndrome da saudade da viagem das férias de Julho! Hahahahahah!

Conversando com uma amiga brasileira no último fim de semana, concluímos que a verdade é UMA SÓ: saudade é uma doença crônica. Vai e volta. Melhora e piora. Some e reaparece. Basta um pequeno detalhe, uma lembrança, um cheiro, uma música, uma foto, um pensamento, e lá vem ela forte e insuperável, arrasando com as certezas que a gente “ACHAVA” que tinha. E a conclusão mais profunda de nossa conversa: o pior problema é ter saído do Brasil para morar fora. Depois disso, nosso coração ficará eterna e dolorosamente dividido. Querendo estar lá e aqui ao mesmo tempo. Amando tudo que a nova vida aussie nos proporciona, mas desejando ardentemente dividir e compartilhar tudo isso com pessoas que a gente ama demais para deixar partir de nossas vidas…

Aprendendo Com Alice

Aqueles que me conhecem e convivem comigo, sabem da minha grande luta para ser uma pessoa grata. Eu diria que sou, mais ou menos, por assim dizer, tipo assim, indo direto ao ponto, uma pessoa que sempre quer mais. Quero mais da vida, mais de mim, mais do mundo, mais de Deus, mais dos outros, mais, mais, mais, mais… Imediatamente após conquistar algo, mal tenho tempo de comemorar, porque estou ocupada estabelecendo uma nova meta ou conquista. Ou seja, querendo algo além…

Essa busca contínua se levanta petulante e presunçosa na luta entre o espiritual e o carnal, entre a satisfação e o desejo de sempre melhorar, obscurecendo a visão clara e límpida da grandeza da vida diante dos meus olhos. E eu preciso lutar. Lutar sempre. Buscar olhos que enxerguem realização em tudo, coração que encontre satisfação em cada detalhe da vida e mente que descanse diante de cada milagre diário. Todos os dias, eu preciso parar, deliberadamente, para agradecer à Deus tudo que a vida me proporciona.

Hoje me deparei com uma notícia no site da Globo, que me levou a parar tudo, respirar fundo e agradecer. Agradecer por tudo que vivi até aqui, por tudo que tenho vivido no presente e, de antemão, pelos dias que me restam. Sou grata pela minha vida, minha família, meus amigos, minha fé… Grata pelo privilégio de estar viva e totalmente convencida de que o AQUI e o AGORA são as duas únicas certezas de nossa frágil existência.

Leia a reportagem você mesmo e, do fundo do meu coração, eu faço agora uma breve oração silenciosa, clamando para que você seja contagiado pelo mesmo sentimento e aproveite para agradecer HOJE também, já que o AMANHÃ é um mistério.

“Uma adolescente britânica de 15 anos em estado terminal de câncer atraiu mais de 230 mil visitantes para o seu blog no qual relata sua busca em conseguir completar uma lista de 17 coisas que pretende fazer antes de morrer. Alice Pyne lançou seu blog na última segunda-feira, após seus médicos terem considerado que não há mais tratamentos possíveis para o linfoma descoberto há quatro anos.

‘Eu sei que o câncer está me vencendo e não parece que eu vou vencer esta’, diz ela em sua apresentação no blog. ‘É uma pena, porque há tanta coisa que eu ainda queria fazer’, escreveu ela.

Ela prometeu documentar ‘o tempo precioso com minha família e meus amigos, fazendo as coisas que eu quero fazer’. ‘Você só tem uma vida… viva a vida’, complementa.

Em uma mensagem postada após o sucesso do blog, ela escreveu: ‘Nossa, eu pensei que estava só fazendo um pequeno blog para alguns amigos! Muito obrigado por todas suas adoráveis mensagens para mim’.

Entre os desejos da menina está nadar com tubarões, encontrar a banda Take That, visitar uma fábrica de chocolates e inscrever sua cachorra, Mabel, em um concurso. Ela também incluiu em sua lista ‘fazer todo mundo se inscrever para se tornar doador de medula’. Na quarta-feira, com a repercussão de sua história, o próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu se tornar um doador após ouvir o relato do caso de Alice no Parlamento por um deputado opositor.

O sucesso também a ajudou a arrecadar mais de 10 mil libras (cerca de R$ 26 mil) em doações para uma organização beneficente de pesquisas sobre o câncer. No ano passado, Alice Pyne já tinha ganhado certa notoriedade na Grã-Bretanha ao lançar uma campanha com a associação Anthony Nolan, que ajuda pacientes que precisam passar por transplantes, para encontrar doadores de medula óssea que pudessem ajudá-la em seu tratamento.

Mais de mil pessoas se voluntariaram para doar a ela, mas em outubro os exames médicos mostraram que o câncer havia se espalhado e que já não havia opções de tratamento. Ela passou por várias sessões de radioterapia e quimioterapia, além de se submeter a um transplante com as suas próprias células-tronco, mas os tratamentos não tiveram o resultado esperado.

Em sua apresentação no blog, a adolescente diz que não espera conseguir completar toda sua lista de desejos. ‘Algumas coisas não vão acontecer, porque eu não posso nem mesmo viajar mais’, diz. Um dos itens de sua lista é ‘viajar para o Quênia’. Ela diz, porém, que pensou que seria divertido publicar a lista na internet e ir marcando o que ela for conseguindo fazer, ao mesmo tempo atualizando os leitores do blog sobre o processo.

Graças ao sucesso do blog, porém, ela vem recebendo milhares de ofertas de ajuda para conseguir cumprir seus desejos. Em um comentário postado na quinta-feira, ela conta que vai conhecer o Take That no fim de semana. ‘Estou tão excitada que nem posso esperar. Só espero que não fique doente ou algo estúpido’, diz. ‘Tenho vivido de pijamas no último ano, então minha mãe foi à cidade para comprar roupas para mim’, conta. ‘Parece que outras coisas que eu havia desejado estão sendo organizadas para mim, então obrigado a todos por isso. Eu me sinto uma garota de muita sorte’, afirmou.

Obrigada, Alice, por me ajudar a ver que a vida tem que ser vivida. Por me ajudar a ver que, mesmo em situações muito complicadas e difícies, ainda há razões para agradecer. Por me ajudar a ter um coração mais grato e sereno, e principalmente, por me lembrar de tirar minha própria lista de “coisas à fazer antes de morrer” do fundo da gaveta. Nosso tempo aqui é curto. O importante é viver o hoje. Como você. Aproveite cada segundo, cada momento. Estou orando por você! Que cada um dos seus dias seja um espetáculo imperdível.

Com todo meu amor,

Carolina