O Fim De Uma Longa Espera

Enfim, chegou. Idealizei esse dia por longos 3 anos. Esperei por ele muitas e muitas vezes. Chorei ansiando que ele chegasse logo, por incontáveis vezes. Rodeei essa data de muitas expectativas. Cheguei a contar o tempo inúmeras vezes, fazendo as contas de quanto ainda teria que percorrer… Quando viemos para a Austrália, era esse o montante de tempo: 3 anos. Três LONGOS anos. Exatos 1.095 dias. Vinte e seis mil, duzentas e oitenta horas. Parecia impossível, quase insuportável. O contrato de trabalho do meu marido era a nossa referência de tempo. Pensava comigo, às vezes até em voz alta, que exatamente no dia do término do contrato, eu estaria de malas prontas na porta e passaporte na mão.

Um casal de amigos muito querido, daqueles mais chegados que irmãos, me presenteou com uma graça de relógio, na ocasião da nossa partida. Além de ser bonito, o tal presente veio carregado de simbologia: era para que eu contasse o tempo até o nosso momento de voltarmos para o Brasil! E eu contei… Nossa, como eu contei! Sou daquele tipo de pessoa para quem os cartões de fidelidade foram inventados. Gosto sempre dos mesmos lugares. Dos mesmos restaurantes, das mesmas comidas. Gosto de viajar sempre para meus os lugares prediletos. Tenho marcas preferidas para tudo que se pode imaginar nessa vida. Gosto dos mesmos amigos. Uns poucos, mas fiéis. Experimentar não é, definitivamente, uma das minhas palavras descritivas. Até hoje, quando eu penso em tudo que envolve uma mudança de país, me pego pensando, admirada: Deus do céu, como eu fui capaz de fazer isso?

É, eu fui… Talvez até porque eu tivesse essa data em mente, a tal que finalizaria meu “martírio” longe de tudo que realmente tinha importância para mim. Dentro do meu coração, estava sempre me prometendo: eu vou, mas eu volto! Logo que cheguei aqui, inconscientemente, eu vivia me esforçando para estragar tudo. Era um esforço DELIBERADO para não gostar de nada. Lembro-de de inúmeras situações em que fui extremamente insuportável, quando as pessoas me falavam bem de algo por aqui e eu respondia com toda a “singeleza”de um rinoceronte, que eu não precisava de nada novo, que eu estava satisfeita com tudo que sempre tive e conheci. Não precisava de uma língua nova, a minha estava excelente para o meu domínio. Não estava interessada numa cultura nova, já que eu tinha a minha própria. Não estava aberta para uma nova Igreja, porque a “minha” no Brasil seria a minha para sempre. Imagine uma pessoa estraga-prazeres. Multiplique por mil. Eu ganharia dela, de longe!

E lá no íntimo, eu pensava que seria melhor mesmo não me envolver com nada, porque eu iria embora assim que nosso contrato terminasse. E passaria a chave na porta, feliz da minha vida; daria um grande viva e sairia saltitante feito uma gazela enlouquecida, rumo ao Aeroporto. Nossa! Só de pensar eu vibrava! Puxa, quanto tempo ainda falta mesmo para esse dia chegar??? Absolutamente, nem um segundo! E não há malas, bilhetes de viagem, caixas de mudança, ou sequer um passaporte válido, já que o meu está vencido! E o que eu acho ainda melhor: não há mais uma data a esperar! Não há mais planos de ir embora. Não se conta mais o tempo nessa casa!

Conquistei após esses anos, aquela sensação agradável de gostar de onde se está, de gostar de viver como se está vivendo… Aprendi a amar Melbourne como minha, a me liberar (e liberar meu coração) para amar tanto a Austrália como o Brasil; a entender que a minha vida lá era boa, sim, mas aqui no momento é melhor! Levei muito tempo lutando dentro de mim para admitir isso, mas hoje se eu tivesse mesmo que voltar, estaria muito triste. Eu QUERO ficar. Eu QUERO viver aqui. Tenho planos para o futuro, AQUI. Sei que muitos que me conhecem, lerão isso com espanto, exceto minha melhor amiga, que sempre me diz estar se preparando para uma decisão minha de permanecer aqui para sempre. “PARA SEMPRE” é muito tempo, mas pela primeira vez, ao comemorar um aniversário de mudança pra cá, e pensar sobre isso, tenho alegria em meu coração ao afirmar SEM MEDO: eu QUERO ficar aqui!

Sei que Deus é quem dirige meus passos, minha vida e a vida da minha família, mas se Ele me permitir, por enquanto, é aqui o lugar onde eu quero estar. Desejo manter meu coração  sempre aberto e receptivo às mudanças que a vida me trouxer, mas por hora, se me for dado o direito de escolha, Melbourne é o lugar onde quero continuar escrevendo a minha história… Mais do que NUNCA, posso dizer ao terminar esse post: FELIZ ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS PARA A NOSSA FAMÍLIA! E aos nossos amigos amados, que me presentearam com o relógio, posso garantir que vou usá-lo, ainda contando o tempo… Sempre contando o tempo até as nossas próximas férias no Brasil!

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“Depois De Um Ano Passa…” Mentira, Passa Nada!!!

Não tenho muita certeza se contei isso aqui no blog, mas acho que sim! Claro que não consigo me lembrar de tudo que já bloguei, mas me esforço… Bem, do que estou falando? Desde que cheguei aqui, ia conversando com as pessoas e elas sempre me diziam, em sua maioria, que depois de um ano as coisas melhoram, que a gente se acostuma e começa a ter uma vida diferente, se sentindo “em casa”… Especialmente os brasileiros, que sempre quiseram me animar e destacar as vantagens e (des???) vantagens de viver fora do Brasil… Digo vantagens e vantagens porque é assim mesmo que soa aos meus ouvidos:” viver aqui é tudo de bom”!

Longe de mim ser uma pessoa ingrata, cega ou até mesmo mal agradecida, em relação à tudo que a vida tem me proporcionado (quem lê meu blog sabe o quanto falo bem de tudo por aqui, até mais que deveria, eu acho…), mas a verdade é uma só: NÃO PASSA! Estou comemorando (será mesmo?) um ano e meio de Austrália! Moro numa casa legal (beeeemmm legal, acredite!), num bairro lindo (coisa de filme), numa cidade maravilhosa (nada à ver com o Rio de Janeiro, mas maravilhosa) e quando as pessoas leêm, ou ouvem isso, ou sabem disso de alguma forma, sempre imaginam um verdadeiro paraíso na Terra!

Estou cansada de receber recados, emails, comentários, de gente achando que viver aqui é o melhor que se pode ter no mundo, uma vida de “glamour” como brincam alguns ou de viagens, como perguntam outros, ainda hoje: “E a viagem, como está?” Que viagem, meu Deus do Céu??????? Não estou fazendo turismo, gente; tenho vida real como todo mundo! Tenho que lavar, passar, cozinhar, trabalhar, fazer dieta e exercícios, como todas as pessoas normais! E ainda tenho que fazer tudo isso em Inglês, tentando entender e me fazer entender diariamente, tentando ter certeza de que estou dizendo (e ouvindo) a coisa certa até prá comprar uma coisa besta no supermercado!

E o pior de tudo isso: temos que conviver com essa saudade insuportável, essa coisa apertada na garganta cada vez que a gente vê uma foto no orkut, cada vez que recebe uma carta ou email de alguém que você ama, cada vez que fica sabendo de um problema que você sequer poderia resolver se estivesse lá perto, mas poderia abraçar as pessoas e dizer o quanto se importa, mesmo não podendo fazer absolutamente  nada! Não passa… Definitivamente, não passa… A vontade de estar perto à cada aniversário de uma pessoa importante prá você, em dias de festas especiais ou feriados, em ocasiões que você realmente sente um buraco dentro do peito, um rombo no estômago, um sentimento quase incontrolável que faz você repensar no porquê de estar tão longe… sabe uma sensação de pensar “eu quero voltar prá casa???”

Não quero desanimar ninguém que está vindo prá morar, nem estudar, ou o que seja; apenas gostaria que as pessoas soubessem como muitos de nós nos sentimos longe da família, dos amigos, da nossa vida! E dizer àqueles que, como eu, estavam esperando “passar”, que a gente se acostuma sim, que a vida continua sim, que as coisas acontecem sim, mas é preciso saber viver com a falta de coisas e pessoas insubstituíveis na vida da gente… Têm dias que a deprê chega forte, que o choro fica insistindo em saltar de dentro da gente e que a TPM piora anos-luz! Hahahahaha! E aprender à conviver (e controlar!) isso tudo é que é o VERDADEIRO DESAFIO de morar no exterior… Sem dúvida alguma, quando eu for embora daqui, a maior conquista não terá sido um super Inglês, um curso legal, uma posição melhor ou um salário gigante… Terá sido, sem nenhuma dúvida, um caráter menos frágil  e um domínio próprio mais crescidinho, sem achar que o mundo roda porque estou nele! E viva o crescimento interior!!!

 

Contando o Tempo…

Hoje tivemos uma despedida muito especial, na casa dos nossos amigos Beto e Paula, e reunimos pessoas mais que queridas. Pessoas que fazem parte da minha história, da minha vida! E como disse o Adriano, grande amigo nosso, “não se esqueçam, vocês têm AMIGOS aqui… AMIGOS DE VERDADE!” Foi tudo bom demais! Amo muito tudo isso! Mas o Luís e a Luciene (amigos e afilhados de casamento) me deram um presente, talvez o mais marcante que já recebi até hoje em minha vida! Não pelo valor ou pela beleza, mas pela simbologia que trouxe consigo: um relógio! Fofo, lindo, delicado, mas com um propósito maior: contar o tempo… Um novo tempo de vida e o tempo que falta pra voltarmos! Fiquei sem palavras (algo muito raro!) e simplesmente AMEI! Obrigada a todos que estavam lá! Vocês são INESQUECÍVEIS! E como já combinamos, nas próximas férias, precisamos marcar outro encontro como esse! Comida boa, bebida e amigos! PERFECT! Thank you, friends!