Pequena Lista De Grandes Ajudas

Definitivamente, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam, por email ou pessoalmente, quando falamos sobre o processo de adaptação fora do país da gente, é como fazer para tornar o começo mais fácil, menos doloroso ou, pelo menos, mais suportável. Enquanto respondo, várias pequenas coisinhas importantes vêm à minha mente. Sempre sugiro algumas delas, para vários tipos de pessoas diferentes. Hoje, quando fui pra cama, tinha acabado de responder à um email com o mesmo tipo de dúvida e ansiedade. Então pensei: uma hora vou ter que organizar uma lista sobre o assunto… (Apenas a título de curiosidade, eu ADORO uma lista!) Resultado? Fiquei rolando na cama, com a cabeça fervendo de palavras! Cá estou eu, às 2:50 da manhã, organizando uma lista de atitudes que podem garantir um pequeno refrigério na vida daqueles que, num belo dia (ou fatídico, depende do ponto de vista!), decidiram migrar pra outro canto do mundo.

Se um dia você bateu com a cabeça e decidiu mudar de vida, largar tudo e recomeçar em um novo lugar, talvez tenha também várias dicas. Essas que compilei hoje, em minha fracassada tentativa de sono, refletem bem a minha experiência pessoal, coisas que fui aprendendo com a minha própria vivência por aqui. Olhando hoje para trás, me assombro um pouco com essa coisa doida de juntar as poucas tralhas da gente e sair pelo mundo, tentando uma vida nova. Só pode ser coisa de gente estranha, não tem outra explicação! Perdoem-me todos os companheiros imigrantes, espalhados por esse mundão afora; mas NORMAL a gente não é… Não pode ser! De qualquer forma, anormal ou não, depois de consumado o fato, a gente tem mesmo é que tentar fazer do período de adaptação o melhor que a gente puder. O que tenho visto que ajuda? O seguinte:

APRENDER A LÍNGUA LOCAL: na boa, não tem nada que deixe a gente mais a vontade, do que falar o idioma do lugar que você escolheu pra viver. É difícil a gente ter a sensação de “pertencer”, se não consegue se comunicar, não é? Todo o esforço nesse sentido, só vai trazer benefícios. Se você tiver planos de construir ou continuar uma carreira, então, aí se torna IM-PRES-CIN-DÍ-VEL!

FAZER NOVAS AMIZADES: nem vem com esse papo de timidez, de que “eu não sou uma pessoa muito sociável”, porque aí vai ficar complicado. Sem amigos, fica impossível! Eles se tornam a família da gente longe de casa, embora isso não pareça algo muito simples. Primeiro: é impossível querer comparar seus amigos que ficaram lá no Brasil, que conviviam com você desde o Jardim da Infância, ou foram criados na mesma rua jogando bola, ou trabalharam com você durante toda a sua vida… A gente leva tempo para construir relacionamentos verdadeiros e na base da confiança; não foi assim ao longo de toda a sua vida? Será assim também no novo país; tenha paciência. Segundo: não é porque o cara é brasileiro que vai se tornar seu “BFF” (Best Friend Forever) da noite para o dia! Brasileiro no exterior tem essa mania: encontra um conterrâneo e já acha que encontrou uma “alma gêmea”!  Com o tempo, você vai percebendo que é fundamental ser amigo de gente que tem a ver com você e te acrescenta, te faz bem. E vice-versa. De qualquer forma, passar o período de adaptação sozinho só vai tornar as coisas mais duras pra você.

EXPLORAR O LOCAL: se você for como eu, vai amar descobrir cada cantinho legal do seu novo lugar. Gaste tempo andando, conhecendo, passeando, explorando, experimentando… Em breve, terá novos lugares prediletos, comidas preferidas e chegará até mesmo a se questionar como pôde viver tanto tempo sem ter experimentado certas coisas incríveis, que agora fazem parte de sua rotina. Comigo funciona até hoje: bateu deprê, muita saudade, acordei com vontade de chorar? É dia de TURISMO!!! Com direito a câmera fotográfica!!! Olha, super ajuda!

CULTIVAR  SEU HOBBY: especialmente para quem veio de uma rotina frenética no Brasil, como eu, sem tempo pra quase nada, chegar aqui foi um (bom) susto! Até me acostumar com uma vida BEM mais calma, tranquila e sem tantos compromissos, levou tempo. E como é bom você enfim ter momentos só seus, para fazer o que realmente te dá prazer! É isso. A palavra é PRAZER. Busque fazer coisas que trazem alegria interior, que colocam um sorriso por dia no seu rosto… Muda tudo!

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS: não é segredo pra ninguém que a prática constante de exercícios libera uma substância natural chamada endorfina, que regula a emoção e traz sensação de bem estar. Nem todo mundo é fã disso, eu sei, mas é importante que você descubra algo que gosta de fazer e vá fundo! Os efeitos são incríveis!

CONHECER-SE MAIS: querendo ou não, buscando ou não, a experiência de mudar-se pra longe vai revelar coisas sobre você, seus sentimentos, seus valores, seus hábitos, suas posturas na vida, sua essência… Tudo fica muito à flor da pele; as coisas tomam proporções desenfreadas, muitas vezes… Esteja pronto para surpreender-se consigo mesmo! E para o próximo item da lista:

RESPEITAR-SE: com a melhora do auto-conhecimento, a gente passa a valorizar muito mais a si mesmo. É importante CONHECER e RESPEITAR seus limites. Vai ter dia que você vai querer sumir do mundo; outros, em que vai se arrepender profundamente de ter migrado! Haverá dia que você vai se perguntar mil vezes: que raios eu estou fazendo aqui??? E vai ter dia de bode, que vai querer curtir a saudade, ficar no seu canto até a coisa passar… Vá lá, permita-se! Mas não se demore muito lá, porque deprê também vicia.

MANTER CONTATO COM GENTE IMPORTANTE PRA VOCÊ: ô ponto delicado, esse! Quando a gente muda pro exterior, parece até que vira celebridade. Um batalhão de gente te adiciona no Facebook, Orkut, Google+, Twitter, e tudo quanto é raio de rede social. Sua vida parece que passa a ser mais interessante pros outros. E até gente que parece amar mais você do que antes. É, acontece… E quer saber? O tempo e a distância são excelentes formas de aperfeiçoamento de relações: o que é verdadeiro, até se estreita; o que não é, vai se tornando névoa, até você um dia perceber que está passando muito bem sem aquela pessoa, obrigada!!! Mas tem um tipo de gente, que você pode rodar o mundo, ver coisas fascinantes, viver experiências incríveis, que ainda vai te fazer tanta falta, que em alguns dias, você mal vai conseguir respirar pela ausência delas! Com essas pessoas, faça o que for pra manter contato: você não vive MESMO sem elas!

E por fim, o mais importante:

CULTIVAR UM RELACIONAMENTO COM DEUS: ainda que você não seja uma pessoa “espiritualizada”, ou não se considere um cara “de fé”, em vários momentos você vai perceber que PRECISA crer em algo muito maior. Quando alguém que você ama adoece, por exemplo. Quando alguém morre e você estava longe sem poder dizer o que deveria ser dito. Ou quando você adoece e se sente sozinho, sem as pessoas que mais ama por perto… Enfim, existem momentos que somente a fé mantém a gente em pé. Especialmente longe de casa, das pessoas de sempre e da nossa zona de conforto. Manter a fé operante num momento de tantas mudanças só contribui positivamente, é sério. Sem a minha fé, eu já teria chutado tudo isso aqui pra cima, logo no começo. Obrigada Deus, por ter me ajudado até aqui!

Nossa gente, o post ficou enorme! Desculpe-me. E lá se foi uma noite de sono. Porém, se eu conseguir ajudar alguém com a minha experiência, já terá valido muito a pena… Ufa! Agora posso dormir. As palavras por fim ocuparam seu lugar e minha mente ficou em silêncio…

fugindo de casa

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Voltando Para Casa…

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas a todos os leitores do Blog, pela minha ausência tão longa. Estou em débito com um montão de gente, comentários, pedidos de ajuda… Vou responder um a um, garanto; apenas tenham paciência comigo! No final do ano que passou, eu andei meio ocupada com a vida em geral e ainda inclui nela uma viagem ao Brasil, de férias, para rever família, amigos e passar as festas de fim de ano, em dezembro/janeiro. Como a maioria dos brasileiros, cuja rotina de vida real começa apenas pós-Carnaval, aqui estou eu entrando de novo na minha rotina, muito ansiosa para escrever… Quem acompanha os meus escritos por aqui, sabe que gosto mesmo de compartilhar minhas sensações, sentimentos e conflitos mais intensos, que digam respeito à essa minha dramática e profunda relação Brasil-Austrália. Pois bem, essa foi a primeira vez que fui ao Brasil GOSTANDO de verdade de viver na Austrália.

Para quem não me conhece ou ainda não leu sobre a minha difícil adaptação aqui na Terra dos Cangurus, vale ressaltar que sofri bastante pra me acostumar, aceitar e até mesmo deixar crescer dentro de mim um sentimento de amor por esse lugar. E fico entusiasmada por poder compartilhar o que sinto, porque acredito que vai ajudar muita gente que passa pelos mesmos conflitos…Hoje, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa última viagem à Terrinha foi imprescindível para fechar definitivamente algumas lacunas em meu mundo interior. Fechei um ciclo muito doloroso, entre o desejo de voltar ao Brasil e o de permanecer vivendo aqui. Desde que me abri, de fato, para aceitar minha nova vida por aqui, tudo dentro de mim mudou. Estar no Brasil foi maravilhoso, especialmente em época de férias, Natal, Ano Novo, meu aniversário… É muito bom rever as pessoas, lugares, cheiros, gostos, emoções, sensações; mas também é doloroso ver que muitas coisas mudam, outras não mudam nada, pessoas mudam, atitudes também! Enfim, vivi de tudo um pouco nesse tempo que passei por lá.

Diferentemente da minha ida anterior, em 2010, não me senti tão a vontade quando estava por lá. Senti falta da Austrália, de verdade. Senti saudade da minha vida, dos meus amigos daqui. Pela primeira vez, me senti fora do meu “habitat natural”, estando nele… Pela primeira vez, me senti uma estranha várias vezes, em diversas situações. Pela primeira vez, me senti não fazendo parte de algo, de algum lugar ou situação. Inúmeras vezes me senti sozinha, esquisita, sobrando, até sonhando (literalmente) com Melbourne. Senti que estava meio fora “de lugar”… E que sensações estranhas foram aquelas! Me peguei diversas vezes surpreendida comigo mesma, com meus pensamentos e desejos. É incrível o quanto a gente muda. Graças a Deus por isso! Fico extasiada em observar a capacidade do ser humano em se auto-adaptar, se reinventar, reciclar, transformar-se! E eu me senti plena, VIVA, em constante mudança. Não que eu goste de grandes mudanças; longe de mim. Mas também não gosto de rotina, mais do mesmo, o de sempre…

A surpresa foi boa. O saldo foi positivo. Me senti confortável em minha própria pele. E sabe o quê? O melhor? EU GOSTEI! Em determinado momento, eu queria voltar. Pra Austrália. Bem, vou escrever de novo, porque isso ainda está soando estranho aos meus ouvidos emocionais: eu estava no Brasil e estava querendo VOLTAR! E então minha ficha caiu: finalmente, eu já sabia onde estava meu coração; já sabia onde é o lugar que meu interior reconhece agora como “LAR”. Senti paz. Como não sentia há alguns anos… E por fim, após quase 30 horas de vôo, quando botei meus pés em solo aussie novamente, aquela sensação incrível encheu meu peito de algo que nem sei descrever, e eu pude enfim dizer pra mim mesma: EU ESTOU EM CASA!!!

De cara nova!

Já tem um tempinho que minha filha andava tirando minha paz com esse papo de mudar a cara do meu Blog. Ela não sossega enquanto não acha um novo layout PERFEITO para o dela, e faz isso tantas vezes quantas forem necessárias. Não herdou de mim, lógico, que fiquei extamente com o mesmíssimo tema desde que iniciei meus rascunhos por aqui, ainda no Brasil.

Nessa onda de Ano Novo, Vida Nova, Decisões Novas e essa palhaçada toda nova, que no segundo dia do tal Ano Novo já é tão igual quanto o anterior, resolvi mudar de ares. Confesso que ainda estou me acostumando, mas se eu realmente me esforçar, logo me adapto. Espero que os leitores gostem das mudanças, porque, me perdoem, mas caso não gostem, assim como eu, terão que se acostumar, porque vou levar MUITO tempo para trocar de novo!

No mais, o conteúdo vai se manter na mesma linha: meu Time do coração, minha saudade, meus lugares preferidos na Austrália ou minhas confusões internas. Continuarei a escrever de acordo com o desenrolar das coisas por aqui, nessa terra de enchentes, neve em dezembro, incêndios de verão, temperaturas que oscilam entre 9 e 22 graus no mesmo dia, mas também de beleza exótica, de pôr-do-sol inigualável, de qualidade de vida invejável…

A foto do cabeçalho foi tirada por mim, no meu lugar preferido aqui em Melbourne, o Shrine Of Remembrance. Essa vista incrível, a gente consegue lá de cima, praticamente no topo do prédio em estilo grego, que ganhou meu coração! Essa cidade é maravilhosa e estou sempre procurando novas formas de “ver” Melbourne, meu “lar-doce-lar” por mais não sei quanto tempo…

Aproveito prá agradecer as milhares de visitas, desde que comecei, certa de que sempre tento fazer o meu melhor, embora às vezes eu suma um pouco, buscando VIVER a minha vida, deixando um pouco a Internet de lado. Agradeço à minha filha insistente, que me ajudou a transformar um pouquinho esse lugar que é meu, seu e de quem quiser se achegar. Visite o Blog dela também, para conhecer um outro ponto de vista sobre a vida na Austrália, conhecer um pouquinho das experiências dela por aqui e do talento e habilidade que ela tem com as palavras. “About dreams and broken glass” é um endereço imperdível!

 

Conhece um lugar de pores-do-sol tão incrivelmente perfeitos?

Meus Apelidos Para A Aussielândia!

Amo viver nesse lugar – fato. A vida por aqui é de muita qualidade – fato. Parece-me loucura querer voltar pro Brasil algum dia – fato. Educação, lazer, economia, cultura, política, são de Primeiríssimo Mundo – fato. NUNCA ficar irritada, insatisfeita ou achar algumas coisas retardadas por aqui – MITO! Algumas vezes leio meu Blog e tenho um certo receio de passar uma falsa idéia de perfeição sobre a vida por aqui…

Tem muita coisa boa, como tem muita coisa complicada! Nos meus dias de mau humor, ou de “homesick” (saudade da terra natal), começo a soltar minhas pérolas sobre os apelidos que dou para a Austrália quando quero desabafar! Não tem muita graça, porque a maioria deles me irrita profundamente… Sabiam que isso aqui é o país do “Lego”? Você compra e você mesmo monta! TUUUUUUUDOOOOOOO! É a terra do “Do It Yourself” (Faça você mesmo)! Mesmo que você não tenha talento algum… Tudo que a gente compra, tem que levar prá casa você mesmo, montar você mesmo, consertar você mesmo

Esse aqui também é o lugar do “Vista tudo que tem vontade”! As pessoas acordam e pensam: “Hoje estou a fim de usar o cachecol marrom de bolinhas verdes, a calça amarela, o tênis rosa, a bolsa dourada e o casaco azul turquesa”! E elas FAZEM isso! Vestem-se como querem, na hora que querem, no dia que querem… Sentar num banco e ficar observando as pessoas é meu passatempo predileto. E quer saber? Elas se sentem lindas e seguras e poderosas e tocam a vida! Irritante! Porque vou eu tentar fazer o mesmo… Fico parecendo uma palhaça! Hahahahahahha!

A Austrália também é prá mim a “Nova China”! Meu Deus, TUDO AQUI é chinês! Tem muito mais coisa chinesa que australiana ou qualquer outra nacionalidade! É absurdo! Eles produzem pouquíssimo, tudo vem de fora (digo, da China, né?)… Sem contar a febre, o desespero tecnológico desse povo! Todo mundo tem os celulares mais famosos, mais modernos, os computadores, laptops, IPads, IPhones, Ipods, tudo que comece com “I” ou que tenha uma “maçã mordida” desenhada, sabe? Tenho a impressão de que gastam tudo que ganham com esses aparatos da modernidade…

Também ficaria famoso como o país da “Propaganda Ineficiente”! Jesus, se eles dependessem da propaganda prá eu adquirir algum produto, estariam esperando até hoje! São ruins demais! Cada propaganda tão tosca, que a gente fica boquiaberto! Já disse muitas vezes por aqui, a W/Brasil faria a festa, ganharia milhares e milhares de prêmios… Washington Olivetto seria ovacionado! A televisão me leva quase à loucura, muitas vezes…

Mas eu acho que o pior apelido que dou à esse lugar é o de “Atendimento de Repartição Pública”! Gente, nunca vi lugarzinho pior prá alguém ser atendido do que aqui… Lojas, restaurantes, imobiliárias, comércio em geral, órgãos públicos inclusive, não importa… Eita povinho que não entende ABSOLUTAMENTE NADA de agradar um cliente! Têm momentos que me sinto atrapalhando, não consumindo! Qualquer atendente de boteco no Brasil dá show em atendimento ao cliente em comparação com os daqui. Sempre que vou comer fora penso a mesma coisa: um garçom (ou garçonete) no Brasil ganha uma miséria, tem que trabalhar que nem doido prá sustentar família, pagar as contas, sei lá; mas tratam a gente bem, porque senão podem perder seu tão suado emprego! Aqui, eles ganham bem, moram nesse lugar lindo, têm uma vida bem legal, podem trabalhar apenas alguns períodos ou dias da semana, e ainda viver decentemente; por que essa cara de infeliz, esse mau humor… Não entendo… Vai ganhar salário mínimo no Brasil, vai, benhê! Depois me diz o que é trabalho de verdade!

Temos um supermercado chamado Aldi, que é europeu; alemão, se não estou enganada. Os produtos são bem mais em conta do que nos outros supermercados, porque são produtos exclusivos para essa tal rede. Mas as lojas são feias, bagunçadas, e os funcionários os mais infelizes da Austrália! Hahahahahhaah! Acho que nas entrevistas você precisa provar seu mau humor e sua insatisfação prá ser aceito! Parece que eles estão te fazendo um favor ENORME quando você compra lá… Isso mesmo… Você COMPRA lá! Mas eles não estão nem aí se você vai voltar ou não, pelo atendimento, mas pelo preço! E quando encontro alguém solícito, educado, que atende bem, não duvide: elogio, falo pro superior, falo no caixa, agradeço MESMO! Isso é raro por aqui…

 

 

Férias (?!) No Brasil!!!

Como contei prá todo mundo, há dois posts atrás, depois de 2 anos no meu “exílio” aussie, fui para o País das Maravilhas (leia-se BRASIL!), imaginando férias e momentos de descanso! Hahahahahahahaha! Desculpe pela gargalhada internáutica, mas ela saiu de verdade enquanto eu escrevia aqui em casa! A única coisa que não tive no Brasil durante meu mês “de férias” foi justamente… FÉRIAS!

Não sei se nosso conceito de férias é parecido, mas quero te ajudar a caminhar no meu raciocínio… Segundo o dicionário, a palavra férias significa: “s.f.pl. Época de repouso. O corpo humano não pode atuar com toda sua potencialidade sem períodos freqüentes de repouso. Há muito os médicos reconheceram que várias doenças do corpo e do sistema nervoso podem ser curadas apenas com a ausência da atividade normal e cotidiana. A mudança da rotina cotidiana que ajuda a restaurar o corpo, a mente e a disposição das pessoas chama-se férias.”

Bem, não repousei, não tive restauração no corpo, nem disposição, mas fiquei MUITO cansada! O que vivi nos dias em que estive no Brasil foi uma verdadeira correria, passando por 5 cidades diferentes, visitando parentes, família, amigos, num ritmo alucinado, sem dormir bem por causa do fuso horário e a mudança constante de camas e afins! Você pode me achar uma chata, rabugenta, fresca, o que seja, mas o pique foi dureza! Minha família mora em uma cidade, a família do meu marido em outra, e a gente morava há mais de 10 anos em uma terceira cidade, onde estão nossos amigos e Igreja! Impossível reunir todo mundo num só lugar e ao mesmo tempo! Então, fui passando de lugar à lugar, de cidade em cidade, até visitar todo mundo! Bem cansativo!

E o que mais  senti falta, de verdade, foi de passear pelos meus locais preferidos, gastar tempo descansando, bater papo furado sem me preocupar com a hora, ou a próxima visita, andar na praia, relaxar, fazer nada!!! Algo tipo… Férias??? Hahahahahaha! É fato que fui à Campos do Jordão por UM dia e no meu Shopping preferido em Campinas, também por UM dia, e consegui caminhar na praia em Caraguá apenas UMA tarde, mas fora esses momentos, os demais dias passei cumprindo agenda! Ah! E tive uma tarde corrida ( mas deliciosa!) em São Paulo, antes de embarcar! Foi muito bom ver todo mundo, matar as saudades das pessoas que a gente ama, mas na próxima quero mais tempo (e dinheiro!) prá descansar um pouco, prá dar uma fugida de uns 3 dias, intercalando as visitas, almoços e jantares com as pessoas, com tempos de descanso, de FÉRIAS efetivas…

As pessoas ficam muito felizes com a chegada da gente, mas confesso que em alguns momentos me senti um pouco “sufocada”, um tantinho cobrada, por coisas do tipo: “mas vai ficar só isso aqui?”, “vai jantar na minha casa apenas uma vez?“, ” vai me dar apenas esse tempo de sua viagem?” “foi legal ver você, mas foi tão rápido!” As pessoas não param prá pensar que você é UMA, enquanto elas são várias! Poucas foram as pessoas que realmente consideraram a minha vinda um presente, um privilégio, um momento único… Poucas pessoas aproveitaram o tempo ao meu lado, ESTANDO comigo, apenas pelo fato de aproveitarem minha presença… Gastei mais tempo me desculpando, me explicando, dando satisfações do meu itinerário, do que  AMANDO as pessoas! Isso não foi bom… Na próxima, quero fazer diferente.  Ainda não sei como, mas vou descobrir um jeito!

Caminhada na Avenida da praia em Caraguá!
Visitinha corrida à Campos do Jordão!
Meu Shopping preferido - Campinas, SP!
Minha tarde deliciosa em São Paulo! QUERO MAIS!

“Depois De Um Ano Passa…” Mentira, Passa Nada!!!

Não tenho muita certeza se contei isso aqui no blog, mas acho que sim! Claro que não consigo me lembrar de tudo que já bloguei, mas me esforço… Bem, do que estou falando? Desde que cheguei aqui, ia conversando com as pessoas e elas sempre me diziam, em sua maioria, que depois de um ano as coisas melhoram, que a gente se acostuma e começa a ter uma vida diferente, se sentindo “em casa”… Especialmente os brasileiros, que sempre quiseram me animar e destacar as vantagens e (des???) vantagens de viver fora do Brasil… Digo vantagens e vantagens porque é assim mesmo que soa aos meus ouvidos:” viver aqui é tudo de bom”!

Longe de mim ser uma pessoa ingrata, cega ou até mesmo mal agradecida, em relação à tudo que a vida tem me proporcionado (quem lê meu blog sabe o quanto falo bem de tudo por aqui, até mais que deveria, eu acho…), mas a verdade é uma só: NÃO PASSA! Estou comemorando (será mesmo?) um ano e meio de Austrália! Moro numa casa legal (beeeemmm legal, acredite!), num bairro lindo (coisa de filme), numa cidade maravilhosa (nada à ver com o Rio de Janeiro, mas maravilhosa) e quando as pessoas leêm, ou ouvem isso, ou sabem disso de alguma forma, sempre imaginam um verdadeiro paraíso na Terra!

Estou cansada de receber recados, emails, comentários, de gente achando que viver aqui é o melhor que se pode ter no mundo, uma vida de “glamour” como brincam alguns ou de viagens, como perguntam outros, ainda hoje: “E a viagem, como está?” Que viagem, meu Deus do Céu??????? Não estou fazendo turismo, gente; tenho vida real como todo mundo! Tenho que lavar, passar, cozinhar, trabalhar, fazer dieta e exercícios, como todas as pessoas normais! E ainda tenho que fazer tudo isso em Inglês, tentando entender e me fazer entender diariamente, tentando ter certeza de que estou dizendo (e ouvindo) a coisa certa até prá comprar uma coisa besta no supermercado!

E o pior de tudo isso: temos que conviver com essa saudade insuportável, essa coisa apertada na garganta cada vez que a gente vê uma foto no orkut, cada vez que recebe uma carta ou email de alguém que você ama, cada vez que fica sabendo de um problema que você sequer poderia resolver se estivesse lá perto, mas poderia abraçar as pessoas e dizer o quanto se importa, mesmo não podendo fazer absolutamente  nada! Não passa… Definitivamente, não passa… A vontade de estar perto à cada aniversário de uma pessoa importante prá você, em dias de festas especiais ou feriados, em ocasiões que você realmente sente um buraco dentro do peito, um rombo no estômago, um sentimento quase incontrolável que faz você repensar no porquê de estar tão longe… sabe uma sensação de pensar “eu quero voltar prá casa???”

Não quero desanimar ninguém que está vindo prá morar, nem estudar, ou o que seja; apenas gostaria que as pessoas soubessem como muitos de nós nos sentimos longe da família, dos amigos, da nossa vida! E dizer àqueles que, como eu, estavam esperando “passar”, que a gente se acostuma sim, que a vida continua sim, que as coisas acontecem sim, mas é preciso saber viver com a falta de coisas e pessoas insubstituíveis na vida da gente… Têm dias que a deprê chega forte, que o choro fica insistindo em saltar de dentro da gente e que a TPM piora anos-luz! Hahahahaha! E aprender à conviver (e controlar!) isso tudo é que é o VERDADEIRO DESAFIO de morar no exterior… Sem dúvida alguma, quando eu for embora daqui, a maior conquista não terá sido um super Inglês, um curso legal, uma posição melhor ou um salário gigante… Terá sido, sem nenhuma dúvida, um caráter menos frágil  e um domínio próprio mais crescidinho, sem achar que o mundo roda porque estou nele! E viva o crescimento interior!!!

 

Empregos e Condicoes de Trabalho na Australia

Todos me perguntam acerca de empregos por aqui, da facilidade ou dificuldade de encontrá-los… O mercado de trabalho australiano pode ser muito competitivo e encontrar um trabalho depende de fatores econômicos, habilitações e aptidões, o tipo de trabalho procurado, a fluência na língua e outras circunstâncias particulares, que afetam a disponibilidade de certos tipos de trabalho em diferentes regiões do país! Todos os empregos e profissões por aqui estão abertos a homens e mulheres. Existem leis pra proteger os trabalhadores contra tratamentos injustos ou discriminação baseada em sexo, raça, deficiência, religião ou orientação sexual. As Leis de Igual Oportunidade de Emprego exigem que os locias de trabalho garantam que as oportunidades de carreira, promoção e formação sejam baseadas no mérito, aptidões e experiência do trabalhador, e não em tratamento preferencial ou discriminação! O Gabinete Nacional de Reconhecimento de Qualificações  do Estrangeiro (NOOSR) pode ajudar, se for um profissional formado fora da Austrália e residente permanente.

Para mais informações, sugiro os seguintes sites:

*Empregos e carreiras escassas na Australia: www.jobsearch.gov.au

*O local de trabalho australiano: www.workplace.gov.au

* Imigração especializada: www.skilledmigrant.gov.au

* Reconhecimento de qualificações comerciais: www.workplace.gov.au/tra

*AEI-NOOSR: www.aei.dest.gov.au

Estarei postando mais informações, sempre que possível, sobre empregos e sites interessantes pra encontrá-los! E também mais da cultura, costumes e história desse país lindo no qual estou vivendo! Até mais!