Brasileiros Ao Redor De Uma Mesa

Numa mesa rodeada de amigos brasileiros e um chá da tarde maravilhoso, conversávamos ontem sobre nossa experiência de viver fora do Brasil, nossas lutas e adaptações, o processo doloroso e longo de, enfim, se redescobrir, se reinventar e se ver definitivamente inserido no lugar que escolhemos pra viver. Quando esse assunto vem à tona, inevitavelmente o meu Blog é citado como fator muito importante no meu processo de adaptação e meu período de depressão e saudade excessiva de casa, no começo da nossa jornada por aqui. Alguns desses amigos ao redor da mesa, não por coincidência, são pessoas que conheci através do Blog, dando dicas, sugestões, respondendo perguntas e construindo, lentamente, relacionamentos que hoje se tornaram parte da minha história de vida aqui na Austrália.

Comentamos inclusive, que há muito tempo eu estava sem escrever e sem responder comentários por aqui. Perdoem-me todos aqueles que estão na espera, até mesmo os que já desistiram; tenho estado bastante ocupada estudando e trabalhando! A vida de fato seguiu; as coisas realmente aconteceram, e hoje me encontro quase sem tempo pro meu amado turismo australiano e pra atualizar meu Blog queridinho. “Antes tarde do que MAIS tarde”, diria a sabedoria popular internáutica facebookiana! Hahaha!

O que conversamos ao redor daquela mesa, por horas, seria de uma riqueza imensurável a cada brasileiro que sonha um dia deixar nosso país e se aventurar em terras australianas… É tanta riqueza, são tantas experiências de vida, conquistas, a busca constante do “lugar ao sol”, muitas lágrimas derramadas ao longo do processo, muita saudade “de casa”! Comentei com o pessoal que certamente iria escrever hoje, inspirada pelo papo simples de imigrantes brasileiros numa tarde de sábado qualquer. Relembrei meu próprio processo, de dor, de saudade, de não falar Inglês, até de depressão nos primeiros anos. E é gratificante demais quando a gente olha para trás, relembra, revive e até re-visita alguns lugares escondidos dentro da nossa alma, e se surpreende com nosso próprio processo de superação pessoal.

Numa mesa cheia de imigrantes brasileiros, longe de casa, se fala de futebol, de Copa do Mundo, de política, de corrupção; se fala de comida (enquanto se come muito, sempre!), de carreira, de oportunidades, de saudade e de família. Mas acima de tudo, se fala apaixonadamente de esperança, de futuro, de afinidades e sentimentos ambíguos; se compartilha sonhos,  experiências, se fala de trabalho e de expectativas. Muitas vezes falamos de frustrações e decepções; muitas vezes choramos juntos e nos emocionamos com o processo do outro…

Pessoas tão diferentes, de várias partes do nosso país, que se encontram do outro lado do mundo e estreitam laços de amizade e muitas vezes até de família mesmo. Algumas delas, tão fascinantes e de personalidades tão encantadoras, me fazem silenciar e agradecer a oportunidade de estar ali. Momentos como esses só são possíveis, porque um dia, cada uma dessas pessoas ao redor daquela mesa, decidiu sair de sua zona de conforto e ir em busca de algo… O processo de imigração exerce sobre mim um fascínio tão grande, que faz tudo valer a pena; e a coisa mais gratificante desse processo todo, com certeza, são os imigrantes com quem a gente esbarra no caminho, tornando essa aventura cada vez mais fascinante. Gente diferente, com diferentes crenças, hábitos, idéias, profissões, mas com histórias de vida encantadoras… Por si só, isso já é um grande privilégio e de um crescimento pessoal indescritível.

“Uma mente uma vez expandida jamais retorna ao seu estado original”- Albert Einstein

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quer Estudar na Austrália?

Essa semana tive o prazer de conhecer vários estudantes brasileiros em Melbourne, que vieram pra cá através do programa Ciência sem Fronteiras. Já tinha ouvido falar desse programa, mas não conhecia detalhes sobre ele.

“Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC. O projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no Programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.” (retirado da página do programa)

Conversando com os estudantes, fui descobrindo mais detalhes e me apaixonei pelo programa. Que oportunidade incrível nosso país tem oferecido para esses estudantes! E antes que comecem os “blá-blá-blás” sobre onde o Governo brasileiro deveria investir essa grana, deixo claro aqui que sou Professora e, como tal, QUALQUER investimento em Educação no Brasil, já ganha meu coração.

É fato que precisamos de investimentos em vários setores, especialmente na Educação de base; concordo e endosso. Porém, num país como o nosso, onde a grande parte do dinheiro arrecadado é destinado praticamente à corrupção, lavagem de dinheiro e roubalheira governamental, qualquer investimento na área da Educação deve ser engrandecido. Tenho lido bastante esses dias sobre o programa e me encantei! Quem me dera ter tido uma oportunidade como essa quando eu era mais jovem! De qualquer forma, segue aqui a dica para os estudantes universitários. As chamadas para o programa na Austrália já estão abertas e sugiro que você não perca a oportunidade.

Para mais informações, basta colocar “Ciência sem Fronteiras” no Google, para uma enorme quantidade de artigos, opiniões e informações sobre o programa. Mas não invista muito tempo apenas lendo, para não perder a data. Inscreva-se o quanto antes e depois aprofunde-se na leitura. Tenho certeza de que você também vai se apaixonar pela iniciativa! As inscrições estarão abertas até o dia 29 de novembro. Corre lá que ainda dá tempo! E boa sorte!

Segue de novo o site oficial do programa:

http://www.cienciasemfronteiras.gov.br/web/csf/home

5 Anos de Blog (Nunca pensei que chegaria até aqui)!

Dia desses uma grande *amiga brasileira, que conheci através do Blog, me disse carinhosamente que eu não poderia nunca abandonar esse espaço, porque foi através dele que começamos a nossa amizade.  Imediatamente me bateu uma sensação tão estranha de abandono e esquecimento, que cortou o coração… É verdade. Esse espaço já me trouxe tanta alegria, orgulho, já foi meu conselheiro, meu terapeuta; tantas lágrimas já foram derramadas no meu teclado, enquanto escrevia. Praticamente, esse cantinho aqui foi minha terapia por muito tempo. Sem contar as grandes e incríveis amizades que nasceram exatamente nas linhas de tantos posts. A história desse Blog se confunde com a minha história na Austrália!

Confesso publicamente, e de coração partido, que acabei deixando esse meu companheiro de lado, porque hoje em dia a solidão não faz mais parte da minha vida australiana. Depois de tanto tempo, a gente constrói uma rotina, um grupo de amigos, uma nova vida no lugar que escolheu pra viver e, por memória curta, acaba permitindo algumas prioridades em detrimento de outras. Eu não sou uma blogueira. Definitivamente. Isso aqui não se tornou um vício, uma “religião”, um desespero, nem mesmo um ganha-pão, como a maioria dos blogs acaba virando. De maneira alguma. Meu (quase abandonado) Blog sempre foi meu lugarzinho de desabafo, de dividir sentimentos, frustrações, de compartilhar o que eu sentia vontade, QUANDO sentia vontade. Por esse motivo, nunca “profissionalizei” a coisa, a despeito de muitos convites e da insistência de alguns amigos e leitores.

Na realidade, eu gosto assim: livre, do meu jeito, sem compromisso ou rabo preso. E gosto de aniversários também. Muito! Aí pensei comigo: Agosto é mês de aniversário do Blog, quase aniversário de chegada na Austrália. Meu “amigo” de escrita merece uma atenção especial; merece uma comemoração! Confesso também que nunca tive a pretensão de ter um espaço que sobrevivesse por longos 5 anos. Estamos celebrando Bodas de Madeira! NÃO, não vou fazer propaganda, nem sorteio de brindes para divulgar esse espaço. Muito menos vou fazer promoções pra você indicar o espaço para seus amigos e ganhar alguma coisa por isso! Para festejar com muito gosto, vou mesmo é investir um tempo respondendo a todos os comentários que ficaram perdidos por aqui, como eco nos meus ouvidos. Tenham paciência comigo e darei o meu melhor pra responder tudinho. E quero dedicar tempo pra esse meu queridinho espaço nesse mês de celebração. Quero comemorar fazendo com ele o que fazemos de melhor juntos: ESCREVER!

O mais interessante disso tudo é olhar pra trás e reler alguns dos posts antigos. Não tenho feito muito isso nos últimos tempos, mas me dá alegria e satisfação quando o faço. Ver o quanto a gente cresce, amadurece, muda e se transforma, acalenta o coração. É como ler um Diário de uma criança, que vai crescendo, amadurecendo, entra na adolescência e por fim se tornará um adulto. É assim que encaro a minha vida aqui, sempre em desenvolvimento, sempre em fase de transformação. E tudo que faz a gente sair da zona de conforto, da nossa área de ação segura, sempre gera essa sensação boa de crescimento. Hoje, cinco anos depois, posso afirmar com uma pontinha de satisfação interna, que mudar é bom, é positivo, agrega, amadurece, transforma paradigmas, muda ponto de vista, traz humildade e senso maior de interdependência. Nunca fui muito fã de mudanças… Sempre fui o tipo de pessoa pra quem os “cartões de fidelidade” foram inventados, da turma do “em time que está ganhando não se mexe”, sabem? Mas em minha pouca vivência e experiência de vida, posso afirmar que o saldo final de uma grande mudança é sempre positivo e recompensador, se formos corajosos. Mesmo que seja uma mudança, literalmente, pro outro lado do mundo…

* Esse post é dedicado à você, minha querida amiga Patrícia Tchakerian.

5-anos

Pequena Lista De Grandes Ajudas

Definitivamente, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam, por email ou pessoalmente, quando falamos sobre o processo de adaptação fora do país da gente, é como fazer para tornar o começo mais fácil, menos doloroso ou, pelo menos, mais suportável. Enquanto respondo, várias pequenas coisinhas importantes vêm à minha mente. Sempre sugiro algumas delas, para vários tipos de pessoas diferentes. Hoje, quando fui pra cama, tinha acabado de responder à um email com o mesmo tipo de dúvida e ansiedade. Então pensei: uma hora vou ter que organizar uma lista sobre o assunto… (Apenas a título de curiosidade, eu ADORO uma lista!) Resultado? Fiquei rolando na cama, com a cabeça fervendo de palavras! Cá estou eu, às 2:50 da manhã, organizando uma lista de atitudes que podem garantir um pequeno refrigério na vida daqueles que, num belo dia (ou fatídico, depende do ponto de vista!), decidiram migrar pra outro canto do mundo.

Se um dia você bateu com a cabeça e decidiu mudar de vida, largar tudo e recomeçar em um novo lugar, talvez tenha também várias dicas. Essas que compilei hoje, em minha fracassada tentativa de sono, refletem bem a minha experiência pessoal, coisas que fui aprendendo com a minha própria vivência por aqui. Olhando hoje para trás, me assombro um pouco com essa coisa doida de juntar as poucas tralhas da gente e sair pelo mundo, tentando uma vida nova. Só pode ser coisa de gente estranha, não tem outra explicação! Perdoem-me todos os companheiros imigrantes, espalhados por esse mundão afora; mas NORMAL a gente não é… Não pode ser! De qualquer forma, anormal ou não, depois de consumado o fato, a gente tem mesmo é que tentar fazer do período de adaptação o melhor que a gente puder. O que tenho visto que ajuda? O seguinte:

APRENDER A LÍNGUA LOCAL: na boa, não tem nada que deixe a gente mais a vontade, do que falar o idioma do lugar que você escolheu pra viver. É difícil a gente ter a sensação de “pertencer”, se não consegue se comunicar, não é? Todo o esforço nesse sentido, só vai trazer benefícios. Se você tiver planos de construir ou continuar uma carreira, então, aí se torna IM-PRES-CIN-DÍ-VEL!

FAZER NOVAS AMIZADES: nem vem com esse papo de timidez, de que “eu não sou uma pessoa muito sociável”, porque aí vai ficar complicado. Sem amigos, fica impossível! Eles se tornam a família da gente longe de casa, embora isso não pareça algo muito simples. Primeiro: é impossível querer comparar seus amigos que ficaram lá no Brasil, que conviviam com você desde o Jardim da Infância, ou foram criados na mesma rua jogando bola, ou trabalharam com você durante toda a sua vida… A gente leva tempo para construir relacionamentos verdadeiros e na base da confiança; não foi assim ao longo de toda a sua vida? Será assim também no novo país; tenha paciência. Segundo: não é porque o cara é brasileiro que vai se tornar seu “BFF” (Best Friend Forever) da noite para o dia! Brasileiro no exterior tem essa mania: encontra um conterrâneo e já acha que encontrou uma “alma gêmea”!  Com o tempo, você vai percebendo que é fundamental ser amigo de gente que tem a ver com você e te acrescenta, te faz bem. E vice-versa. De qualquer forma, passar o período de adaptação sozinho só vai tornar as coisas mais duras pra você.

EXPLORAR O LOCAL: se você for como eu, vai amar descobrir cada cantinho legal do seu novo lugar. Gaste tempo andando, conhecendo, passeando, explorando, experimentando… Em breve, terá novos lugares prediletos, comidas preferidas e chegará até mesmo a se questionar como pôde viver tanto tempo sem ter experimentado certas coisas incríveis, que agora fazem parte de sua rotina. Comigo funciona até hoje: bateu deprê, muita saudade, acordei com vontade de chorar? É dia de TURISMO!!! Com direito a câmera fotográfica!!! Olha, super ajuda!

CULTIVAR  SEU HOBBY: especialmente para quem veio de uma rotina frenética no Brasil, como eu, sem tempo pra quase nada, chegar aqui foi um (bom) susto! Até me acostumar com uma vida BEM mais calma, tranquila e sem tantos compromissos, levou tempo. E como é bom você enfim ter momentos só seus, para fazer o que realmente te dá prazer! É isso. A palavra é PRAZER. Busque fazer coisas que trazem alegria interior, que colocam um sorriso por dia no seu rosto… Muda tudo!

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS: não é segredo pra ninguém que a prática constante de exercícios libera uma substância natural chamada endorfina, que regula a emoção e traz sensação de bem estar. Nem todo mundo é fã disso, eu sei, mas é importante que você descubra algo que gosta de fazer e vá fundo! Os efeitos são incríveis!

CONHECER-SE MAIS: querendo ou não, buscando ou não, a experiência de mudar-se pra longe vai revelar coisas sobre você, seus sentimentos, seus valores, seus hábitos, suas posturas na vida, sua essência… Tudo fica muito à flor da pele; as coisas tomam proporções desenfreadas, muitas vezes… Esteja pronto para surpreender-se consigo mesmo! E para o próximo item da lista:

RESPEITAR-SE: com a melhora do auto-conhecimento, a gente passa a valorizar muito mais a si mesmo. É importante CONHECER e RESPEITAR seus limites. Vai ter dia que você vai querer sumir do mundo; outros, em que vai se arrepender profundamente de ter migrado! Haverá dia que você vai se perguntar mil vezes: que raios eu estou fazendo aqui??? E vai ter dia de bode, que vai querer curtir a saudade, ficar no seu canto até a coisa passar… Vá lá, permita-se! Mas não se demore muito lá, porque deprê também vicia.

MANTER CONTATO COM GENTE IMPORTANTE PRA VOCÊ: ô ponto delicado, esse! Quando a gente muda pro exterior, parece até que vira celebridade. Um batalhão de gente te adiciona no Facebook, Orkut, Google+, Twitter, e tudo quanto é raio de rede social. Sua vida parece que passa a ser mais interessante pros outros. E até gente que parece amar mais você do que antes. É, acontece… E quer saber? O tempo e a distância são excelentes formas de aperfeiçoamento de relações: o que é verdadeiro, até se estreita; o que não é, vai se tornando névoa, até você um dia perceber que está passando muito bem sem aquela pessoa, obrigada!!! Mas tem um tipo de gente, que você pode rodar o mundo, ver coisas fascinantes, viver experiências incríveis, que ainda vai te fazer tanta falta, que em alguns dias, você mal vai conseguir respirar pela ausência delas! Com essas pessoas, faça o que for pra manter contato: você não vive MESMO sem elas!

E por fim, o mais importante:

CULTIVAR UM RELACIONAMENTO COM DEUS: ainda que você não seja uma pessoa “espiritualizada”, ou não se considere um cara “de fé”, em vários momentos você vai perceber que PRECISA crer em algo muito maior. Quando alguém que você ama adoece, por exemplo. Quando alguém morre e você estava longe sem poder dizer o que deveria ser dito. Ou quando você adoece e se sente sozinho, sem as pessoas que mais ama por perto… Enfim, existem momentos que somente a fé mantém a gente em pé. Especialmente longe de casa, das pessoas de sempre e da nossa zona de conforto. Manter a fé operante num momento de tantas mudanças só contribui positivamente, é sério. Sem a minha fé, eu já teria chutado tudo isso aqui pra cima, logo no começo. Obrigada Deus, por ter me ajudado até aqui!

Nossa gente, o post ficou enorme! Desculpe-me. E lá se foi uma noite de sono. Porém, se eu conseguir ajudar alguém com a minha experiência, já terá valido muito a pena… Ufa! Agora posso dormir. As palavras por fim ocuparam seu lugar e minha mente ficou em silêncio…

fugindo de casa

Voltando Para Casa…

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas a todos os leitores do Blog, pela minha ausência tão longa. Estou em débito com um montão de gente, comentários, pedidos de ajuda… Vou responder um a um, garanto; apenas tenham paciência comigo! No final do ano que passou, eu andei meio ocupada com a vida em geral e ainda inclui nela uma viagem ao Brasil, de férias, para rever família, amigos e passar as festas de fim de ano, em dezembro/janeiro. Como a maioria dos brasileiros, cuja rotina de vida real começa apenas pós-Carnaval, aqui estou eu entrando de novo na minha rotina, muito ansiosa para escrever… Quem acompanha os meus escritos por aqui, sabe que gosto mesmo de compartilhar minhas sensações, sentimentos e conflitos mais intensos, que digam respeito à essa minha dramática e profunda relação Brasil-Austrália. Pois bem, essa foi a primeira vez que fui ao Brasil GOSTANDO de verdade de viver na Austrália.

Para quem não me conhece ou ainda não leu sobre a minha difícil adaptação aqui na Terra dos Cangurus, vale ressaltar que sofri bastante pra me acostumar, aceitar e até mesmo deixar crescer dentro de mim um sentimento de amor por esse lugar. E fico entusiasmada por poder compartilhar o que sinto, porque acredito que vai ajudar muita gente que passa pelos mesmos conflitos…Hoje, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa última viagem à Terrinha foi imprescindível para fechar definitivamente algumas lacunas em meu mundo interior. Fechei um ciclo muito doloroso, entre o desejo de voltar ao Brasil e o de permanecer vivendo aqui. Desde que me abri, de fato, para aceitar minha nova vida por aqui, tudo dentro de mim mudou. Estar no Brasil foi maravilhoso, especialmente em época de férias, Natal, Ano Novo, meu aniversário… É muito bom rever as pessoas, lugares, cheiros, gostos, emoções, sensações; mas também é doloroso ver que muitas coisas mudam, outras não mudam nada, pessoas mudam, atitudes também! Enfim, vivi de tudo um pouco nesse tempo que passei por lá.

Diferentemente da minha ida anterior, em 2010, não me senti tão a vontade quando estava por lá. Senti falta da Austrália, de verdade. Senti saudade da minha vida, dos meus amigos daqui. Pela primeira vez, me senti fora do meu “habitat natural”, estando nele… Pela primeira vez, me senti uma estranha várias vezes, em diversas situações. Pela primeira vez, me senti não fazendo parte de algo, de algum lugar ou situação. Inúmeras vezes me senti sozinha, esquisita, sobrando, até sonhando (literalmente) com Melbourne. Senti que estava meio fora “de lugar”… E que sensações estranhas foram aquelas! Me peguei diversas vezes surpreendida comigo mesma, com meus pensamentos e desejos. É incrível o quanto a gente muda. Graças a Deus por isso! Fico extasiada em observar a capacidade do ser humano em se auto-adaptar, se reinventar, reciclar, transformar-se! E eu me senti plena, VIVA, em constante mudança. Não que eu goste de grandes mudanças; longe de mim. Mas também não gosto de rotina, mais do mesmo, o de sempre…

A surpresa foi boa. O saldo foi positivo. Me senti confortável em minha própria pele. E sabe o quê? O melhor? EU GOSTEI! Em determinado momento, eu queria voltar. Pra Austrália. Bem, vou escrever de novo, porque isso ainda está soando estranho aos meus ouvidos emocionais: eu estava no Brasil e estava querendo VOLTAR! E então minha ficha caiu: finalmente, eu já sabia onde estava meu coração; já sabia onde é o lugar que meu interior reconhece agora como “LAR”. Senti paz. Como não sentia há alguns anos… E por fim, após quase 30 horas de vôo, quando botei meus pés em solo aussie novamente, aquela sensação incrível encheu meu peito de algo que nem sei descrever, e eu pude enfim dizer pra mim mesma: EU ESTOU EM CASA!!!

5 Coisas Imperdíveis Em Melbourne (III)

Melbourne é uma cidade totalmente cosmopolita, respirando diversidade, cultura, música, arte, e também repleta de atrações para todos os gostos (e bolsos, é claro!). É impossível passar um tempo por aqui sem ter a sua própria lista de coisas incríveis para sugerir. Quanto mais eu vivo aqui, ando, conheço e exploro, mais me apaixono e mais quero compartilhar. Numa lista que era pra ser de cinco, já tenho mais de DEZ coisas legais para indicar. A sugestão de hoje é pra quem gosta de frio, ou, pelo menos, para quem consegue passar frio e ainda se divertir…

3. Chill On Ice Lounge – (BAR DE GELO) NO SOUTHGATE COMPLEX:  imagine se sentir no meio de um inverno profundo na Antártida, mas estando no coração de Melbourne??? Você poderá desfrutar de uma bebida, rodeado por mais de 50 toneladas de gelo esculpido, numa temperatura de -10 graus. Tudo dentro do bar é feito de gelo – desde os bancos, o sofá da sala de estar e até mesmo o copo em que você vai beber! O local conta com uma iluminação especial que define o tom, fazendo com que rapidamente você entre no clima “glacial”, em meio a esculturas de gelo lindamente esculpidas, criando uma decoração incrível! Logo na entrada, são fornecidos  casacos, luvas e botas de lã, para que todos sejam mantidos quentes e confortáveis no espaço mais legal de Melbourne. Os coquetéis e bebidas de frutas são servidos em copos feitos inteiramente de gelo, que você vai saborear enquanto desfruta de música legal e um serviço acolhedor, em um ambiente totalmente único. O bar de gelo é uma experiência deslumbrante, que verdadeiramente transforma uma simples saída turística num momento inesquecível. Vale a pena conferir! Quando recebi a visita de uma amiga muito querida do Brasil, a gente deu uma passadinha por lá…

Minha querida amiga Carol Araújo e eu, aproveitando o “friozinho” bom do bar de gelo!

Melissa Dreams Melbourne

Foi inaugurada nesta última quarta-feira, 18, a nova e badaladíssima loja da Melissa em Melbourne, a MDreams. Com uma despojada e inovadora decoração, e um atendimento de PRI-MEI-RA, a loja conta com os mais lindos modelos do sapato que tem dado o que falar entre as australianas. Bem, para falar a verdade, o sucesso maior é mesmo entre as asiáticas, que adoram qualquer tipo de Melissa! Com aquele delicioso cheirinho de plástico novo, peculiar a nossa Melissinha, a marca brasileira tem conquistado seu espaço ao redor do mundo, com destaque especial por aqui.

A empreendedora que trouxe a nossa Melissa pra cá, passou uma temporada no Brasil, onde conheceu e se apaixonou pelos modelos, começando a comercializar os sapatos através de um site na Internet, o  www.melissaaustralia.com.au , como uma primeira experiência. O segundo passo foi tentar uma pequena loja experimental, no Shopping Melbourne Central, por 9 meses, divulgando a marca e tornando as nossas sandálias plásticas um verdadeiro hit por aqui. Como a experiência foi positiva, para a minha inenarrável alegria, ela agora cresceu e tornou-se uma loja permanente, situada no QV Melbourne, cheinha de novidades.

Sou uma verdadeira apaixonada, compradora compulsiva e amante desenfreada de sapatos; uma verdadeira “sapatólatra”, eu diria… Logo que chegamos aqui, comentei sobre a dificuldade que seria viver sem Melissa, já que sou uma consumidora apaixonada, desde os meus tempos de infância, o que nem faz tanto tempo assim… Hahahah! Ainda no Brasil, eu era do tipo de ver uma Melissa numa revista e ficar alucinada atrás dela, até que uma das lojas revendedoras finalmente conseguisse me trazer o modelo exato, no meu tamanho. Imaginem a minha completa alegria e satisfação, quando encontrei os primeiros modelos em terras Tão Tão Distantes??? Hoje, para meu conforto e realização dos meus sonhos, posso encontrar aqui mesmo os meus modelos prediletos.

Desejo o maior sucesso do mundo para a MDreams, torcendo para que, cada dia mais, a qualidade e a beleza desses modernos, coloridos, divertidos e alegres sapatos brasileiros, sejam conhecidas e divulgadas ao redor do mundo, fazendo com que a gente sinta orgulho de ser brasileiro, por ver um produto tão a cara do Brasil ganhando o mundo, o coração e os pés das mulheres de todas as nacionalidades!

CHEERS, MELISSA DREAMS AUSTRALIA!!!