Voltando Para Casa…

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas a todos os leitores do Blog, pela minha ausência tão longa. Estou em débito com um montão de gente, comentários, pedidos de ajuda… Vou responder um a um, garanto; apenas tenham paciência comigo! No final do ano que passou, eu andei meio ocupada com a vida em geral e ainda inclui nela uma viagem ao Brasil, de férias, para rever família, amigos e passar as festas de fim de ano, em dezembro/janeiro. Como a maioria dos brasileiros, cuja rotina de vida real começa apenas pós-Carnaval, aqui estou eu entrando de novo na minha rotina, muito ansiosa para escrever… Quem acompanha os meus escritos por aqui, sabe que gosto mesmo de compartilhar minhas sensações, sentimentos e conflitos mais intensos, que digam respeito à essa minha dramática e profunda relação Brasil-Austrália. Pois bem, essa foi a primeira vez que fui ao Brasil GOSTANDO de verdade de viver na Austrália.

Para quem não me conhece ou ainda não leu sobre a minha difícil adaptação aqui na Terra dos Cangurus, vale ressaltar que sofri bastante pra me acostumar, aceitar e até mesmo deixar crescer dentro de mim um sentimento de amor por esse lugar. E fico entusiasmada por poder compartilhar o que sinto, porque acredito que vai ajudar muita gente que passa pelos mesmos conflitos…Hoje, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que essa última viagem à Terrinha foi imprescindível para fechar definitivamente algumas lacunas em meu mundo interior. Fechei um ciclo muito doloroso, entre o desejo de voltar ao Brasil e o de permanecer vivendo aqui. Desde que me abri, de fato, para aceitar minha nova vida por aqui, tudo dentro de mim mudou. Estar no Brasil foi maravilhoso, especialmente em época de férias, Natal, Ano Novo, meu aniversário… É muito bom rever as pessoas, lugares, cheiros, gostos, emoções, sensações; mas também é doloroso ver que muitas coisas mudam, outras não mudam nada, pessoas mudam, atitudes também! Enfim, vivi de tudo um pouco nesse tempo que passei por lá.

Diferentemente da minha ida anterior, em 2010, não me senti tão a vontade quando estava por lá. Senti falta da Austrália, de verdade. Senti saudade da minha vida, dos meus amigos daqui. Pela primeira vez, me senti fora do meu “habitat natural”, estando nele… Pela primeira vez, me senti uma estranha várias vezes, em diversas situações. Pela primeira vez, me senti não fazendo parte de algo, de algum lugar ou situação. Inúmeras vezes me senti sozinha, esquisita, sobrando, até sonhando (literalmente) com Melbourne. Senti que estava meio fora “de lugar”… E que sensações estranhas foram aquelas! Me peguei diversas vezes surpreendida comigo mesma, com meus pensamentos e desejos. É incrível o quanto a gente muda. Graças a Deus por isso! Fico extasiada em observar a capacidade do ser humano em se auto-adaptar, se reinventar, reciclar, transformar-se! E eu me senti plena, VIVA, em constante mudança. Não que eu goste de grandes mudanças; longe de mim. Mas também não gosto de rotina, mais do mesmo, o de sempre…

A surpresa foi boa. O saldo foi positivo. Me senti confortável em minha própria pele. E sabe o quê? O melhor? EU GOSTEI! Em determinado momento, eu queria voltar. Pra Austrália. Bem, vou escrever de novo, porque isso ainda está soando estranho aos meus ouvidos emocionais: eu estava no Brasil e estava querendo VOLTAR! E então minha ficha caiu: finalmente, eu já sabia onde estava meu coração; já sabia onde é o lugar que meu interior reconhece agora como “LAR”. Senti paz. Como não sentia há alguns anos… E por fim, após quase 30 horas de vôo, quando botei meus pés em solo aussie novamente, aquela sensação incrível encheu meu peito de algo que nem sei descrever, e eu pude enfim dizer pra mim mesma: EU ESTOU EM CASA!!!

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O Poder de Cura da Auto-Permissão

Quem acompanha o meu Blog sabe que tento sempre animar a todos; levantar o astral, encorajar, motivar e dizer tudo que esse lugar tem de bom, de positivo, tudo que torna a Austrália um canto tão especial desse mundo! Afinal, se a minha opinião escrita não edifica, não encoraja e não motiva, nem acho que ela mereça ser ouvida (nesse caso, lida)! Porém, como todo mundo, tenho os meus dias de abrir os olhos e desejar voltar pra debaixo das cobertas e só sair de lá tipo, uns 2 meses depois… Nesses dias, a maior inimiga é a minha própria auto-motivação. Não me permito ficar chorando pelos cantos, resmungando, sofrendo, com pena de mim mesma. Nunca. Tenho técnicas altamente desenvolvidas para uso pessoal e divido isso com as outras pessoas. Quando acordo assim, começo logo a criar uma série de coisas pra fazer, tipo uma agenda de “renovo de ânimo” para o dia: vou passear pela linda cidade de Melbourne, sentar no meu café predileto, comer uma sobremesa divina de chocolate, sem nem pensar nas calorias; vou bater pernas no Shopping, ver vitrines, ou visitar meus pontos turísticos favoritos. Sempre funciona. E ensino isso para todas as pessoas que se sentem meio pra baixo por aqui…

Bem, longe de mim querer me contradizer, ou desabonar minha própria teoria de que, mudando de ares, de pensamento, de foco, de paisagem, as coisas vão melhorando dentro da gente. Acredito nisso. Faço isso. Vivo isso. Porém, hoje eu decidi me permitir… Acordei com uma saudade quase palpável, de tão forte. A presença dela era tão real, que quase pude vê-la e convidá-la para um café e uma boa prosa… Foi o que eu fiz! Não tentei fugir dela, nem enganá-la. Não criei subterfúgio algum para desviar a dor da mente, nem do coração. Ao contrário, me permiti sentir, com a força do meu coração! Chorei. Lembrei. Ouvi músicas. Revi fotos. Busquei fragmentos na memória, cheiros, cores, sabores, conversas, abraços, carinhos… Chorei de novo. Deixei recados nas timelines de alguns dos meus amores no Facebook. Declarei meu amor por eles. Chorei mais um pouco. Gastei algumas horas papeando no Skype com gente que amo  e sinto falta todo dia. E termino esse dia chorando mais um pouquinho e esperando minha mãe acordar lá no Brasil, pra poder ligar pra ela e falar do meu amor. E chorar mais um bocadinho, “no colo” de quem me socorreu a vida toda, quando eu sempre precisei…

Enfim, eu só queria que todas as pessoas pra quem já dei o conselho de superar a tristeza, dominar os pensamentos e as emoções ou mudar o rumo de um dia triste, soubessem que a gente se permitir sofrer em algumas ocasiões também é curador. Curtir um pouquinho de saudade, de amor não correspondido ou qualquer tipo de perda, também é um meio de extravasar a angústia de dentro do peito. Mas vamos combinar?  Amanhã a gente já retoma o controle da situação, certo???

A razão da minha saudade…

“A Síndrome Do Regresso”

Tenho conversado com alguns amigos que voltaram a morar no Brasil e as conversas são sempre as mesmas, sobre a questão da readaptação. Alguns ainda estão no momento de organização da “nova fase”, outros já vivendo normalmente. Mas sempre é um caso a ser pensado e repensado. Uma amiga compartilhou uma matéria da Folha.com no Facebook, que organizou e sintetizou muito bem as minhas idéias e daqueles que estão voltando. Acredito que todo mundo que mora fora, ou que pensa em morar, ou até mesmo os que pensam em voltar, devem ler, debater, ouvir experiências… Muitas vezes, a saudade, as dificuldades, ou qualquer frustração no processo de viver longe do país de origem, fazem com que a gente pense logo em fazer as malas e voltar correndo. Por isso, acho as reportagens a seguir fundamentais para abrir a nossa mente e promover uma discussão interna acerca do processo de imigração. Isso é sério. A gente não muda e “desmuda” como se fosse a coisa mais simples e fácil desse mundo. Vale a pena conferir…

De volta ao país, brasileiros sofrem ‘síndrome do regresso’

AMANDA LOURENÇO

JULIANA CUNHA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A crise dos países desenvolvidos está levando muitos brasileiros a fazerem as malas de volta para casa. Segundo o Itamaraty, 20% dos que moravam nos EUA e um quarto dos que moravam no Japão já retornaram desde o começo da recessão, em 2008. 

O relatório de 2011 sobre a população expatriada sai no fim deste mês, e a taxa de retorno deve ser ainda maior. Há tanta gente comprando a passagem de volta e tanta dificuldade de reintegração ao mercado de trabalho brasileiro que o Itamaraty lançou o “Guia de Retorno ao Brasil”, distribuído nas embaixadas.

O caminho de volta pode gerar depressão. É a “síndrome do regresso”, termo cunhado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar certo “jet lag espiritual” que aflige ex-imigrantes.

Morto em 2011, Nakagawa estudava a frustração de brasileiros que voltavam ao país após uma temporada de trabalho em fábricas japonesas.

“A adaptação em um país diferente acontece em seis meses, já a readaptação ao país de origem demora dois anos”, diz a psicóloga Kyoko Nakagawa, viúva do psiquiatra e coordenadora do projeto Kaeru, de reintegração de crianças que voltam do Japão.

Se ao sair do país o imigrante se cerca de cuidados para amenizar o choque cultural, no retorno a ilusão é de que basta descer do avião para se sentir em casa.

“Retornar é uma nova imigração”, diz a psicoterapeuta Sylvia Dantas, coordenadora do projeto de Orientação Intercultural da Unifesp. “A sensação é de que perdemos o bonde, estamos por fora do que deveríamos conhecer como a palma da mão.”

Quando voltou do segundo intercâmbio no Canadá, o gerente de marketing Rafael Marques, 33, descobriu que havia ficado para tio: “Todos os meus amigos estavam casados, com outras prioridades. Demorei meses para me situar”. Resultado: deprimiu. Recuperado, hoje ele trabalha com intercâmbios.

Para amenizar o estranhamento, a analista de marketing Natasha Pinassi, 34, se refugiou nos amigos feitos durante sua vivência de um ano na Austrália: “Em pouco tempo no Brasil percebi que deveria ter feito minha vida na Austrália. Já não via graça nas pessoas e nos lugares que frequentava antes. Só conversava com brasileiros que conheci no exterior”.

A família pouco ajudava: “Não pude falar o que sentia. Eu me culpava por estar sofrendo enquanto meus pais estavam felizes com minha volta”, diz Natasha, que tomou antidepressivos para tentar sair desse estado.

 A síndrome não é exclusividade dos brasileiros. “Em minhas pesquisas com imigrantes, percebi um sentimento geral de que o país deixado não é o mesmo na volta”, diz Caroline Freitas, professora de antropologia da Faculdade Santa Marcelina. “Um português me disse não querer voltar por saber que Portugal já não estaria lá.”Quem sofre de síndrome do regresso é frequentemente considerado esnobe. Parentes e amigos têm pouca paciência com quem volta reclamando: “O retorno tem uma significação para aquele que ficou. Junto com saudade, há um sentimento inconsciente de abandono, ressentimento e de inveja daquele que se aventurou”, explica Dantas.

Para Nakagawa, amigos costumam simplificar o processo de reintegração: “Há uma pressão para que a pessoa ‘se divirta’. Na melhor das intenções, os amigos não respeitam o tempo do viajante”.

Se a família também não ajudar, o ideal é procurar um psicólogo com formação intercultural. Em São Paulo, o núcleo intercultural da Unifesp dá orientação gratuita.

 

Também é muito interessante ver o relato de algumas pessoas que voltaram e compartilham sua experiência. Já escrevi aqui um post, acerca de fazermos as contas ANTES de tomarmos a decisão de viver longe, mas é também interessante o tal planejamento até na hora de voltar. Leia os depoimentos NOSTALGIA E DECEPÇÃO COM O PAÍS LEVAM À DEPRESSÃO DO RETORNO e também outro muito bom intitulado FOI UM CHOQUE VOLTAR AO INTERIOR.

Essas matérias me ajudaram muito e, de coração, espero que seja útil a todos nós, imigrantes aventureiros, espalhados pelo mundo afora.

 

Vida De Imigrante Nem Sempre É Fácil…

Desejo de coração que nesse Natal, muitos brasileiros consigam viver a alegria de ESTAR PERTO! Esse vídeo é bem próximo da realidade de muitos brasileiros que vivem longe de casa… Nem preciso dizer o quanto me emocionei, preciso? Tive que compartilhar com vocês… A imagem vale mais do que TODAS as palavras do mundo!!!

O Fim De Uma Longa Espera

Enfim, chegou. Idealizei esse dia por longos 3 anos. Esperei por ele muitas e muitas vezes. Chorei ansiando que ele chegasse logo, por incontáveis vezes. Rodeei essa data de muitas expectativas. Cheguei a contar o tempo inúmeras vezes, fazendo as contas de quanto ainda teria que percorrer… Quando viemos para a Austrália, era esse o montante de tempo: 3 anos. Três LONGOS anos. Exatos 1.095 dias. Vinte e seis mil, duzentas e oitenta horas. Parecia impossível, quase insuportável. O contrato de trabalho do meu marido era a nossa referência de tempo. Pensava comigo, às vezes até em voz alta, que exatamente no dia do término do contrato, eu estaria de malas prontas na porta e passaporte na mão.

Um casal de amigos muito querido, daqueles mais chegados que irmãos, me presenteou com uma graça de relógio, na ocasião da nossa partida. Além de ser bonito, o tal presente veio carregado de simbologia: era para que eu contasse o tempo até o nosso momento de voltarmos para o Brasil! E eu contei… Nossa, como eu contei! Sou daquele tipo de pessoa para quem os cartões de fidelidade foram inventados. Gosto sempre dos mesmos lugares. Dos mesmos restaurantes, das mesmas comidas. Gosto de viajar sempre para meus os lugares prediletos. Tenho marcas preferidas para tudo que se pode imaginar nessa vida. Gosto dos mesmos amigos. Uns poucos, mas fiéis. Experimentar não é, definitivamente, uma das minhas palavras descritivas. Até hoje, quando eu penso em tudo que envolve uma mudança de país, me pego pensando, admirada: Deus do céu, como eu fui capaz de fazer isso?

É, eu fui… Talvez até porque eu tivesse essa data em mente, a tal que finalizaria meu “martírio” longe de tudo que realmente tinha importância para mim. Dentro do meu coração, estava sempre me prometendo: eu vou, mas eu volto! Logo que cheguei aqui, inconscientemente, eu vivia me esforçando para estragar tudo. Era um esforço DELIBERADO para não gostar de nada. Lembro-de de inúmeras situações em que fui extremamente insuportável, quando as pessoas me falavam bem de algo por aqui e eu respondia com toda a “singeleza”de um rinoceronte, que eu não precisava de nada novo, que eu estava satisfeita com tudo que sempre tive e conheci. Não precisava de uma língua nova, a minha estava excelente para o meu domínio. Não estava interessada numa cultura nova, já que eu tinha a minha própria. Não estava aberta para uma nova Igreja, porque a “minha” no Brasil seria a minha para sempre. Imagine uma pessoa estraga-prazeres. Multiplique por mil. Eu ganharia dela, de longe!

E lá no íntimo, eu pensava que seria melhor mesmo não me envolver com nada, porque eu iria embora assim que nosso contrato terminasse. E passaria a chave na porta, feliz da minha vida; daria um grande viva e sairia saltitante feito uma gazela enlouquecida, rumo ao Aeroporto. Nossa! Só de pensar eu vibrava! Puxa, quanto tempo ainda falta mesmo para esse dia chegar??? Absolutamente, nem um segundo! E não há malas, bilhetes de viagem, caixas de mudança, ou sequer um passaporte válido, já que o meu está vencido! E o que eu acho ainda melhor: não há mais uma data a esperar! Não há mais planos de ir embora. Não se conta mais o tempo nessa casa!

Conquistei após esses anos, aquela sensação agradável de gostar de onde se está, de gostar de viver como se está vivendo… Aprendi a amar Melbourne como minha, a me liberar (e liberar meu coração) para amar tanto a Austrália como o Brasil; a entender que a minha vida lá era boa, sim, mas aqui no momento é melhor! Levei muito tempo lutando dentro de mim para admitir isso, mas hoje se eu tivesse mesmo que voltar, estaria muito triste. Eu QUERO ficar. Eu QUERO viver aqui. Tenho planos para o futuro, AQUI. Sei que muitos que me conhecem, lerão isso com espanto, exceto minha melhor amiga, que sempre me diz estar se preparando para uma decisão minha de permanecer aqui para sempre. “PARA SEMPRE” é muito tempo, mas pela primeira vez, ao comemorar um aniversário de mudança pra cá, e pensar sobre isso, tenho alegria em meu coração ao afirmar SEM MEDO: eu QUERO ficar aqui!

Sei que Deus é quem dirige meus passos, minha vida e a vida da minha família, mas se Ele me permitir, por enquanto, é aqui o lugar onde eu quero estar. Desejo manter meu coração  sempre aberto e receptivo às mudanças que a vida me trouxer, mas por hora, se me for dado o direito de escolha, Melbourne é o lugar onde quero continuar escrevendo a minha história… Mais do que NUNCA, posso dizer ao terminar esse post: FELIZ ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS PARA A NOSSA FAMÍLIA! E aos nossos amigos amados, que me presentearam com o relógio, posso garantir que vou usá-lo, ainda contando o tempo… Sempre contando o tempo até as nossas próximas férias no Brasil!

Nada Na Vida É Para Sempre…

Pode até parecer fatalista. E é. Mas a verdade é que as coisas sempre são passageiras; as situações mudam constantemente, num simples piscar de olhos. E eu precisei mudar de rotina, de país e de vida, para entender plenamente essa verdade. Confesso, sem falsa modéstia e nem sombra de hipocrisia, que estou muito orgulhosa de mim mesma. Por anos à fio, tive a sensação de que eu era extremamente madura, absolutamente sábia e experiente, por muitas coisas que tive que superar nessa vida, mas hoje vejo aquela petulância inerente às pessoas jovens, que acreditam SABER TUDO! Não consigo evitar uma boa risada ao pensar nisso…

A vida me surpreendeu. Esses quase 3 anos de vivência no exterior me amadureceram mais do que todos os outros vividos na minha então zona de conforto. Posso afirmar que tenho sido transformada. E gosto de quem estou me tornando. Gosto do que a vida tem feito em mim. Fato. Mas essa semana tenho experimentado algo muito novo, que tem trazido um grande alento ao meu coração… Mais uma vez, grandes amigos estão indo embora. Pessoas com as quais a gente se envolveu, compartilhou, amou, chorou, riu, dividiu, somou, e agora somos obrigados à subtrair! Já falei aqui mais de uma vez, que uma das piores coisas para mim é essa eterna sensação de que, em breve, vamos nos despedir de mais alguém. Nem todo mundo veio para ficar. A maioria tem um tempo determinado, com planos de volta ao Brasil ou seu país de origem.

Quando recebi a notícia da data de embarque deles (fui a primeiríssima a saber), meu coração acelerou. Imediatamente entrei no meu processo de estimação de reclamação mental, de “coitadismo” interior, pensando que eu não precisava passar por isso, DE NOVO! Há 3 anos vivo essa coisa de me despedir, constantemente… E olha, se eu tivesse uma caixa de bombons por perto, teria me afundado nela, iniciando (com consciência!) um processo depressivo. Mas fiz o que eu tinha ao meu alcance, até porque estou de dieta: falei com Deus! E no meu processo de “terapia com o Todo-Poderoso”, comecei a enxergar algo diferente brotando em mim. Notei, lá fundo, um certo desejo de não me entregar, de não me deixar abater, mas de procurar responder à esse momento com amadurecimento, deixando a “menininha mimada” dentro de mim totalmente desconcertada!

Comecei a pensar no quanto eles estão felizes por voltar. E me alegrei junto. Comecei a pensar o quanto foi bom todo esse tempo que caminhamos juntos. E agradeci pela oportunidade de conhecê-los. Comecei a pensar em quantas vezes ainda terei que me despedir de pessoas que amo. E decidi aproveitar com alegria cada segundo que me for dado em companhia deles. Então eu entendi. Realmente estou mudando. Estou evoluindo. Como pessoa. O amadurecimento tão sonhado está batendo à minha porta. E a resposta a ele é de minha inteira responsabilidade. A escolha de ficar sofrendo e chorando, me lamentando e lambendo as minhas feridas, ou me sentindo uma coitada, é MINHA! Que libertador isso! E me levantei, decidida a ser autora da minha própria história. Decidida à usar tudo o que a vida tem me dado para construir a pessoa que quero efetivamente me tornar.

Aos nossos amigos que estão indo, só tenho à agradecer. Por absolutamente TUDO. Mas principalmente, porque sei que esse tempo juntos foi apenas o começo de uma história de amizade que vai durar, independente de distância. E porque, mesmo sem saber, eles ainda estão me ajudando a me conhecer mais, me respeitar mais e me ver, definitivamente, como a mulher forte que eu realmente estou me tornando… Obrigada, meus queridos! Eu amo vocês três. Mais do que nunca!

Nossa "família" aussie!

Derrubando Um Mito

O assunto mais questionado aqui no Blog, ou nos emails que os leitores me escrevem, invariavelmente passa pela fama que Melbourne tem, de ser uma das cidades mais caras da Austrália. Verdade seja dita, o custo de vida aqui é alto; mas se a gente volta, as coisas não serão nem um pouco diferentes, como podemos ver abaixo nas duas reportagens sobre o levantamento do custo de vida no mundo. Com o novo ranking das cidades mais caras, podemos ver São Paulo ganhando de Melbourne, o que derruba o tal mito, pelo menos por enquanto.  A primeira eu li no site da Globo ( São Paulo é cidade mais cara das Américas) e a segunda na página de Economia da IG ( São Paulo é 10ª cidade mais cara do mundo). De qualquer forma, tudo precisa ser pesado, levando em consideração a qualidade de vida, segurança e desenvolvimento econômico. Acredito que vai ajudar muitas pessoas que estão se organizando para passarem uma temporada por aqui ou mesmo para aqueles que estão vindo pra ficar! Espero que seja útil…