Pequena Lista De Grandes Ajudas

Definitivamente, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam, por email ou pessoalmente, quando falamos sobre o processo de adaptação fora do país da gente, é como fazer para tornar o começo mais fácil, menos doloroso ou, pelo menos, mais suportável. Enquanto respondo, várias pequenas coisinhas importantes vêm à minha mente. Sempre sugiro algumas delas, para vários tipos de pessoas diferentes. Hoje, quando fui pra cama, tinha acabado de responder à um email com o mesmo tipo de dúvida e ansiedade. Então pensei: uma hora vou ter que organizar uma lista sobre o assunto… (Apenas a título de curiosidade, eu ADORO uma lista!) Resultado? Fiquei rolando na cama, com a cabeça fervendo de palavras! Cá estou eu, às 2:50 da manhã, organizando uma lista de atitudes que podem garantir um pequeno refrigério na vida daqueles que, num belo dia (ou fatídico, depende do ponto de vista!), decidiram migrar pra outro canto do mundo.

Se um dia você bateu com a cabeça e decidiu mudar de vida, largar tudo e recomeçar em um novo lugar, talvez tenha também várias dicas. Essas que compilei hoje, em minha fracassada tentativa de sono, refletem bem a minha experiência pessoal, coisas que fui aprendendo com a minha própria vivência por aqui. Olhando hoje para trás, me assombro um pouco com essa coisa doida de juntar as poucas tralhas da gente e sair pelo mundo, tentando uma vida nova. Só pode ser coisa de gente estranha, não tem outra explicação! Perdoem-me todos os companheiros imigrantes, espalhados por esse mundão afora; mas NORMAL a gente não é… Não pode ser! De qualquer forma, anormal ou não, depois de consumado o fato, a gente tem mesmo é que tentar fazer do período de adaptação o melhor que a gente puder. O que tenho visto que ajuda? O seguinte:

APRENDER A LÍNGUA LOCAL: na boa, não tem nada que deixe a gente mais a vontade, do que falar o idioma do lugar que você escolheu pra viver. É difícil a gente ter a sensação de “pertencer”, se não consegue se comunicar, não é? Todo o esforço nesse sentido, só vai trazer benefícios. Se você tiver planos de construir ou continuar uma carreira, então, aí se torna IM-PRES-CIN-DÍ-VEL!

FAZER NOVAS AMIZADES: nem vem com esse papo de timidez, de que “eu não sou uma pessoa muito sociável”, porque aí vai ficar complicado. Sem amigos, fica impossível! Eles se tornam a família da gente longe de casa, embora isso não pareça algo muito simples. Primeiro: é impossível querer comparar seus amigos que ficaram lá no Brasil, que conviviam com você desde o Jardim da Infância, ou foram criados na mesma rua jogando bola, ou trabalharam com você durante toda a sua vida… A gente leva tempo para construir relacionamentos verdadeiros e na base da confiança; não foi assim ao longo de toda a sua vida? Será assim também no novo país; tenha paciência. Segundo: não é porque o cara é brasileiro que vai se tornar seu “BFF” (Best Friend Forever) da noite para o dia! Brasileiro no exterior tem essa mania: encontra um conterrâneo e já acha que encontrou uma “alma gêmea”!  Com o tempo, você vai percebendo que é fundamental ser amigo de gente que tem a ver com você e te acrescenta, te faz bem. E vice-versa. De qualquer forma, passar o período de adaptação sozinho só vai tornar as coisas mais duras pra você.

EXPLORAR O LOCAL: se você for como eu, vai amar descobrir cada cantinho legal do seu novo lugar. Gaste tempo andando, conhecendo, passeando, explorando, experimentando… Em breve, terá novos lugares prediletos, comidas preferidas e chegará até mesmo a se questionar como pôde viver tanto tempo sem ter experimentado certas coisas incríveis, que agora fazem parte de sua rotina. Comigo funciona até hoje: bateu deprê, muita saudade, acordei com vontade de chorar? É dia de TURISMO!!! Com direito a câmera fotográfica!!! Olha, super ajuda!

CULTIVAR  SEU HOBBY: especialmente para quem veio de uma rotina frenética no Brasil, como eu, sem tempo pra quase nada, chegar aqui foi um (bom) susto! Até me acostumar com uma vida BEM mais calma, tranquila e sem tantos compromissos, levou tempo. E como é bom você enfim ter momentos só seus, para fazer o que realmente te dá prazer! É isso. A palavra é PRAZER. Busque fazer coisas que trazem alegria interior, que colocam um sorriso por dia no seu rosto… Muda tudo!

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS: não é segredo pra ninguém que a prática constante de exercícios libera uma substância natural chamada endorfina, que regula a emoção e traz sensação de bem estar. Nem todo mundo é fã disso, eu sei, mas é importante que você descubra algo que gosta de fazer e vá fundo! Os efeitos são incríveis!

CONHECER-SE MAIS: querendo ou não, buscando ou não, a experiência de mudar-se pra longe vai revelar coisas sobre você, seus sentimentos, seus valores, seus hábitos, suas posturas na vida, sua essência… Tudo fica muito à flor da pele; as coisas tomam proporções desenfreadas, muitas vezes… Esteja pronto para surpreender-se consigo mesmo! E para o próximo item da lista:

RESPEITAR-SE: com a melhora do auto-conhecimento, a gente passa a valorizar muito mais a si mesmo. É importante CONHECER e RESPEITAR seus limites. Vai ter dia que você vai querer sumir do mundo; outros, em que vai se arrepender profundamente de ter migrado! Haverá dia que você vai se perguntar mil vezes: que raios eu estou fazendo aqui??? E vai ter dia de bode, que vai querer curtir a saudade, ficar no seu canto até a coisa passar… Vá lá, permita-se! Mas não se demore muito lá, porque deprê também vicia.

MANTER CONTATO COM GENTE IMPORTANTE PRA VOCÊ: ô ponto delicado, esse! Quando a gente muda pro exterior, parece até que vira celebridade. Um batalhão de gente te adiciona no Facebook, Orkut, Google+, Twitter, e tudo quanto é raio de rede social. Sua vida parece que passa a ser mais interessante pros outros. E até gente que parece amar mais você do que antes. É, acontece… E quer saber? O tempo e a distância são excelentes formas de aperfeiçoamento de relações: o que é verdadeiro, até se estreita; o que não é, vai se tornando névoa, até você um dia perceber que está passando muito bem sem aquela pessoa, obrigada!!! Mas tem um tipo de gente, que você pode rodar o mundo, ver coisas fascinantes, viver experiências incríveis, que ainda vai te fazer tanta falta, que em alguns dias, você mal vai conseguir respirar pela ausência delas! Com essas pessoas, faça o que for pra manter contato: você não vive MESMO sem elas!

E por fim, o mais importante:

CULTIVAR UM RELACIONAMENTO COM DEUS: ainda que você não seja uma pessoa “espiritualizada”, ou não se considere um cara “de fé”, em vários momentos você vai perceber que PRECISA crer em algo muito maior. Quando alguém que você ama adoece, por exemplo. Quando alguém morre e você estava longe sem poder dizer o que deveria ser dito. Ou quando você adoece e se sente sozinho, sem as pessoas que mais ama por perto… Enfim, existem momentos que somente a fé mantém a gente em pé. Especialmente longe de casa, das pessoas de sempre e da nossa zona de conforto. Manter a fé operante num momento de tantas mudanças só contribui positivamente, é sério. Sem a minha fé, eu já teria chutado tudo isso aqui pra cima, logo no começo. Obrigada Deus, por ter me ajudado até aqui!

Nossa gente, o post ficou enorme! Desculpe-me. E lá se foi uma noite de sono. Porém, se eu conseguir ajudar alguém com a minha experiência, já terá valido muito a pena… Ufa! Agora posso dormir. As palavras por fim ocuparam seu lugar e minha mente ficou em silêncio…

fugindo de casa

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Voltando Ao (meu) Mundo Virtual

Olá leitores! Depois de “um longo e tenebroso inverno”, aqui estou eu de volta ao meu Blog! Sinto mesmo por ter sumido do mapa, mas estava terminando meu curso… Oficialmente DE FÉRIAS, tomei vergonha na cara e apareci para responder aos comentários, emails e afins! E vou me empenhar para estar presente em todo o meu período de descanso, porque tenho muita coisa para contar, dividir e comentar! Nunca tinha me acontecido antes uma ausência tão longa de vocês e dos meus posts; afinal, amo escrever! Mas, andei me dedicando bastante aos estudos nessa reta final!

Dezembro é um mês dos mais complicados para mim, vivendo tão longe da família, dos amigos, do meu país, das minhas raízes e tradições, por isso fico meio xarope… Mas vou tentar fazer desse mês mais alegre, escrevendo mais, dando mais dicas e compartilhando mais desse lugar lindo que escolhi (REALLY???) para viver! Além de Natal, Ano Novo e meu aniversário, é aniversário das minhas duas irmãs (inclusive, uma delas no MESMO DIA que eu)! Como se não bastasse, esse ano a minha melhor amiga está se casando lá no Brasil e eu não poderei compartilhar desse momento pessoalmente… Coisas de quem vive tão longe… E, além de longe, está caro pra caramba!

Então, tenho um longo e difícil DEZEMBRO para encarar logo ali, à minha frente! Nada melhor do que ter um lugarzinho para desabafar, não é?  Mas fiquem a vontade; caso eu esteja chata demais, ou azeda demais, não hesitem! Podem deixar de ler os posts mais amarguinhos, combinado?

Bom estar de volta, bom escrever e principalmente, bom poder desejar a todos um DEZEMBRO alegre, de esperanças renovadas, novos planos, sonhos e projetos! E, para aqueles que, como eu, têm um Dezembro a ser superado, em função da saudade que essa época do ano traz, muita força, luz, ânimo e fé em Deus! A gente consegue…

De qualquer forma, seja bem vindo, Sr. Dezembro!!!

Não Aprendi Dizer ADEUS!

Uma das coisas mais chatas e dolorosas por aqui, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, é a constante participação em festas de despedida! Como estamos longe de casa, a maioria dos amigos que temos são pessoas que também estão longe de casa. Isso nos torna mais íntimos, mais próximos, compartilhando dores semelhantes, dúvidas semelhantes, dificuldades semelhantes, enfim, VIDAS SEMELHANTES! E como não poderia deixar de ser, nem todos estão aqui prá ficar de vez! Na realidade, a grande maioria veio para estudar, ou trabalhar em algum projeto, ou veio e decidiu voltar, por razões pessoais.

Isso torna tudo mais difícil, levando-se em consideração que morar fora nos torna mais sensíveis, mais quebrantados, trazendo às nossas amizades por aqui um significado muito mais forte! Logo que chegamos, bem no primeiro dia de Austrália, conhecemos pessoas de monte. Nem todos se tornaram nossos amigos de verdade, mas os que se tornaram, marcaram nossas vidas. E como tinha de ser, nem todos estavam aqui prá ficar…

Então, desde que chegamos, comecei a computar a dor de dizer adeus à pessoas que começavam a fazer parte dos nossos dias, das nossas vidas. Veja bem, você pode pensar: “Mas vocês estão fora há apenas 2 anos e alguns meses e já conseguiram fazer amigos que, ao partirem, provocam tanta dor?” Sim, a resposta é SIM! Quando compartilhamos sonhos, dores, frustrações, medos, dúvidas, quando precisamos de ajuda até mesmo prá comprar comida, porque você não conhece praticamente NADA, as relações tomam rumos muito mais profundos, os laços se aprofundam muito mais rapidamente do que em relações normais.

Nossa primeira despedida aconteceu logo na segunda semana de Austrália! Calma, não fizemos amigos com essa rapidez! Na verdade, quando viemos prá cá, já tínhamos bons amigos morando em Melbourne. Um grande amigo do meu marido, com quem ele morou e estudou no período da Faculdade, já estava morando aqui com a esposa e filho (Maurício, Eveline e Oliver). Por isso viemos com segurança, acreditando que as coisas seriam mais fáceis com eles aqui. Mas, advinhem? Ele foi transferido para outro Estado, no mesmo mês em que chegamos! Agora moram em Brisbane!

Logo na segunda semana, lá estávamos nós no Aeroporto de novo!

Depois de um tempo, lá vamos nós nos despedir de Raquel e Ricardo, que voltavam ao Brasil! Amigos queridos que passaram nosso primeiro Natal aqui com a gente!

Despedida no restaurante mexicano "Amigos"! Nome propício, não?

E por incrível ( e triste!) que possa parecer, uma semana depois lá se vão prá Suíça, de mudança, Cadú e Juliana, “grávidos” do pequeno Mark!

Casal querido que nos ajudou muito a RECOMEÇAR por aqui!

A próxima despedida aconteceu quando finalizei meu curso de Inglês. Você passa 5 horas por dia, 5 dias na semana, vendo as mesmas pessoas que compartilham de sua “homesick”, de suas lágrimas de saudades, da falta de sua vida anterior… Mais laços por afinidades, claro!

Senti muita falta dessa galera que me fazia rir MUITO!

Na próxima despedida, pensei que não daria conta! Marcus e Andréa, nossos amigos mais chegados, foram transferidos pros EUA! Estávamos então sem Cadú, Juliana, Marcus e Andréa, aqueles que nos deram a maior força desde que chegamos! Gente, doeu, viu?!

Eu só pensava uma coisa nesse dia: quero ir embora também!

Pensam que acabou? Antes tivesse acabado! Logo depois Patrícia, Cláudio e Laurinha terminavam seus planos por aqui! Lá vamos nós ao Aeroporto ( de novo!) chorar e dizer adeus para outros amigos do coração! Mas na despedida deles, conhecemos os casais Maurício e Natasha/ Rosana e Nixon , que agregaram à nossa turma e se tornaram MUITO queridos para todos nós! Obrigada, Pati! Você foi, mas dividiu pessoas maravilhosas conosco!

Da esquerda para a direita: Natasha, eu, Pati e Angela!

 Logo em seguida, uma das “Powerpuff Girls” deixou nossa turma de “Meninas Super Poderosas” do café da manhã! Nossas manhãs de sexta NUNCA MAIS  foram as mesmas sem ela… Sentimos falta dela toda vez que nos reunimos!

Sinto muita falta dessa família tão querida!

Recentemente, nos despedimos de outra família querida: Juliana, Daniel e Júlia linda! Também terminaram seu tempo aqui e voltaram para a Bahia!

Temos certeza de que um dia vamos nos reencontrar no Brasil, queridos!

E hoje, exatamente, estamos nos despedindo do Eugênio, Adriana, João Pedro e Luís Felipe! Somos conterrâneos dessa família querida (guaratinguetaenses, com orgulho!) e nos encontramos aqui em Melbourne depois de anos e anos sem nos vermos! Os filhos deles foram os primeiros amigos do meu filho por aqui e me lembro da alegria que senti ao ver meu filho sorrir e se divertir pela primeira vez, quando fomos visitá-los logo que chegamos!  Obrigada, queridos, pela amizade, pelo carinho, pela ajuda e companhia. Jamais nos esqueceremos de tudo que vivemos juntos por aqui!

Famílias Amigas!

Sei que esse post ficou enorme, como o vazio que fica no coração da gente quando temos que nos despedir de pessoas que amamos! Mas termino deixando um caloroso “ATÉ BREVE” à todos vocês que conquistaram um lugar especial em nosso coração!

 

Sand Sculpting Australia 2010…

Great Moments in History (Grandes Momentos na História) – Esse é o tema desse ano para a Exposição de Esculturas na Areia realizada anualmente por aqui! Aberta em dezembro, estará lá até o dia 26 de abril, quando as esculturas serão destruídas e a areia será reutilizada para as novas esculturas do ano que vem!

Além da exposição, nos finais de semana eles têm um “workshop”, onde as crianças podem brincar de esculpir suas próprias caricaturas e figuras! Também têm pintura no rosto e confecção daquelas pequenas garrafas com areia colorida dentro, bem típicas de artesanato caiçara! Adoro!

A exposição realmente me impressionou, com uma riqueza de detalhes absurda! Tivemos inclusive o prazer de ver uma escultora trabalhando lá, porque as últimas chuvas danificaram um pouco algumas obras… O grupo conta com 19 escultores (talentosos, na minha opinião), que nos permitem um passeio lindo através da História da humanidade e suas conquistas, momentos e problemas…

Abrange diversos momentos e acontecimentos culturais que influenciaram a História do mundo contemporâneo, desde Artes, Música e Cultura Popular, às grandes invenções, os Egípcios, Gregos, o Império Romano, a América, França, o Império Britânico, as Cruzadas, o Império Espanhol, as viagens de Marco Polo, a civilização Asteca, as Guerras Mundiais e, claro, a Austrália, entre outros… Tudo isso bem em frente à graciosa praia de Frankston, com seu píer bonitinho e areia bem fininha…

Sem dúvidas, um passeio imperdível!  Mais informações podem ser encontradas no site:    www.sandsculpting.com.au

Não Me Importam As Estatísticas – Eu Penso Com O Coração!

“O Brasil ficou em 38º lugar em um ranking mundial de qualidade de vida elaborado pela revista International “Living”. Segundo a publicação, a França ficou em primeiro lugar pela quinta vez seguida. A classificação da revista dos Estados Unidos leva em conta vários quesitos, como custo de vida, acesso à cultura, economia, infraestrutura, saúde e clima. O Brasil recebeu suas melhores pontuações nos quesitos liberdade e segurança, ambos com 83 em 100 pontos. Já em acesso à cultura, ficou com 58 pontos, seu pior desempenho. Na segunda posição da lista está a Austrália, seguida por Suíça, Alemanha e Nova Zelândia. Completam as dez primeiras posições Luxemburgo, Estados Unidos, Bélgica, Canadá e Itália. Na América Latina, o primeiro lugar fica com o Uruguai, na 19ª posição geral. A Argentina ficou em 26º lugar e o Chile, em 31º. Já na parte inferior do ranking estão países como Somália, Iêmen, Sudão, Chade e Afeganistão. A íntegra da lista pode ser acessada no site www.internationalliving.com.”

Por que eu ainda insisto em querer voltar????  Porque EU SOU BRASILEIRA E NÃO DESISTO NUNCA!!!! Vaaaaaaiiiii Brasiiiiiiiiillllll! Ainda SONHO com um Brasil MUITO MELHOR…

HOMESICK?! Que é isso???

Confesso que prefiro gripe, resfriado, coisas que passam com a batida em retirada dos virus, ou boas doses de vitaminas, medicamentos e repouso… Mas tenho conhecido e experimentado uma “sickness” diferente… A palavra HOMESICK eh a que chega mais perto de saudade, na minha opiniao!

HOMESICK: Adj: saudoso da patria, do lar e da familia.

TO BE HOMESICK: sofrer nostalgia.

Uau! Que atire a primeira pedra o brasileiro que mora no exterior e nunca “pegou” esse virus!!!

A tal “doenca” pode atacar em varias areas e com diversos tipos de intensidade. E, na minha opiniao, quando muito forte, pode contar com mais um sintoma: um principio de depressao! Diversas situacoes podem gerar homesick e o contagio tambem eh possivel quando voce convive com um brasileiro mais desanimadinho, ou tao saudoso da terrinha quanto voce! Aih, o contagio eh INEVITAVEL!

Alguns tipos de ataques:

*HOMESICK GASTRONOMICO: nivel da doenca quando a pessoa soh pensa nas comidas do seu pais. Sempre que vai comer alguma coisa ela pensa na saudade que sente de coxinha, de pastel, de agua de coco, catupiry, churrascarias, feijoada, torresmo e outras delicias… Nao que por aqui nao existam excelentes restaurantes, verdadeiros banquetes gastronomicos, ou falte coisas do nosso dia a dia brasileiro nos supermercados! Pelo contrario, na Australia voce acha de tudo que costumamos usar aih pra cozinhar, porem… algumas delicias ficaram marcadas na memoria e em niveis mais elevados da “doenca”, voce pode ateh “sentir o cheiro” de tanta vontade! Eu, particularmente, sinto o cheiro da abobrinha recheada do Habib’s, entende???? Detalhe: aqui nao tem HABIB’s!

*HOMESICK PAISAGISTICO: nivel da doenca em que comecamos a perder ateh o senso do que eh realmente bonito ou feio, agradavel ou nao… A pessoa comeca a “romancear” ateh sobre aquela rua horrorosa pela qual ela passava todo dia pra ir a determinado lugar… A rua continua feia, uma ladeira enorme e sem graca,  mas a saudade eh tanta que ela sonha subir e descer aquela rua ateh a exaustao!!! Hahahahah! Ateh das praias lotadas de turistas e quiosques em pleno verao, aquela loucura pra chegar nas praias mais distantes e ainda conseguir de “BRINDE”, uma mesa num quiosque que toca pagode o dia inteiro… ECA! Fila nos supermercados, nos restaurantes, nos bares, ateh pra comprar sorvete e ainda chamam a isso de … “FERIAS”! Ubatuba em janeiro, se eh que voce me entende!

*HOMESICK  POPULACIONAL:  nivel da doenca em que a pessoa comeca a sentir muita saudade das pessoas, ateh daquele parente chato, daquele que reclama  o tempo todo da vida, daquele que pede dinheiro emprestado, daquele que se acha o sabe tudo, daquele amigo MALA, que sempre vinha sem avisar, abria sua geladeira, soltava pum na sua sala, sentado no seu sofa! Num estagio mais avancado, comeca a pensar que nao aproveitou a presenca deles tanto quanto deveria e que ateh “poderia ter lhes dado mais uma chance”!

*HOMESICK OCASIONAL:  nivel da doenca em que a pessoa comeca a sentir falta daquelas ocasioes em que a gente as vezes se irrita, como um vendedor que te bajula muito, que insiste, que deseja te mostrar a loja inteira, enquanto aqui eh mais ou menos assim: “Viu? To quase fazendo um favor de te atender, entao escolhe logo e vai embora que quero fechar as 5 em ponto”!

*HOMESICK ESPORTIVO:  nivel da doenca em que o sonho da pessoa eh ouvir num domingo a tarde, na interrupcao do FAUSTAO: “Bem amigos da Rede Globo…” e saber que vai assistir a um jogo de futebol DE QUALIDADE! O nivel quando a pessoa quase jah nao suporta ver um locutor narrar uma partida do que quer que seja, sem fazer uma festa, sem dramatizar a coisa, sem sofrer ou chorar junto! Nivel em que a pessoa comeca, de fato, a sentir como se Galvao Bueno fizesse MESMO parte de sua vida! Por aqui, eh o maximo ver a narracao de um gol… Eh basicamente: Gol. Ouvir um GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLL, soh se voce estiver assistindo um canal pago, ou pela INTERNET! E se voce gritar junto, seus vizinhos pensam: “Nossa, acho que tem um ‘bando de louco’ morando aih do lado”! E nao eh que eles ACERTARAM??????

*HOMESICK CULTURAL:  nivel da doenca em que a pessoa se irrita porque nao consegue nem mesmo comprar um unico livro, CD, DVD ou sintonizar em uma radio da sua lingua de origem, como se ela fosse uma tribo da lingua “TUPI-GUARANI”! Ninguem conhece seus escritores preferidos, os livros deles nao chegam onde a pessoa estah, ninguem conhece a musica do seu pais, nem seus compositores prediletos! Hahahhah! E encontrar um DVD com legenda em sua propria lingua, em locadoras ou mesmo lojas, eh motivo de comemoracao por mais ou menos uma semana, periodo em que o sujeito em questao vai assistir o DVD pelo menos uma vez ao dia, TODOS os dias!

*HOMESICK MEDICO:  nivel da doenca em que a pessoa precisa de medico, hospitais ou atendimentos e se depara com algo totalmente diferente do seu pais de origem, onde uma febre NAO eh tao importante, uma infeccao NAO eh motivo de preocupacao, onde “o corpo se encarrega de ajudar a cura do paciente” e EMERGENCIA eh apenas pra casos em que alguem estah “quase” morrendo, senao, os atendentes torcem o nariz pra vc e te mandam voltar, por favor, na segunda feira! E, quando a pessoa volta na segunda feira, encontra medicos do Afeganistao, Paquistao, India, Asia, menos do pais onde vc estah, porque ninguem quer fazer Medicina! E que sotaques lindos e conversas profundas sao travadas em Ingles tao caboclos! Hahahahah! O caminho por aqui eh primeiro um Clinico Geral e, se ele achar que voce necessita, te encaminha pra um Especialista, que pode levar ateh 2 ou 3 semanas pra te “encaixar”, se ateh lah voce ainda insistir em permanecer vivo! Livrinhos da UNIMED, com todos os associados e especialistas que voce quiser escolher??? Imagina, isso por aqui NAO EXISTE!

*HOMESICK TELEVISIVO:  nivel da doenca em que a pessoa sente falta ateh daquela programacao “tosca”, brega, sensacionalista, do seu proprio pais… Sonhando em ficar em casa a tarde, pra ver o que vai passar na SESSAO DA TARDE, ou esperar ateh tarde da noite pra saber quem vai ser entrevistado no PROGRAMA DO JO! Por aqui, as propagandas de TV sao tao idiotas, que eh impossivel acreditar que eles esperam mesmo conquistar clientes com isso… Sem contar as novelinhas, ARGH!!! Dah ateh arrepio! Acho que agora comeco a compreender o motivo das telenovelas brasileiras serem premiadas no mundo, dubladas e assistidas por uma multidao espalhadas pelo Planeta! Nao consigo imaginar a mente de um australiano criando dramas como “quem matou ODETE ROITMAN”? Quem de fato eh a culpada e a inocente, entre FLORA E DONATELA? E onde estah o filho perdido de Giuliana e Matteo, em TERRA NOSTRA?

Entendeu como essa HOMESICK age? Se estou sofrendo disso??? Acho que eh possivel perceber pelos comentarios…

brasil

 Nao tem como nao sentir falta, nao amar esse lugar, nao lembrar, todo dia, sem excecao!

americadosul

AUSTRALIA – O Filme

Em breve estarah nos cinemas o filme AUSTRALIA! Acho que  eh um filme que vale a pena, ateh pelas criticas… Por isso decidi colocar a minha critica preferida ateh agora aqui no blog:

“Virou chavão, para muitos saudosistas, dizer que “já não se fazem mais filmes como antigamente”. Para eles, uma boa notícia: sim, ainda se fazem filmes como antigamente. Pelo menos o australiano Baz Luhrmann (de Moulin Rouge – O Amor em Vermelho) acabou de fazer um. Ele se chama Austrália, traz roteiro e estética abertamente retrós e não tem nenhum problema em se assumir como rasgadamente melodramático. A má notícia é que o público (pelo menos o norte-americano) não gostou!  Para apreciar Austrália é preciso vestir a camisa de sua proposta. Trata-se de um épico histórico claramente calcado no estilo cinematográfico histriônico popularizado por …E o Vento Levou, de 1939. Talvez não por acaso, grande parte da ação de Austrália seja ambientada exatamente neste ano. Todos os clichês do gênero estão presentes e isso não é necessariamente um defeito, mas sim uma opção estilística. Sim, o filme é feito para chorar, cheio de histórias de dor, exemplos edificantes de superação, trilha sonora exuberante, gruas, tomadas de helicópteros, intolerância racial, paixões, largas paisagens e uma guerra como pano de fundo. Até o pôster de divulgação parece de filme antigo.
O espectador que não entrar no espírito da época fatalmente tenderá a crucificar Austrália como exagerado e ultrapassado. Mas quem aceitar o jogo de Luhrmann será brindado com um – literalmente – grande filme. Tanto em sua duração (165 minutos) como em sua caprichadíssima produção, meticulosa reconstituição de época e, claro, gigantescas locações, já que a Austrália é um continente famoso pelos seus larguíssimos horizontes.
Quanto ao fato dele soar falso e exagerado em determinados momentos (incluindo algumas tomadas, digamos “virtuais demais”), vale esclarecer que toda a sua história é narrada por um garoto aborígene que se julga dotado de poderes mágicos, ou seja, o ponto de vista do narrador infantil justifica e explica muita coisa.
Ah, sim, a história. Foram necessários custosos e extenuantes nove meses de filmagem (geralmente a média é de dois meses) para Luhrmann contar a saga da Sra. Ashley (Nicole Kidman), uma fina aristocrata inglesa que herda uma gigantesca fazenda falida na Austrália e acaba se envolvendo num mundo totalmente diferente do seu, onde proliferam a corrupção, o roubo de gado e a intolerância. Claro que pelo caminho ela vai se apaixonar por um rude peão boiadeiro (Hugh Jackman) que nem nome tem. Ele é apenas o “capataz”. E por aí vai… Ajuste sua máquina do tempo para 1939 e curta sem culpa de ser melodramático.”

Estrelado por Nicole Kidman, uma das australianas mais famosas do Planeta, jah se tornou um filme “queridinho” por aqui! Queridinho da Australia! Nao percam!!!

 Veja o link aih ao lado… O site tem a opcao em Portugues! Divirtam-se!

australia